Método de Projetos

15 set

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Uma proposta ideológica e operacional para o cumprimento das 400 horas de Prática de Ensino impostas para as licenciaturas.

A humanidade acredita no estabelecimento de sistemas regrados como exigência do cotidiano. Primeiro se organiza, depois estabelece um sistema de relações. Em seguida caminha para um sistema de medidas e chega ao controle social.
Ao longo da história, grandes pensadores foram adaptando, ajustando, adequando e atualizando conceitos para a área educacional, sistematizando-as.
No ensino, quando os educadores se vêem diante do imperativo da qualidade, do tipo de sociedade desejada, e a partir da qual se definem e se encaram nesse propósito, muitos aspectos caem na rede analítica.
Vamos nos deter aqui, resumidamente, para subsidiar alguns comentários sobre as Práticas, nos
a) objetivos educacionais e nas
b) diretrizes metodológicas.

Há, entretanto, alguns momentos reflexivos no estabelecimento dos objetivos que se pretende atingir, buscando a conciliação entre humanismo e o pragmatismo, a acareação entre os conceitos de pedagogia da existência e da essência, a questão da transferência educacional e a teoria da eficiência burocrática, dentre outros.

1 – DIRETRIZES METODOLÓGICAS – PRELIMINARES sobre o MÉTODO

Centrando esforços na metodologia e baseando-a no Método de Projetos, formalizado pela primeira vez pelo educador americano John Dewey, a partir da proposta pedagógica explicitada em 1918, por Kilpatrick, desejamos oferecer o presente trabalho como proposta ao desenvolvimento das PRÁTICAS de ENSINO nos cursos de LICENCIATURAS.
É o resgate de Dewey.
Esse Método pretende (re)criar a realidade na qual o aluno irá atuar após concluir o curso, pela ação/atuação muito mais própria e pulsante de um Projeto de Práticas.
É uma tentativa de globalizar o conhecimento, desconstruindo o ensino propedêutico, transferindo ao aluno a responsabilidade do seu aprendizado pela formação de uma atitude científica. E também transformando o professor em orientador (Tutor) das experiências, um recurso a mais com que o aluno poderá contar para resolver determinada situação problemática.
O Método fundamenta-se na estrutura do conhecimento científico e visa treinar o aluno a resolver problemas a partir de sua formulação adequada, da elaboração de hipóteses e do teste empírico das variáveis que atuam sobre o problema formulado. O Método exige aplicação de reformulação ao padrão standard e tradicional na sistemática de oferta de aulas-temas-problemas. É o mesmo Dewey quem destacava o fundamento do Método de Projetos como sendo a atividade coletiva com propósito prático (pragmático) num ambiente natural.
Ao definir as condições gerais que o Método deve reunir, dizia:
a) que o aluno tenha uma situação de experiência autêntica, isto é, uma atividade contínua na qual esteja ele próprio interessado;
b) que se desenvolva um autêntico problema dentro desta situação como um estímulo para o pensamento;
c)que o aluno possua a informação e que faça as observações necessárias para manipulá-la;
d) que as soluções possíveis sejam criadas por ele, o qual tornar-se-á responsável para desenvolvê-las de uma forma ordenada, e,
e) que tenha oportunidade e ocasião para comprovar suas idéias, para aplicá-las, para esclarecer seu sentido e descobrir, por si mesmo, sua validade.

