Avaliação da Avaliação da Educação

17 fev

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roneysignorini@ig.com.br

Gabriel M. Rodrigues é bem conhecido e considerado por muitos méritos no setor educacional. Dentre tantos, foi o pioneiro na fundação de uma Faculdade de Turismo. É um autêntico gentleman, um aristocrata, um príncipe, talvez austríaco, que tenha estudado na Inglaterra com a obrigação/responsabilidade de responder ao desafeto com uma luva de pelica.

Como o homem é o estilo, frase atribuída a Georges-Louis Leclerc, Comte de Buffon, no seu Discours sur le style (“Le style c’est l’homme même”), é dar-lhe asas. Não é o caso de muitos do setor que gostam bastante de limão, acidez e soda cáustica, também estes com razão.. O tema da avaliação vem sendo discutido, tratado, abordado de há muito, talvez iniciado na gestão de Paulo Renato, que contava com a eficiência de Maria Helena Guimarães. Depois se seguiram outras pessoas no Ministério, que não eram/são do ramo.

Por incrível, aqui aparece o feitiço virou contra o feiticeiro, pois o professor tem duas ocupações sob uma maneira simplista de ver: lecionar e avaliar. Para o ser humano, existe avaliação desde o nascimento até a morte. Na formação educacional, do fundamental ao fim da universidade, é certo que tenha havido prováveis 100 avaliações, inclusa prova, 2ª. chamada, substitutiva, exame, etc. etc. Agora, Gabriel Rodrigues desce a rampa do tobogã aquático analisando o cenário avaliativo universitário sem dar nenhum tiro, uma estilingada sequer contra ninguém. A questão, como disse o prof.

Gabriel, não é a avaliação em si, mas as regras, a regulação do setor, a necessária exclusão de técnicos e burocratas (que não são poucos atualmente no MEC), que cresceram além da conta, sentadinhos nos cantos, disfarçados de estatísticos, atuariais e matemáticos entendidos das teorias do grande Johann Carl Friedrich Gauss (1777 – 1855), matemático alemão e cientista físico que contribuiu com a teoria dos números, estatística, análise, geometria diferencial, geodésica, geofísica, astronomia e óptica. Outro príncipe, este da matemática. Antes, essa gente precisa ser do ramo, gente do chão das salas de aula, de direção e de coordenação de cursos, para saber onde estão as melhores escolas: aquelas cujos egressos alcançam o mercado de trabalho.

Ou seja, escolas dignas desse nome. As IES impossibilitadas que se autofechem porque a avaliação não é para qualquer uma. É a mesmíssima coisa que acontece na realidade dos campi: entrar é fácil, mas sair às vezes é impossível. Vale também para as IES autorizadas a funcionar.

A suavidade da mão de prof. Gabriel chega a ser inaceitável, pois desde Tarso Genro, Haddad até Mercadante as IES só têm levado tapa na cara, de mão aberta. Assim, é intolerável que, com tanta contribuição das IES à educação nacional, sejam expostas suas feridas internas, tratáveis com qualquer AAS, provocando podridão de peles e tecidos internos, porque o poder público veio para referendar Átila, cujos cavalos onde passassem nunca mais crescia grama.

Esse parece o propósito, quando 80% da oferta de cursos universitários está nas mãos das particulares. Simplesmente porque o poder público abandonou o barco de há muito? Aliás, se contar lá fora ninguém acredita: o próprio governo reprovou várias instituições federais nos resultados do último ENADE, negando-lhes a realização de vestibulares. Ou seja, a incompetência é tanta que não arrumam nem a própria casa.