A culpada é a Geni

27 jul

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Mas, quem, afinal, é a Geni no tocante aos resultados dos últimos exames propostos pela OAB, em nível nacional? São as faculdades, a própria OAB e as dificuldades nos testes, o MEC, o Inep e suas avaliações, o CNE e suas aprovações de cursos?

Um momento. Nove entre dez são reprovados? Aí tem gato na tuba e miando num diapasão irreconhecível: Rá diminuto. Dá pra entender? Claro que não! Não existe isso. Ou seja, continuam buscando o vilão onde ele não está e nunca esteve: no curso superior. É a história do “mais embaixo”: no fundamental e médio. Claríssimo.

Alguma dúvida que todos os cursos de Direito propugnam por manter os melhores docentes / profissionais, operadores do Direito na ativa ou fora dela, mas atuantes em qualquer esfera jurisdicional?

E ainda há quem queira suprimir o exame da OAB. Peraí, mano? Qual é? Tá prevalecendo a cartilha do “Nóis vende os peixe”. Alguma dúvida de que o cidadão não vai entender muito bem a leitura dos códigos (Civil – Comercial – Tributário – Penal – Eleitoral – Trabalhista, etc. etc.)?
Ler até que é possível, mas interpretar, a sintaxe, ops! Tem uma distância abissal entre as duas paredes.

Partindo da premissa de que o advogado é fundamentalmente um grande comunicador, escrevendo, falando ou usando gestos, o leitor tem a informação de algum curso de Direto no país cujo currículo contemple linguística, semiologia e semiótica, para não dizer os princípios normativos da gramática? A pergunta é óbvia diante de tudo que temos lido sobre cartilhas, ensino público, etc., etc.

Pois bem, de nada adianta ler e/ou interpretar dispositivos normativos legais sem poder levá-los à discussão, à luz da argumentação e/ou persuasão.

Talvez haja uma saída. Vale a pena tentar com uma turma. A relação custo-benefício é muito pequena. Aposto na proposta de incluir uma disciplina de 4h semanais/anuais.

Anos atrás coloquei os meus argumentos para coordenador de curso que os levou para mantenedor. Não foi aceita. O motivo : custo.

Aqui vai: se o advogado é fundamentalmente um comunicador, por que ele não sabe nada sobre isso – a COMUNICAÇÃO –, em todas as suas dimensões, oral, escrita, gestual, ou seja, verbal e não verbal?
O que a nova geração de advogados sabe sobre linguística, semiologia e semiótica ? Qual teoria de comunicação conhece esse novo advogado ? Os veteranos correram atrás num autodidatismo.

A maioria dos advogados, promotores e juízes já adotou, ou melhor, descartou as linguagens rançosas e passou a usar textos que, embora menos formais, perseguem a clareza informacional, respondendo às perguntas básicas de qualquer texto jornalístico: O QUÊ, QUEM, QUANDO, COMO, POR QUE, ONDE?

De que vale o conhecimento das leis contidas nos códigos se os operadores do direito não têm a mínima condição argumentativa/persuasiva, dependente de um discurso bem estruturado? E, por força das condições, gramaticalmente correto.

Para completar, não desacredito na competência de corpo docente assim como não subestimo a inteligência dos alunos. A iniciativa não tem nada a ver com SANTOS & MILAGRES, é só uma questão de vontade mesmo, de visão, para instrumentalizar.

Tem Juiz, Promotor e Desembargador, todos aposentados, com extremada dedicação à vida jurídica, passando vergonha nas lides educacionais porque não contam com o mínimo de discernimento dos mantenedores apoiando-os no suporte da expressão da língua, da gramática para dar apoio aos entendimentos, pareceres e julgados à luz dos Pessoas ou Camões, Ruys e demais.

Se in vino veritas, in verba et verbo veritas, ou seja, terá muito valor aplicar recursos numa disciplina, acrescentada ao currículo, que dê um norte linguístico às petições e recursos. E está aberta a “porta da esperança”, para todos.

Numa analogia simples, nossos futuros causídicos estão sentados numa Mitsubishi último tipo, parados na estrada, sem combustível. Pode ?