A base do Método de Projeto está na realidade viva e nos problemas e dificuldades que esta apresenta e que devem ser resolvidos e superados. Mas, na educação há algo mais que problemas e necessidades; há também, aspirações, desejos e determinações que vão além da realidade. Há a necessidade, portanto, de se ampliar esse conceito para abranger a vida toda, tal como definido por José Ortega y Gasset ao dizer que “a vida significa o esforço para realizar o projeto da existência de cada qual” e … “vida não é senão o afã de realizar um determinado projeto ou programa de existência.”
Ao Método de Projeto foram dadas numerosas definições. Citaremos as três mais expressivas:
Para Kilpatrick, o projeto é um “ato completo que o agente projeta, persegue, e, dentro de seus limites, aspira a realizar”. É “uma atividade entusiasta, com objetivo, que se realiza num ambiente social, ou, resumindo, o elemento unidade de tal atividade, o ato interessado em um propósito.”
Para Stevenson, “O projeto é um ato problemático levado a seu término em seu ambiente natural”.
Para Krakowitzer, “Toda a atividade com objetivo definido e concluído chega a ser um projeto.” Destas e de outras definições, assim como dos fundamentos antes indicados, se depreende que no Método de Projetos o projeto assemelha-se ao problema enquanto é também alguma coisa que tem de ser resolvida/solucionada, mas se diferencia dele pela sua complexidade onde intervêm os seguintes fatores :

1) Um problema, ou situação problemática
2) Uma atividade original ou provocada, encaminhada para sua solução
3) Um ambiente ou meio natural em que está situado
4) Uma finalidade ou objetivo quanto à sua aplicação
5) Uma série de projetos para a realização desta finalidade.É necessário, entretanto, que se reúna determinadas condições na sua aplicação e novamente é Dewey que tem a palavra :

“A prova de um bom projeto está em ser completo e bem formulado, para exigir uma variedade de respostas de diferentes educandos e permitir a cada um dar sua contribuição própria, segundo suas características. A prova ulterior ou sinal de uma boa atividade, falando pedagogicamente, é que tenha suficiente espaço de tempo para que inclua uma série de trabalhos e explorações, e suponha um procedimento tal que, a cada passo abra um novo campo, suscite novas questões , desperte a exigência de novos conhecimentos e sugira o que se deva fazer sob a base do que já foi feito, e o conhecimento adquirido.
As ocupações ativas que satisfaçam estas duas condições produzirão necessariamente alguma acumulação e sistematização de fatos e princípios relacionados.” Resumindo, os benefícios do projeto, entre seus valores positivos, podem contar-se os seguintes :
1) Dá sentido à ação educativa e à atividade do educando a partir das aspirações;
2) Suscita o interesse e o entusiasmo ao conceber a realidade como algo problemático que tem de ser resolvido;
3) Desenvolve o espírito de iniciativa e de realização na medida que tem de se buscar os meios para resolver as situações problemáticas;
4) Dá sentido de realização, ao executar atividades que se devem complementar;
5) Fomenta o espírito de colaboração e solidariedade ao serem realizados os projetos coletivamente;
6)responde ao princípio de integração e totalidade no qual se inspira a ducação nova.

2 – S Í N T E S E

O Método deve ter as seguintes condições preenchidas :
Interesse do aluno
Problema autêntico (formulação clara da situação problemática)
Quantidade e qualidade de informaçõesManipulação das informações
Ordenação lógica das soluções encontradas
Aplicação das soluções.

Lembrando que :
Todo projeto implica em tomada de posição.
Quanto maior for a quantidade de informações que o aluno possuir, maior é a probabilidade de tomar decisões condizentes com a situação problemática proposta.
Quanto melhor for o instrumental metodológico usado pelo aluno, para selecionar informações, maior será a probabilidade de formular soluções à situação problemática.

Advindo as seguintes vantagens na aplicação do Método :
Atende ao interesse do aluno.
Contribui para que a realidade seja percebida como problema que necessita explicação ( solução ).
Desenvolve a iniciativa.
Estimula a pesquisa; desenvolve o método científico.
Fomenta o espírito de colaboração.Integra.

3 – A VELHA MOEDA: CARA & COROA

Tomar de uma moeda para interpretar as duas faces da situação é uma boa representação.
De um lado o aluno e de outro o professor. A massa crítica da relação ensino-aprendizagem está no próprio metal, em sua massa. O que se deseja é ter como conseqüência uma educação realista, efetiva e de resultados, palpitante, com temperatura alta e vivificada. Esse objetivo deverá ser alcançado com a informação, ingrediente principal na educação.
É nisso que reside a revolução educacional para o futuro: o comprometimento da qualidade de informação oferecida, colhida, sugerida, selecionada, discutida, interpretada, utilizada ou descartada, adotada para a meta da aprendizagem.
A questão é exatamente centrada nos novos recursos de informações que se traduzirão nos novos aprendizados.

