Pesadelo é melhor do que o despertar

22 mar

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roney.signorini@superig.com.br

A frase, por inteiro, é do impagável Millor Fernandes: “No Brasil de hoje, o pesadelo é melhor do que o despertar.”

E não é para menos quando o noticiário da mídia assombra os operadores da educação com matérias e reportagens que são autênticos tapas na cara com os títulos “País só cumpre 33% de metas de educação”, “Federais ainda têm 45% das vagas”, “Ajuda do BNDES a faculdade não sai do papel”, “Caixa cobra 37 mil fiadores de universitários do FIES”, e por aí vai.

Quanto ao descumprimento das metas do PNE, na ordem de 67%, é de se perguntar no que constituirá o novo plano, já em gestação, com período abrangente até 2020 ? Ora, se 2/3 do plano não conseguiram consecução melhor seria adiar um novo, salvo se ele virá para impor correções de rotas aos 2/3 que não foram realizados, exclusivamente. Pois, corremos o risco de acumular aos 2/3 outros tantos porcentis que a dívida social-educacional nunca poderá ser resgatada. E eram 294 as ditas metas, criadas em 2001. E a avaliação sobre o quadro não foi encomendada politico-partidariamente. Foi realizada pelas universidades federais com apoio do Inep, ligado ao MEC. É importante considerar que o levantamento foi feito de 2001 a 2008, ou seja, dois anos de FHC e seis anos de Lula. Por certo, em 2009 e 2010 as coisas pioraram.

Só para ilustrar, na educação superior o plano estabelecia uma meta de 30% dos jovens na universidade, porém, em 2008 o índice acusava só 13,7%.

Traduzido em números absolutos são milhões.

É de pasmar e de querer voltar para a cama e ao pesadelo quando se sabe que o país ainda tem 16 milhões de analfabetos, de 15 anos ou mais, que não sabem escrever. Fora os analfabetos funcionais ( ? ). Ou seja, no Brasil existem 16,295 milhões de pessoas incapazes de ler e escrever pelo menos um bilhete simples. Levando-se em conta o conceito de “analfabeto funcional”, que inclui as pessoas com menos de quatro séries de estudo concluídas, o número salta para 33 milhões.

E a culpa é atribuída à falta de recursos das burras governamentais quando abundam Reais em meias e cuecas.

Comentar que as universidades federais não conseguiram preencher 45% de suas vagas é comédia, não fosse tragédia. Vagas dispostas, corpo docente alocado para as turmas, primeiro dia de aula e não tem ninguém na sala.

Tem nada não. O professor volta para a sala dos docentes e fica lendo jornal. Afinal quem paga, o contribuinte, não vê nada porque é o país onde ninguém sabe de nada, escuta e vê nada.

Enquanto isso, o BNDES ( leia-se contribuinte ) está “amargando prejuízo”

grande pois não conseguiu colocar uma linha de crédito/empréstimop às IPES—Instituições Privadas de Ensino Superior — porque nenhuma instituição conseguiu, desde o lançamento do programa, há 5 meses, colocar o dedo mindinho na piramidal verba de R$ 1 bi. O motivo: as IPES alegam que para obter o empréstimo os requisitos não são rígidos demais, são intransponíveis.

Só um avatar para transpor esse buraco, e convocando o Diretor Cameron.

Isso porque as particulares oferecem 75% das vagas no ensino superior e com milhares ociosas. Aqui o conceito de ocupação é diferente: não tem aluno não abre a turma/curso. Não há despesas, não há repasse.

É bem na linha do “ganhou mas não levou”, perdeu-se o volante da Mega.

E, na contra partida, por paradoxal ou antítese, até julho de 2009 a Caixa Federal acumulava um total de 250 mil contratos em fase de quitação da dívida, decorrente do Fies. Mas, 37 mil fiadores foram acionados dentre os mais de 50 mil inadimplentes. E o jurídico da Caixa já sabe: só acionando e penhorando bens do fiador. É de chorar sabendo que há docentes lendo jornal na sala dos professores porque não existe aluno na sala “programada”.

Em tempo: por recente portaria do MEC, a de nº 234, de 4/3/2010, são convocadas trinta e duas instituições, entre Academias, Associações, Sociedades, Uniões e Confederações, além da UNE, ao oferecimento de lista tríplice para indicação à composição das câmaras do CNE. Não constam a ABMES, o SEMESP, os SINPROs e tantas outras entidades que efetivamente representam o setor educacional nacional. Dejà vu !

O leitor ( contribuinte ) está com a palavra.