Inovação e Criatividade na Pauta do Dia

22 set

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roney.signorini@superig.com.br

A educação é a base da nossa democracia – os degraus para a nossa juventude atingir seu pleno potencial.
A minha própria experiência na escola pública foi muito frustrante. E foi muitas vezes entediante. Ocasionalmente, tive professores que se envolveram com minha curiosidade o que me motivou a aprender.George Lucas – cineasta e fundador da George Lucas Foundation

Já falei sobre o assunto, mas volto a ele, recorrentemente, para provocar e incitar meus leitores sobre o tema criatividade.
Em 21 de julho, o intelectual e Ministro da Educação Janine baixou a Portaria 751 instituindo o Grupo de Trabalho (GT) responsável pela orientação e pelo acompanhamento da iniciativa para Inovação e Criatividade na Educação Básica do MEC.

Foram estabelecidas três atribuições: monitorar o desenvolvimento da iniciativa; ratificar documentos de referência sobre inovação e criatividade; e organizar grupos regionais, contando com um respeitável grupo de trabalho do qual participam 16 integrantes designados. Gente que conhece o riscado e, em princípio, deve apresentar alguma proposta em 120 dias, ou seja, até 22 novembro. Um trabalho como o que se tem em vista pode levar a transformações positivas, alinhadas com a realidade atual no mundo, para os ambientes educacionais.

Com todo o respeito ao Ministro, não era sem tempo e, se quisermos retroceder, referindo-nos aos ministros que o antecederam, então a crítica vai ao superlativo.

Aprendizagem baseada em projetos, equipes de estudantes que trabalham cooperativamente, as crianças em ligação com especialistas apaixonados, e formas mais amplas de avaliação podem melhorar substancialmente o aprendizado do aluno. Novas multimídias digitais e telecomunicações podem apoiar essas práticas e envolver nossos alunos. Para tal tarefa, educadores bem preparados são críticos, daí a importância da formação continuada.

George Lucas é um entusiasta em assuntos educacionais. Segundo ele, “a educação tradicional pode ser extremamente isoladora – o currículo é muitas vezes abstrato e não é relevante para a vida real, os professores e os alunos não costumam conectar-se com recursos e especialistas de fora da sala de aula, e muitas escolas funcionam como se fossem separadas de suas comunidades”.

Criatividade não se restringe a música e arte, é uma atitude perante a vida, aquela de que todo mundo precisa. É um composto de hábitos mentais que inclui curiosidade, ceticismo, imaginação, determinação, habilidade, colaboração e autoavaliação.

Soa como a habilidade perfeita para prover os jovens a navegar num mundo cada vez mais complexo e imprevisível. De forma encorajadora, há uma abundância de provas – desde a pesquisa e a prática – de que a maioria das iniciativas podem ser desenvolvidas em sala de aula. Na verdade, especialistas em inovação e educação concordam que a criatividade pode se encaixar perfeitamente em qualquer sistema de aprendizagem. São. Mas antes que essas irmãs siamesas possam ser incorporadas em grande medida nos currículos, devem primeiro ser compreendidas.

Recentes pesquisas em ciência cognitiva, muitas vezes com a educação em mente, a criatividade é uma habilidade que todos nós temos e podemos cultivar com a prática. É aquela típica situação de pensar fora da caixa, mas na realidade precisamos pensar de forma criativa dentro de muitas caixas.

Criatividade precisa de espaço e tempo para florescer na escola. Criatividade não vem sob demanda. É necessária a mistura sutil de pressão e tempo para a explosão de ideias criativas.
A rede pública estadual de São Paulo deve ter currículo flexível para o ensino médio a partir de 2016. A mudança está prevista em projeto de lei ainda não sancionado, sequer discutido, mas publicado no DOE e encaminhado à Assembleia Legislativa. A Secretaria de Educação do Estado informa que essa implantação será gradual, salientando que nas escolas nas quais o novo modelo de currículo for adotado, os alunos poderão escolher matérias que mais lhes interessem; porém, a partir do segundo ano do ensino médio, pois apenas o primeiro ano manterá o currículo fechado.

Os teóricos, professores, psicólogos, pedagogos e demais operadores da educação se perguntam qual seria o resultado de uma educação verdadeiramente inovadora. E a resposta vem de pronto, à evidência, está em uma formação de aprendizes que evoluem constantemente e conseguem unir conhecimentos teóricos com execução prática. Investir em inovações não é o bastante para transformar um sistema educacional porque inovar é possível e necessário, mas não é o suficiente.
Para transformar um sistema educacional é preciso prudência. É como quem toma sopa quente, pelas bordas, com uma inovação incremental, que inclui modificações e aperfeiçoamentos.

Parece-nos que o cenário tem claridade solar ficando evidente que aos que intentam inovações, e criatividade na educação, trata-se de um processo a capturar pelos sistemas na forma de uma ruptura, a chamada inovação disruptiva. Com certeza sujeitando-se a erros e acertos porque a ciência do erro acaba sendo a ciência para a tecnologia do acerto.

Tais preocupações iniciam-se pelo Fundamental, pois o desenvolvimento da criança deve inspirar a aprendizagem ao longo da vida em diferentes espaços e comunidades, preocupação a mais que deve abraçar a equipe do Ministro Janine, pois todo o desenvolvimento da criança, a aprendizagem em sala de aula, não de rotina ou padronizada, capacita crianças como cidadãos criativos e comprometidos que podem fortalecer o bem-estar de toda uma sociedade. É fundamental, então, para nutrir suas habilidades criativas, para expressar-se, compreender os outros e navegar por valores complexos de informação, para que possam confiantemente resolver os problemas de um mundo que está mudando mais rápido do que nunca.

A questão é como fazer com que tal abordagem sistêmica seja sustentável ao que chamamos por aqui de universalização(1), de norte ao sul do país, nos grandes centros como nos rincões.
Não se espere, entretanto, que a partir de dado momento todos passem a transpirar inovação por todos os poros porque não é tão simples assim, até porque existem fatores que podem conspirar contra a sua disseminação na escola. Afinal, o medo de errar inibe as pessoas a se tornarem inovadoras. Nossas escolas não estimulam as crianças ao erro e punem qualquer equívoco. A sala de aula está impregnada de corporativismo e tantos outros fatores que podem desestimular as pessoas na contribuição com ideias criativas e consequentemente com ações inovadoras.

A intenção do Ministro Janine por certo antevê um ensino proponente, proativo, que caminhe para carreiras e empregabilidade deixando para trás o ranço dos engessamentos curriculares e sobretudo conteudísticos. A empregabilidade é hoje a maior preocupação dos profissionais colocando à prova suas habilidades e competências, mais avaliadas diariamente, que são a criatividade e inovação.

Educação universalizada é incluir. Universalizar a educação é tema central de qualquer política que se pretenda integrada a uma ideia de futuro sustentável.