Aqui está o papel do novo professor : o papel lógico que o transforma de explicador de conceitos em disseminador de informações, de textos. Porque tudo será conduzido a um grande mix, a um Projeto.
O papel do professor muda dramaticamente. Não é mais possível pensar e agir como se a informação fosse um recurso escasso. Ao contrário, hoje ela excede e é abundante.
Foi-se o tempo quando o formato de uma conferência ou de uma aula era o meio mais lógico de disseminar informação.
Um grande número de estudantes convergia para um lugar e alguém instruído expunha um tópico, armado de monografias e livros a que poucas pessoas tinham acesso, valendo-se de um retroprojetor.
Hoje, não se trata mais de avaliar os textos disponíveis e selecionar o melhor. É necessário peneirar um volume enorme de possibilidades e recomendar o que for (é) legítimo. É preciso separar a preciosidade do inútil. Vale lembrar os trabalhos escolares com só as capas belíssimas mas o conteúdo…
Um catedrático responsável já não procura só autoridades reconhecidas, e sim as fontes interessantes, originais e provocadoras. É quando o professor facilita o processo de dois modos:

1) Selecionando e recomendando as melhores fontes;
2) Ensinando para os estudantes como avaliar a qualidade de fontes por si mesmos.

A qualidade do pensamento, o discurso do aluno, deve valer mais do que a qualidade da fonte. O posicionamento crítico do aluno, não à frente do professor mas ao lado dele, contando com o bom preceptor, que ministra preceitos e instruções, dará especial sentido à orientação na construção do conhecimento. Isso se deve a que a ambiência de Práticas requer um jogo bastante diferente das simples habilidades de interação.
O mergulho, movido a combustível do interesse, ressalta pelas observações :
a )a vida útil do conhecimento, que é o período de tempo para o qual o conhecimento é aplicável e útil, está em curva decrescente;
b) o volume crescente de conhecimento exige dedicação exclusiva para levar informações aos demais ambientes.

O papel do aluno e do “novo professor” em atuação nas Práticas é selecionar toda a informação relevante e filtrá-la para as considerações, elaborar e abastecer o Projeto com perguntas provocativas, fazendo o possível para facilitar discussões em que todos os envolvidos participem.
A docência qualificada chega às últimas conseqüências quando descobre desapontamentos, de parte a parte, com a qualidade de participação do estudante, ao identificar que se recebe muito entusiasmo e respostas em nível superficial, ou limitadas em nível profundo. Esse é o cotidiano, em geral, de uma sala de aula mas que deve ser diferente numa Prática conduzida para um Projeto de fazer.

4 – RETOMADA da EXPOSIÇÃO do MÉTODO de PROJETOS

O Método de Projeto nunca esteve em desuso. Talvez engavetado pelos mais radicais tratadistas do fazer na educação. Particularmente, duvido que não tivessem indecisões no abandono do método de Dewey.
Quando definiu as cinco condições gerais, que tal Método devia(deve) reunir, Dewey nunca imaginou que, a rigor, esse método seria aplicável, por excelência, na modalidade do cumprimento de Práticas. Nunca esteve tão presente “uma situação de experiência autêntica que o aluno deva ter” ou seja, participar e desenvolver uma atividade contínua na qual esteja ele próprio interessado. Da mesma maneira, que o Tutor * desenvolvesse e aplicasse um autêntico problema dentro de uma situação, como um estímulo para o pensamento. Carregou forte nas tintas responsabilizando tanto o Tutor * como o aluno na posse da informação, exigindo as observações necessárias para sua manipulação. Não descartou a importância das possibilidades do atingimento de soluções criadas pelo aluno, o qual torna-se responsável pelo seu desenvolvimento de forma ordenada. Foi enfático, também, que nessa busca o aluno tenha a oportunidade e ocasião para comprovar suas idéias, para aplicá-las, para esclarecer seu sentido e descobrir, por si mesmo, sua validade
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* Apenas para efeito conceitual : PROFESSOR está em sala de aula e
TUTOR como orientador de Projetos e Práticas.

