Fraude no Enem

18 dez

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Ao longo de quatro páginas no Estadão do dia 2 de outubro, sexta-feira, são dedicadas à vergonhosa e irresponsável incúria na questão da fraude no ENEM.

Considerações à parte, dos jornalistas que cobriram a matéria, restaram perguntas sem respostas e por certo não serão oferecidas à sociedade.

Outra farra da pizza, agora num processo seletivo, na educação superior, mostra mesmo que o país tem tudo pra estar no Guiness como o que mais consome essa redonda com muzzarela e calabresa. Parece piada pronta mas o responsável por pretender intermediar a venda dos conteúdos da prova é dono de uma pizzaria. É hilário ou dramático.

Alocaram verba da ordem de R$ 116 milhões(quase R$30,00 por candidato) para a proposta da prova. Mas fala-se em R$ 34 milhões para resolver o problema da reedição do material. Ou seja, a pizza vai custar R$ 150 milhões ou a nova tarefa poderá apropriar os valores da verba inicialmente destinada ?

É um exagero o MEC ter um banco com 2 mil questões quando cada uma delas custa e muito. Exacerbaram no volume que seria(rá) descartado se a missão fosse(or) integralmente cumprida.

Quanto à pretendida segurança que a Polícia Federal deveria ter dado ao processo, solicitada pelo Ministro Haddad mas negada pela corporação, por absoluta inviabilidade logística da operação em atender 10 mil locais. O INEP não informou isso ao próprio Ministro. Será ? Além de ignorar as questões das provas também ignorava que o colega Tarso Genro, da Justiça, não interagiu na proteção requisitada. Realmente o bloco do “EU NÃO SEI DE NADA” não é pequeno.

Bem, agora a rapaziada está aí, de stand by, aguardando nova data, e ninguém garante que “agora vai”, mas por certo vai haver choque com outros vestibulares no país, públicos ou privados. E o que é pior, a iniciativa particular não pode ficar esperando a coisa(ENEM) dar certo pois têm calendário apertados e rigorosos, com muito investimentos, lembrando que o ano letivo de 2010 começa exatamente numa segunda-feira, dia 1º.

Assim, se é idéia propor o ENEM em até 45 dias, recolhendo os cacos até lá estaremos no final de novembro. Tarefa hercúlea mesmo será corrigir/avaliar redações de 4.1 milhões. A toque de caixa e zabumbas porque diz o Ministro que procurará respeitar os prazos de entrega das avaliações. Haja avaliadores. Em quase 40 anos dedicados à educação nunca ouvi falar em tamanho volume. Fora a discussão que pode envolver o eixo duro do processo, a isonomia, condição delicadíssima nesse tipo de concurso.

Sem derrotismo senhor Ministro, mas seus cabelos vão embranquecer em pouco tempo, talvez antes de deixar a pasta para seguir curso político legislativo, como já divulgado.
Se tudo que é grande começa pequeno teria sido melhor delegar a tarefa com algumas adaptações às Secretarias de Educação dos Estados, sobretudo pela extrema facilidade que o Ministério tem em baixar Portarias, em especial as Normativas, bem draconianas.

Em tempo, certamente houve uma vantagem auspiciosa para as 24 federais que aboliram seus processos seletivos, talvez uma grande economia nos custos, que nem sempre são pequenos. Como e porque se engajaram até aqui não temos respostas.

Lamentável mesmo é o que ocorreu com um pessoal no Amazonas, que partiu de suas localidades em barcos e canoas com uma viagem de 3 dias pela frente, até um “porto (in)seguro do ENEM. Valha-me Deus, que olhou por eles e mandou alguém interceptar os navegantes no meio do caminho. Santo berro nas margens dos negros e solimões.