Pente Fino nos Clippings

17 set

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Nos últimos dias de agosto os clippings de material educacional ficaram recheados de notícias, senão provocantes um tanto preocupantes.
E nada é novidade lembrando Sísifo que padeceu empurrando uma pedra morro acima, que rolava abaixo, sem nunca conseguir alcançar o topo. Tarefa que foi imposta por ter mentido.

Na presente análise, é claro, não que a educação seja a mentira mas as autoridades nacionais de ensino, os sísifos da educação, continuam a perpetrar o mesmo trabalho do condenado na mitologia. É o que parece pelas notícias que seguem, coletadas em jornais e revistas.

No Rio de Janeiro, portal Terra, pelo projeto do MEC a proposta é de preparar/capacitar diretores, professores e coordenadores na sua quarta edição, ampliando o curso de prevenção ao uso de drogas nas escolas públicas. Nas edições anteriores somente aos profissionais que atuavam nos anos iniciais do ensino fundamental mas agora extensivo ao médio. Podiam aproveitar a chance e tratar um pouco sobre o tema pedofilia.

Com todo o cuidado porque pode haver usuários de drogas entre docentes como também os adeptos de “favores infantis”.
São 25 mil vagas para todo o Brasil. É pouco e não é nem remediar.

De Brasília, via o Estadão, vem nova Resolução do Cons. Federal de Biologia (CFBio) que está dificultando a obtenção do registro profissional para alunos formados a distância se o curso não for reconhecido. Nada mais justo, correto e legal. E não vai ser fácil reconhecê-los, portanto, cobertos de razão. Como sempre a notícia peca por não indicar quais instituições de ensino estão perpetrando diplomas sem o reconhecimento do curso.

Ainda do Estadão, a leitura reitera informações de que o problema da formação de pessoas no País é gravíssimo pois na creche e pré-escola só atingimos a metade do previsto no PNE, cujo período está acabando este ano. No fundamental o atraso é de 20 anos em relação ao proposto na Constituição de 1988. Atualmente, uma em três crianças deixa o sistema sem completá-lo. Ao final do ensino médio a evasão atingirá metade dos estudantes, resultado muito pior do que a nossa realidade econômica e demográfica aceita.

Quanto ao ensino superior, continuamos com taxas de atendimento próximas à metade da
existente em nossos vizinhos. Ou seja, caos completo no presente e sobretudo no futuro.

Do mesmo Estadão, a notícia que as empresas estão com muita dificuldade para encontrar
profissionais qualificados, tudo decorrente da formação que os jovens não estão obtendo porque as escolas insistem na não formação para os mercados, com currículos e conteúdos
irreais para o escopo principal: a empregabilidade.

Das 5.490 vagas para profissionais com nível superior, oferecidas pelo sistema este ano, só 893 foram preenchidas, ou seja, 16,3%. Até dezembro vamos chegar a novo recorde de sobra de vagas.

Em outra nota, pelo viés, a Confederação Nacional da Indústria(CNI) contratou junto ao Ibope a pesquisa “Retratos da Sociedade Brasileira: Educação” constatando que a maiorias dos brasileiros não acredita que a escola prepare para o mercado de trabalho. No levantamento, 40% dos entrevistados acreditam estar o aluno razoavelmente preparado, após o médio ou superior para a empregabilidade. Enquanto apenas 14% dos entrevistados com ensino médio completo acreditam que os estudantes saem da escola “bem preparados”, para conseguir um emprego estável. O índice chega a 30% na avaliação do nível superior. No mais, 61% apontam a qualidade da educação no Brasil como um dos gargalos que impedem o nosso desenvolvimento.

Pela Revista Veja pode-se ler a máxima isonômica tirada também da pesquisa Ibope/CNI na qual os entrevistados alegam que escola boa é a escola paga. E, na convicção deles, a descrença na capacidade de o estado brasileiro suprir as necessidades nacionais. Na visão do professor Remi Castioni, da UnB, o raciocínio do cidadão é claro: “Se saúde, política e transporte são ruins, então a educação pública também é, necessariamente, ruim”.