5 – FUNDAMENTAÇÃO PSICOLÓGICA

Todo procedimento didático está ligado por uma psicologia. Portanto, na proposta de utilização do Método torna-se indispensável o conhecimento dos procedimentos que o caracterizam e o compõem, além dos fundamentos psicológicos que os justificam para que sua aplicação se realize adequadamente.
Quando o professor propõe ao aluno a realização de um empreendimento (Projeto), o objetivo final é o projeto acabado, que se tornará possível pela realização de inúmeras etapas de trabalho. No levantamento do professor com os alunos dessas etapas de trabalho, dessas ações-parte, forma-se na mente do aluno uma representação do processo no seu desenrolar, tendo em vista o conhecimento do todo, qual seja, o projeto acabado. Visualizando o processo pronto e as etapas que devem ser superadas, o aluno retira do conjunto total de suas ações um grupo específico, com o qual irá trabalhar adequado à concretização do empreendimento. Quando falamos a primeira vez na utilização deste Método você retirou de dentro de suas experiências passadas aquelas que tornam possível ao seu pensamento trabalhar na compreensão deste método. A este grupo de ações selecionadas chamaremos de esquemas de ação. O Projeto proposto deve estar sempre em mente dos seus executores como sendo a finalidade a ser alcançada, que se concretizará através do trabalho, sistematizado por um método de ação.
Assim, o aluno executor de um Projeto, na tentativa de conclusão, passa por :
a) seleção de ações adequadas (esquemas de ação ) realizada pelo aluno com a orientação do Tutor;
b) distinguir que essas ações se realizam efetiva e interiormente;
c) que no processo de realização do Projeto novos comportamentos se estruturam:pela composição de elementos já existentes ( integração ) e pela diversificação de novos comportamentos, a partir dos já existentes (diferenciação).

Afinal, qual a mola propulsora de todo esse processo ? O que provoca a movimentação de todas essas ações ?
Aqui reside o ponto fundamental do Método de Projetos :a adequada colocação do problema, que provocará e justificará todo o processo a ser realizado.
O problema (*) nada mais é do que a antecipação de um “projeto” ( entre aspas para diferenciar do Projeto, entendido como Método que está sendo apreciado.

(*) A forma de colocação do problema deve ser tema de exaustivo estudo e debate entre os professores que trabalharão em algum módulo de disciplinas, preocupados com a interdisciplinaridade, para a execução de determinado projeto, a fim de que, numa representação adequada o problema oriente, coerentemente, o método de ação, segundo o fim a ser alcançado.

Se perguntamos “por que”? -provocamos ações que tentarão explicar ;
Ao perguntar “como”? -antecipamos ações que buscarão formas de realização;
Perguntando “para que”? levantamos ações que tentarão avaliar as finalidades propostas; e assim por diante.

6 – FUNDAMENTAÇÃO DIDÁTICA

Como se pode aplicar o Método de Projetos nos cursos de licenciatura, mais especificamente no tocante às Práticas ? Tal indagação nos estimula o pensamento no sentido de encontrarmos um critério e uma técnica que possibilite aplicar o Método. Uma vez despertados para o problema e indicada a direção para a pesquisa e a reflexão, pode-se partir para a ação, ou seja, a realização do Projeto.
Para a execução dele, podemos percorrer as seguintes fases :
a) Recolhimento de sugestões
b) Fixação e fundamentação da ordem de sua execução
c) Especificação e justificação das sugestões
d) Parecer do grupo
e) Execução pelo grupo
f) Exame em comum dos resultados

