De Geração em Geração, sem solução

23 maio

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Teóricos sociais — sociólogos, antropólogos, psicólogos, pedagogos, etc. — já estão quase de acordo na separação dos grupos das gerações, cujos estudos e discussões vêm ganhando observadores atentos, sobretudo os operadores da educação brasileira, quanto aos perfis estabelecidos.
Por oportuno, o SEMESP, em São Paulo, discutirá em suas Jornadas Regionais a temática da Geração Y.

De alguns meses para cá a imprensa vem divulgando o assunto como que na tentativa de rastrear, principalmente, o público de hoje na universidade e com isso quase discutir alguns comportamentos dominantes nesse “lócus”. Inclusive, começa a surgir literatura nacional traçando balizas para as quatro gerações: a dos tradicionais, nascidos até 1950; a dos baby boomers, nascidos entre 1951 e 1964, ou seja, os situados hoje entre 59 e 46 anos de idade; os da geração X, nascidos entre 1965 e 1983, hoje situados entre 45 e 27 anos de idade; e ultimando com a geração Y, nascidos entre 1984 e 1990, hoje situados entre 26 e 20 anos de idade.
Há quem já esboce a geração C, geração M e a geração Z, (matéria publicada pela revista Veja, recentemente) os nascidos em 1991 para cá.

Leia abaixo como a especialista Karla Santana Mamona, da InfoMoney, descreve os tipos:

Geração dos tradicionais – Nascidos até 1950, são pessoas extremamente dedicadas, que entendem e se conformam com o sacrifício; admitem recompensas tardias; respeitam a hierarquia e são formais: burocratas. O dever vem antes do prazer e são bons em tomar decisões pressionados.

Geração dos baby boomers – Nascidos entre 1951 e 1964, são pessoas revolucionárias e moldadas com grande disciplina; céticos em relação à autoridade, independentes; transformadores, buscam reorganizar ou reestruturar suas organizações; foco no curto prazo e mentalidade de trabalhar pressionados; liderança por consenso; tendem a priorizar o trabalho, acreditam num mundo competitivo e compenetrado;

Geração X – Nascidos entre 1965 e 1983, buscam equilíbrio entre a vida pessoal e profissional; são pessoas auto-centradas, empreendedoras e extremamente independentes: altamente pragmáticas e orientadas às ações; liderança por competência; grupo mais conservador da força de trabalho. Meta de carreira dirigida a novos desafios; gostam de trabalhar num ambiente de equipe e a primeira geração que verdadeiramente domina os computadores – Era da Informação.

Geração Y – Nascidos entre 1984 e 1990, são tecnologicamente superiores; tendem a ter entendimento global; necessitam de reconhecimento positivo periódico; desejam crescimento rápido na carreira e são imediatistas. Tecnicamente muito sofisticados; multi-tarefeiros; fiéis aos seus projetos; informais, autônomos e individualistas. Não abrem mão de gerenciar simultaneamente sua vida pessoal e profissional. Precisam se sentir “fazendo parte” do time: liderança por coletividade e inclusão.

É possível fazer leituras adicionais nos endereços abaixo ou clicando no pesquisador Google — Geração C, Geração Y , etc.:
http//miriamsalles.info/wp/?p=165 contido no YouTube.
http://augustocvp.wordpress.com/2009/05/06/a-geracao-m/

A ter sustentação real e efetiva os perfis contêm muita heterogeneidade de posturas, pretensões, fatores existenciais (com algum conflito entre eles), aspirações pessoais, condutas individuais e grupais que ganham até certa imbricação. Não nos interessa comentar o ensino fundamental e médio, mas atentar para o fato de que na universidade encontram-se representantes dessas quatro gerações.
Cabe a primeira pergunta: nossos docentes estão preparados, habilitados e capacitados para esse enorme desafio na proposição e administração dos conteúdos dos planos de aulas? Ao que tudo indica essa preocupação ainda não chegou perto dos muros das escolas embora venha sendo debatida mas é a bola da vez junto aos organismos de RH, que discutem a presença dessas gerações no mundo empresarial.

Algumas poucas instituições, entretanto, como casos isolados, já tomaram a dianteira no trato de evitar conflito de gerações nas salas de aulas. Uma delas é a Universidade Anhembi-Morumbi, em São Paulo.
A iniciativa se deu pelo último Censo, o qual indicou que um em cada quatro estudantes ingressantes em curso superior, em 2008, tinha 30 anos ou mais.
De 2000 a 2008 o grupo desses universitários ingressantes aumentou à extraordinária taxa de 206%; os de 24 anos também subiu, mas em 89%.

Imbroglios à parte, de eventuais conflitos geracionais sobre o chão das salas de aulas, há muito ainda por se discutir na busca de eficácias programáticas com as novidades tipológicas acima descritas. É desafio e tarefa inadiável da iniciativa privada

Embora outras heterogeneidades persistam na sala de aula como a de alunos egressos de escolas públicas e privadas, as primeiras como responsáveis pelos 15% da população brasileira, com idade entre 15 e 24 anos, considerada analfabeta funcional, isso permite afirmar que a incúria governamental — dos analfabetos educacionais — vem sendo tanta e muita. E o quadro não mostra melhoras em grandezas como desejamos e precisamos: educação de primeira qualidade para o fundamental e médio.

Mas quem são esses alunos, ora ingressantes com 30 ou mais anos, calouros, transferidos, desistentes do mesmo curso ou de outro, de graduação ou tecnológicos, que já estão no mercado, supostamente capazes economicamente? Tanto melhor se têm autonomia financeira
A depender de crédito e financiamento estudantil melhoramos timidamente, hoje expressos pelas estatísticas de quase 190 mil usufruindo o ProUni integral, com perto de só 150 mil no Fies, outros 67 mil no ProUni parcial e 54 mil (13%)oferecidos pelas próprias IES. É uma gotinha no oceano quando temos perto de 4 milhões de universitários nas instituições privadas.