Resenha Triste

22 set

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roney.signorini@superig.com.br

Se o leitor se achava incomodado com a leitura de notícias policiais, as divulgadas com impactos no rádio, no jornal e na TV, vai ficar espantado com a maldade e crueldade das notícias que estou agrupando hoje. Passei um pente fino no que foi publicado pela mídia nos últimos dias.
Se antes você, preocupado, estava pensando em se defender de marginais e criminosos, prepare-se para se defender, não sabemos de quem ou do que.

E isso é bem pior por ignorarmos o agressor que é invisível, ou não ? Seria a urna, os partidos, o voto, os eleitos ? O leitor está com a palavra. Vamos lá:

Da UOL, São Paulo – por Léo Arcoverde, em 08/09/2015,  vem que
A cada mês, 172 professores pedem demissão ao Estado de SP
A rede estadual de ensino de São Paulo registrou a exoneração de 9.279 professores entre janeiro de 2011 e junho de 2015. Esse número representa a saída de 172 docentes da sala de aula por mês, em média. Os dados são da Secretaria Estadual de Educação obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) pelo site Fiquem Sabendo.

No mesmo período, outros 3.351 professores ou deixaram a sala de aula para se dedicar a outra atividade na pasta da Educação ou passaram a acumular a função de docente com outra carreira na pasta.

Do G1, em São Paulo  26/08/2015
74% das cidades usam só indicação política para nomear diretor de escola

Nomeação por livre escolha do poder público é comum na rede municipal.
Diretores de escolas da rede municipal de ensino são escolhidos apenas com base em indicação política em 74,4% dos municípios brasileiros. Os dados são referentes a 2014 e fazem parte da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), divulgada nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A livre indicação dos diretores escolares pelos poderes públicos locais abre espaço para as formas mais usuais de clientelismo, além de não garantir o respaldo da comunidade escolar nem a qualificação técnica dos diretores”, aponta a pesquisa.

O índice destaca uma das preocupações do novo Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado pela presidente Dilma Rousseff (PT) no segundo semestre do ano passado, que estabelece metas e estratégias para o setor até 2024. Uma das determinações do PNE é justamente a nomeação dos diretores com base em critérios técnicos de mérito e desempenho, e que envolvam a participação da comunidade escolar.
De acordo com a pesquisa do IBGE, 4.146, dos 5.570 munícipios existentes no país, recorreram apenas à livre designação do Executivo na hora de nomear os diretores de suas escolas municipais.

O peso da indicação política é inversamente proporcional ao tamanho das cidades. Ou seja, quanto menos habitantes no município maior o número de indicações.

Do IG – Último Segundo – Educação| 26/08/2015 – Por Luis Philipe Souza
IBGE: 12 Estados brasileiros não possuem planos estaduais de educação
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta quarta-feira (26) o Perfil dos Estados e dos Municípios Brasileiros referente ao ano de 2014. O estudo mostrou, entre diversos aspectos, que 12 Estados não possuem plano estadual de educação.
Nas 15 unidades federativas onde foram verificados planos, três eram anteriores a 2004 e, portanto, estavam com a validade de dez anos expirada. O quadro estadual é refletido diretamente sobre a situação dos municípios, que se pautam nos planos estaduais. No levantamento, percebeu-se que apenas 43,6% dos municípios afirmaram ter planos dentro da validade.

Do jornal Valor Econômico-Rio –  Por Robson Sales – 26/08
IBGE: Em 40% dos municípios, não há secretarias de educação

Cerca de 40% dos municípios brasileiros não têm secretaria para tratar exclusivamente da educação, revela o Perfil dos Estados e Municípios Brasileiros 2014, pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Nos últimos anos, porém, houve um aumento do número de cidades que criaram uma pasta para essa modalidade: em 2009, apenas 43,1% dos municípios tinham uma pasta para cuidar só da educação, percentual que passou a 59,2% em 2014.
Segundo o IBGE, no ano passado, os municípios eram responsáveis pela gestão das escolas que atendiam 23 milhões de alunos.