7 – MÉTODO DE PROJETOS e RELAÇÃO INTERDISCIPLINAR

Por desenvolver conhecimentos de áreas diferentes, o Projeto exige como princípio fundamental para a sua execução a integração entre as disciplinas. A questão da integração das disciplinas no curso universitário constitui-se na tarefa mais desafiante que tem sido proposta aos educadores. Esta dificuldade vem sendo contornada pela solução da integração das disciplinas segundo objetivos.
Ainda que esta atitude possa representar solução para determinadas opções educativas, no caso do Projeto, ela é insuficiente. O Projeto possui um núcleo central determinado pela proposta inicial, formulada na situação problemática. A elaboração dessa situação delimita o complexo e extenso universo da realidade, estabelecendo contornos definidos, dentro dos quais, dar-se-á a ação realizadora do conhecimento. Ainda que isto aconteça, a solução da situação problemática, isto é, a realização do Projeto, implica na subordinação a outros conhecimentos que não aqueles especificados nos limites do próprio problema. Com isto, queremos afirmar que para a solução do Projeto, concorrem conhecimentos pertencentes a áreas diferentes do conhecimento, mas que se subordinam a um objetivo único.
A dificuldade reside na possibilidade de se elaborar, com precisão, quais os conteúdos de que se necessita para a realização de um Projeto. Qual a forma de vazar tais conteúdos auxiliares na ação realizadora e como avaliar a sua utilidade. A Metodologia de Projetos não encara o conhecimento como constituído de compartimentos estanques, propriedades de ciências independentes. O comprometimento com a visão globalizadora do conhecimento exige, na aplicação do Método de Projetos, uma integração efetiva de conteúdos para que ele possa ser realizado.
Segundo John Dewey, este Método pretende ser, em outro nível, o retrato fiel de problemas que o educando irá enfrentar na sua ação modificadora do mundo. O Projeto é trabalho e assim pretende-se que o educando, pelo seu próprio esforço, construa o seu próprio conhecimento.
Considerando que o Projeto tem um núcleo que lhe define os limites, localizado no conjunto de conhecimentos, as outras áreas do conhecimento se constituirão em auxiliares para a solução do problema central. Uma(s) mais próxima(s), outra(s) mais distante(s) do núcleo, guardando seu grau de comprometimento no processo de integração.
Apenas como exemplo, imaginemos o estabelecimento de um fazer prático numa licenciatura como o de um PROJETO de ALFABETIZAÇÃO – módulo I, tendo como auxiliares algumas disciplinas do currículo, do primeiro ano. Para o segundo ano a aplicação visando o módulo II.
Para a solução da condição primordial à boa execução do Projeto, exige-se que o planejamento seja realizado pela equipe de professores e tutores com a responsabilidade do trabalho final.
Esse planejamento deverá ser realizado após o estudo preliminar com todos os professores e tutores das etapas de execução do Projeto, formulando-se a situação problemática ( com a eleição de uma disciplina núcleo/eixo ) e os eventuais problemas existentes/criados/encontrados em cada disciplina auxiliar, decorrentes do problema base/eixo.

8 – PROBLEMAS SUSCITADOS pelo MÉTODO

8.1 – Controle de aplicação do MétodoÉ preciso que exista uma Coordenação Central que mantenha sob seu controle o desenvolvimento executivo das etapas e da participação eficiente de cada uma das disciplinas que intervenham no processo global.Essa Coordenação procurará manter os professores e tutores unidos por um comportamento grupal, mas os trabalhos serão sugeridos pelo professor da disciplina núcleo e operacionalizados pelo tutor.Não se entenda essa integração grupal como uma forma do professor abdicar de sua liberdade e individualidade profissionais.Se não existir a integração interdisciplinar e uma eficiente coordenação, corre-se o risco do Método tumultuar a atividade educativa com graves prejuízos para o próprio sistema.O que se pretende não é uma padronização na transmissão do conhecimento, mas uma forma cooperativa integrada para a globalização do conhecimento a ser adquirido pelo aluno.

