Construtivismo e Explodismo

22 maio

Por Ana Tereza Pinto Oliveira – Mestre em Língua Portuguesa pela PUC-SP

Corre solto por aí que o aprendizado de violão, no Brasil, só pode ser feito de “ouvido”. Nada de partituras, pentagramas e quetais. Pelo menos foi assim que grandes violeiros de outrora chegaram às emissoras de rádio, e ainda hoje.
Não era o que pensava o mestre Francisco de Asis Tárrega Eixea (1852— 1909) um importante violonista espanhol que revolucionou a composição para violão.
Assim como aprender a tocar violão, teoria pedagógica também vem sendo aprendida e executada de orelhada, independente do resultado, se aplicada na base do só ter ouvido falar, lido alguma coisa, presenciado alguma palestra.

Há quase uma década, docentes brasileiros independente se no fundamental, médio ou superior se propõem a colocar em prática, num estalar de dedos, o Construtivismo em salas de aulas.

A concepção do construtivismo não é uma teoria mas referencial para o docente ser levado a solucionar situações de aprendizado. Portanto, valioso instrumento de análise educativa, muito útil para decisões relativas ao planejamento, aplicação e avaliação no ensino, ou seja, ferramenta do pensamento psicopedagógico docente. Um referencial que identifica problemas decorrendo soluções articuladas, interativas e dialeticamente.

Semanas atrás o festejado professor Cláudio de Moura Castro, em sua página na revista VEJA, laborou sobre o assunto com interessante título: Construtivismo e Destrutivismo. E explodiu a matéria com sua inteligência focada no olho da página : O Construtivismo é uma hipótese teórica atraente e que pode ser útil na sala de aula. Mas, nos seus desdobramentos espúrios, vira uma cruzada religiosa, claramente nefasta ao ensino.

E avança no texto, com muita propriedade e com certa ira, com muita razão, batendo com as duas mãos, assumindo que tem a missão árdua de desmontar o construtivismo junto aos seus discípulos mais radicais, culpados de transformar uma ideia interessante numa seita fundamentalista.

Seguindo, enumera quatro equívocos grosseiros e estruturais que em sua visão invalidam a aplicação da teoria na educação: pensar que o docente teria o monopólio da verdade; achar que todo aprendizado requer degraus mentais
contidos no construtivismo e que sem maiores elaborações intelectuais aprendemos ortografia, tabuadas e a etmologia; aceitar uma teoria científica como verdadeira se atribuída a algum guru planetário —que só adota o empirismo, sem observações rigorosas, só no chão das teorias; e por último, de terríveis consequências, imaginar que cada aluno aporende de jeito próprio
e que o modo instrucional adaptado a cada um. Nesse particular, o docente rejeitaria livros e manuais standarizados quando sabidamente estes são superiores às improvisações despreparadas e até inconvenientes. Centenas de pesquisas mostram as vantagens de instruções estruturadas, planificadas e detalhadas.
O construtivismo não nega instruções detalhadas. Afirma-se que é impossível aplicar o método sem elas.
Aulas sem conteúdos e planos previamente definidos definham ao longo do ano letivo.
Com o uso da hipótese teórica do construtivismo, bem alicerçado em detalhes, em detrimento às improvisações e ao achismo egoísta dos docentes, pode-se sem preocupação levar aos alunos a “construírem” seus conhecimentos com incrível facilidade.

É, talvez, o emprego de uma prática docente que mais propicia aprendizagem,
tanto na dimensão individual como na social, assumindo o docente a condição de agente mediador entre o indivíduo, sociedade e o aluno como aprendiz social. A função completa da escola. Não é pouca responsabilidade, transcende a docência para se tornar um monitor, tutor ou preceptor.
Mas isso tudo não ocorre se não houver total apoio das direções, coordenações e reitorias que visem um ensino de qualidade.