Do jornal O Globo – Editorial – 10/09
Aposentadoria engatilha bomba-relógio na Educação

Estudo do MEC mostra que, nos próximos seis anos, até 40% dos professores do ensino médio no país poderão sair das salas de aula, ao optar pela inatividade
No contencioso da Educação brasileira, não são poucos os sinais de que o país vive crise sistêmica no setor. Em 2014, por exemplo, num ranking de 36 países elaborado no âmbito da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne as nações de maior Índice de Desenvolvimento Humano, o Brasil amargou o penúltimo lugar, levando-se em conta o desempenho de alunos no teste internacional Pisa (que avalia conhecimentos de leitura, matemática e ciências dos adolescentes). Também no ano passado, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostrou que, de 2011 a 2013, o desempenho no ensino médio do país caiu em 13 estados. E é notória a medíocre performance de saber da Universidade brasileira, salvo exceções, na comparação com unidades de ensino superior internacionais.

Em torno desses sinais, em si preocupantes, arma-se uma bomba-relógio: até 2021, cerca de 40% dos professores no ensino médio poderão se aposentar. Essa estimativa, calculada em estudo do Ministério da Educação, sinaliza que, se até agora as demandas relacionadas ao universo da rede de ensino vêm sendo empurradas para a frente, a iminência de uma grande debandada de docentes das salas de aula constitui um risco para o qual não se pode fechar os olhos. Há um colapso no horizonte.
Como nem tudo é espinho aqui vão duas flores:

De UOL  São Paulo Educação – 08/09     Eduardo Schiavoni
Detento é o primeiro de SP a obter ensino superior dentro da cadeia
Sob aplausos de aproximadamente cem pessoas, Venilton Leonardo Vinci, 55, tornou-se, na quinta-feira (3), o primeiro detento do Estado de São Paulo a conseguir formação de nível superior exclusivamente em regime fechado. Formado em pedagogia, Vinci terminou o ensino médio atrás das grades e, graças a uma parceria com uma universidade que oferece a modalidade de ensino à distância, conseguiu o diploma. O próximo passo, segundo ele, é iniciar a pós-graduação.

A cerimônia de colação de grau ocorreu na Penitenciária 1 de Serra Azul, presídio de segurança máxima no qual Vince é interno. `Só me resta agradecer. Primeiramente, a Deus. Depois, à direção desta unidade, que acreditou na educação e, principalmente, ao ser humano. Quero ser o espelho de uma nova realidade, pois hoje me torno um pedagogo, disse ele, logo após receber o diploma e ser ovacionado por parentes, colegas de presídio e professores.

Segundo Vinci, o próximo passo é a pós-graduação. Ele já ganhou uma bolsa integral da instituição de ensino onde se graduou para continuar os estudos. Quero, no futuro, como protagonista da minha história, concluir uma pós-graduação, na área da educação. Também penso em dar palestras, pois acredito na superação e no exemplo acima de tudo,disse.
Diretor da unidade prisional de Serra Azul, Reginaldo Araújo, acompanhou a cerimônia e não conteve as lágrimas. Ele conta que a unidade que comanda tem um projeto pioneiro no Estado, mas que Vinci foi o primeiro a conseguir a graduação. `Começamos com 13 alunos, mas alguns abandonaram o curso, ou deixaram a prisão. Tomara que ele motive os demais e sirva como exemplo, disse.

Do R7 nos chega que
Cresce número de secretários de Educação pós-graduados no País
Prioridade com a qualificação dos gestores da Educação parece ter aumentado nos últimos anos.

O número de gestores das secretarias de Educação em todo o País que possuem algum curso de pós-graduação apresentou um significativo aumento em oito anos. Em 2006, 47,3% dos titulares das pastas nos municípios que assumiam a responsabilidade pela Educação possuíam pós-graduação. Em 2014, este número já chegava a 65,2%. Os dados foram divulgados na manhã desta quarta-feira (26) na pesquisa Estadic 2014 (Perfil dos Estados e dos Municípios Brasileiros), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Nos Estados, cinco unidades da federação não possuíam um gestor com pós graduação: Rondônia, Amazônia, Roraima, Maranhão e Distrito Federal.

Enquanto nos municípios a maioria das titulares das pastas era formada por mulheres, nos Estados, a maioria é de homens. São 71,5% da presença feminina no cargo nas cidades frente a 18 dos 27 gestores estaduais serem homens.

O cargo da maioria destes profissionais ainda é o de pedagogo, com 48,7% das secretarias estaduais de Educação formadas por graduados nesta área.