8.2 – Adequação à estrutura e aos objetivos do CursoEsta dificuldade situa-se no plano estrutural da Instituição.A introdução do Método implica numa mudança de mentalidade não só por parte dos professores.Por se transferir o centro de aprendizagem ao próprio aluno, interessado, atento, observador, sujeito ativo e passivo das práticas circunstantes, isto implica em aceitá-lo livre para optar pelo tempo e pela forma de execução da sua tarefa.Ele não mais faz parte de uma massa disforme sentada na sala de aula.

8.3 – Avaliação segundo as normas regimentaisAvaliação continuada, ao longo do processo, finalizando com avaliação do grupo docente ( disciplina núcleo e gravitantes auxiliares ) e somatório das unidades do percurso.

8.4 – Possível dispersão de concentração dos programas de disciplinasSe há liberdade do lado do aluno, de parte do professor e tutor o regime é quase militar, sistêmico, cartesiano, positivista e inflexível. A aplicação inadequada, irregular, desidiosa e descomprometida com o processo pode levar a uma dispersão de concentração de todo o plano de ensino e os cuidados deverão ser à enésima potência pois a proposta observadora e presencial das Práticas, constituindo um Projeto, é nova e quem a inaugurar com firme implantação colherá muitos frutos. Não se trata de perpetrar mais uma modalidade, uma moda, o Método rompe, aparentemente, a seqüência lógica de transmissão de informações, já que estas passam a ser exigidas em função de dificuldades que aparecem na execução do Projeto que em última análise é uma proposta-problema. Assim, a necessidade que o aluno tem para a solução dos problemas emergentes e decorrentes do Projeto, determinam a lógica pela qual recebe as informações de que necessita. O plexo a ser alcançado é sem erro um enorme acervo resultante de muita observação, muita prática conduzida e colhida no Projeto.

C O N C L U S Ã O
É EVIDENTE QUE A PROPOSTA ORA APRESENTADA SUSCITA DIFICULDADES QUE, SE NÃO FORAM PREVISTAS NESTE TRABALHO, DEVERÃO SURGIR DE FUTURAS DISCUSSÕES.

É CLARO QUE ESTE DESAFIO SOMENTE PODE SER LEVADO ADIANTE SE OS PROFESSORES SE SENTIREM IDENTIFICADOS COM A INSTITUIÇÃO, CONFIANDO NOS SEUS PROPÓSITOS E ENGAJANDO-SE NOS SEUS OBJETIVOS. A SIMPLES ADESÃO NÃO É SUFICIENTE PARA A MAGNITUDE DA OBRA QUE SE PROPÕE.

A PRESENTE PROPOSTA É UM “TOUCHÉ” PARA O ENFRENTAMENTO DA APLICAÇÃO DAS 400 HORAS DESTINADAS ÀS PRÁTICAS PELA RESOLUÇÃO CNE/CP 02/2002.

A MISSÃO EDUCATIVA QUE NOS CABE NÃO SE EXAURE NO PLANO SIMPLES DO FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES.

ESTAMOS COMPROMETIDOS EM FAZER DE CADA ESCOLA UMA CASA DIGNA DESSE NOME, UM LABORATÓRIO ONDE O PENSAMENTO ESPECULATIVO POSSA PREDOMINAR COM LIBERDADE, PARA INTERPRETAR E EXPLICAR A REALIDADE COMPLEXA NA QUAL ESTAMOS INSERIDOS.

NOSSO PAPEL HISTÓRICO É O DE FORMAR PROFISSIONAIS PARA O MAGISTÉRIO DE ACORDO COM AS POSSIBILIDADES QUE SE OFERECEM, MAS COMPROMETIDOS COM O PROCESSO DE CRESCIMENTO INTELECTUAL PERMANENTE.

“Non Scholae Sed Vitae Discimus” — Não ensinamos para a escola mas para a vida