Bicho Papão de Três Cabeças

25 jan

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Os mantenedores têm verdadeiro pavor das Desistências, Trancamentos e Cancelamentos.
Não sem razão pois eles acontecem, provavelmente, por algum defeito na fabricação.
Entram na linha de montagem mas sucumbem na primeira curva da esteira rolante que aprova ou condena a matéria prima utilizada.
Há percentagens perigosíssimas quando uma somada com outra(s) cenarizam o final do semestre letivo com menos 10 a 20% do alunado.
Mas, porque essa tríade maldosa ocorre quando “tudo está bem, tudo ia muito bem” ?
Algumas estilingadas rápidas e lá na frente, no stand de tiro ao alvo no macuco, não tem erro.
É macuco no bornal. Ou seja, vai tudo pro saco: CPA mal conduzida e incompetente(ineficaz); corpo docente desengajado; conteúdos programáticos à deriva do mercado e na empregabilidade, dissociados e avessos às diretrizes curriculares; atendimento despersonalizado ao aluno; horário de aula incompatível com o horário de trabalho do aluno; acomodações impróprias; coordenações de cursos totalmente órfãs; ausência de docentes às aulas; enganos(embromation) escancarados em bibliotecas e laboratórios; barzinhos nas esquinas próximos da IES, afora praças de alimentação cada vez mais “apetitosas”, etc.

Programado para os dias 4 e 5 de maio, em Belo Horizonte, acontece o Curso de Captação e Retenção de Aluno, promoção da Carta Consulta, Editau e Consae.
Serão palestrantes os americanos Tent Argo, Marcus C.Whitt, Vanedson Ximenes e Thomas M.Huebner Jr. além do brasileiro Willie Muriel Cardoso.
A oferta do curso, publicada em www.cartaconsulta.com.br, tem como material informativo os vastos currículos dos experientes expositores, as ementas temáticas, além do texto abaixo, justificador da proposta.

“Os processos de captação e retenção de alunos ganham cada vez mais a atenção dos dirigentes das Instituições de Ensino Superior. A captação não se resume no preenchimento das vagas oferecidas. É preciso ir além.
Preencher as vagas é condição fundamental para a sustentabilidade do projeto acadêmico institucional. Ir além é buscar o melhor aluno possível, aquele mais preparado para aprender e para contribuir como discente, envolvendo-se com a sua formação até o final, sem evadir.
Este é um ponto de semelhança entre organizações educacionais no mundo todo, não importando o marco regulatório, o meio acadêmico ou contexto mercadológico a que se vinculem. Todas precisam captar e manter os melhores alunos possíveis, sobretudo, num ambiente onde o número de vagas oferecidas excede o número de candidatos preparados para o ensino universitário. “

O curso vem bem a propósito do momento quando os índices de evasão começam a majorar e esvaziar salas de aulas, preocupantemente frente à manutenção dos custos mas com perda de receitas.
Inseridas num contexto altamente competitivo, as universidades americanas implantaram departamentos de recrutamento, de admissão, de orientação financeira e de egressos, dentre outras estruturas. Criaram estratégias e táticas e aprenderam a captar e a manter os melhores alunos possíveis. Atualmente elas contam com alunos do mundo inteiro.
No Brasil vivenciamos o mesmo contexto competitivo, mas ainda não implantamos uma gestão capaz de cuidar de todo o processo de captação e principalmente de retenção de alunos, indo até a implantação de uma política de egressos eficaz. Estamos realizando uma série de ações, é verdade, mas ainda não paramos para pensar e planejar nossas estratégias.
Falta-nos, inclusive, a mais simples das pesquisas para conhecer e entender os processos da tríade maldosa, que tem muito a ver com a qualidade da matéria prima, transformação e produto final.
Está na hora das IES nacionais se preocuparem mais sobre a retenção e menos na captação,
predatória. A segunda não é garantia para a primeira. Quem (sobre)viver verá.

Na ausência de quem culpar, há os que atribuam as perdas ao FIES, ao ENEM, ao Prouni, ao
confronto das gerações “X” e “Z” nas salas e por aí vamos. Pode ???