As Tecnologias na Educação

22 out

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roney.signorini@superig.com.br

É importante que haja não apenas uma revolução
tecnológica nas escolas. É necessária a revolução
na capacitação docente, pois a tecnologia é algo
ainda a ser desmistificado para a maioria  dos
professoresRenata Beduschi de Souza

A escola é um espaço por excelência bastante complexo onde se realiza formalmente a educação de uma sociedade.
Vive-se um momento incomum na história da educação com a implantação e implementação das tecnologias de informação e comunicação nas IES. É realidade que grande parte das escolas estão equipadas com laboratórios de informática, que estão com televisores multimídia (TV Pendrive)  notebooks, tablets, em cada sala de aula, etc.

Mas tudo isso precisa ser utilizado de maneira correta, diária e intensa a fim de surtir os efeitos pedagógicos esperados.
Considerando que tecnologias são os meios, os apoios, as ferramentas que utilizamos para que os alunos aprendam. O giz que escreve na lousa é tecnologia de comunicação e uma boa organização da escrita já que facilita e muito a aprendizagem. A forma de olhar, de gesticular, de falar com os outros isso também é tecnologia.

O livro, a revista e o jornal são tecnologias fundamentais para a gestão e para a aprendizagem e ainda não sabemos utilizá-las adequadamente. O gravador, o retroprojetor, a televisão, o vídeo também são tecnologias importantes e também muito mal utilizadas, em geral.
Segundo esta visão, mais importante do que tê-las na escola é saber utilizar tecnologias em prol de uma transformação pedagógica necessária e esperada em dias em que a sociedade almeja melhores resultados da educação.

Só as tecnologias não mudam a relação pedagógica, mas podem ser capazes de permitir um novo encantamento na escola entre alunos e professores. Observe-se que nem por isso precisaremos abandonar as formas tradicionais pelas tecnologias telemáticas mas deve-se integrar as duas como mediação facilitadora do processo de ensinar e aprender participativamente, conforme MORAN,2000.

Então, com foco na melhoria da qualidade de ensino ofertado nas escolas, as tecnologias de informação e comunicação estão à disposição dos professores e caberá a cada unidade escolar fazer uso dessas ferramentas de forma efetiva.
Há um tempo grande entre conhecer, utilizar e modificar processos e portanto a necessidade de se iniciar, urgentemente, o seu uso pelos docentes para desencadear ações práticas no intuito de ir se apropriando e dominando a tecnologia a fim de adquirir confiança e dominar, pedagogicamente, tais ferramentas.

Hoje, toda a invasão tecnológica da internet, as redes, o celular, a multimídia estão revolucionando o cotidiano. Se conectados cada vez resolvemos mais problemas, à distância. Na educação, entretanto, sempre vemos dificuldades para a mudança, sempre achamos motivos para a inércia ou vamos mudando mais os equipamentos do que os procedimentos. A educação de milhões de pessoas é preciso ser proposta com liberdade, sem asfixia e monotonia. Está aprisionada, previsível e cansativa.
As tecnologias servem de apoio e nos permitem realizar atividades de aprendizagem de formas diferentes às do passado. Podemos aprender estando sós ou juntos em lugares distantes, sem precisarmos estar sempre numa sala de aula para sso acontecer.

Muitos julgam que o virtual e as atividades à distância sejam um pretexto para diminuir o nível de ensino, para acelerar a aprendizagem mas tudo depende de como se faz. A escola é e continuará sendo uma referência importante inclusive a conhecer outros colegas, a aprender a conviver. Mas, diante de tantas mudanças sociais, ela está se convertendo em um lugar de retrógrado e pouco estimulante.

O conviver virtual vai tornar-se quase tão importante como o conviver presencial. A escola precisa de uma sacudida, de um choque, de novos ares com novos modos de acesso  à pesquisa e de desenvolvimento de atividades mais dinâmicas.

Nas salas presenciais de hoje o que se vê é quase sempre o mesmo cenário: uma pessoa falando e uma classe cheia de alunos semi-atentos (na melhor das hipóteses). A infraestrutura é  deprimente. Salas barulhentas, a voz do professor mau chega aos ouvidos. Conseguir um data show na maioria delas é uma tarefa hercúlea. Muitas vezes existe um único equipamento para vários cursos, muitas turmas.

É hora de partir para soluções mais adequadas para o aluno de hoje.
Quantos alunos iriam às nossas aulas se não fossem obrigados? Há maior fracasso do que este?
A escola pode ser um espaço de inovação, de experimentação saudável de novos caminhos. Não precisamos romper com tudo, mas implementar mudanças e supervisioná-las com equilíbrio e maturidade.
Manter o currículo e as normas como estão, na prática é insuportável.

Professores, alunos e administradores podem avançar muito mais organizando currículos mais flexíveis, aulas diferentes. A rotina, a repetição, a previsibilidade é uma arma mortal para a aprendizagem. A monotonia da repetição esteriliza a motivação dos alunos.

São muitos os recursos à disposição para aprender e para ensinar. A chegada da internet, dos programas que gerenciam grupos e possibilitam a publicação de materiais estão trazendo possibilidades inimagináveis vinte anos atrás. A resposta dada até agora ainda é muito tímida, deixada a critério de cada professor, sem uma política institucional mais  ousada, corajosa, incentivadora de mudanças. Está mais do que na hora de evoluir, modificar propostas, aprender fazendo.

Todos os envolvidos em educação precisam conversar, planejar e executar ações pedagógicas inovadoras, com a devida cautela, aos poucos, mas firmes e sinalizando mudanças.
Não basta tentar remendos com as atuais tecnologias.
Temos quer fazer muitas coisas diferentemente. É hora de mudar de verdade e vale a pena fazê-lo logo.,
É evidente a insatisfação dos alunos quanto às aulas “tradicionais”, ou seja, aulas expositivas utilizando apenas o quadro-negro e o giz. O aprender por aprender já não existe.  Hoje, os alunos precisam saber para que e por que precisam saber determinado assunto. Essa é a típica aprendizagem utilitária, isto é, só aprendo se for útil, necessário para entrar no mercado de trabalho, visando ao retorno financeiro. É difícil, portanto, prender a atenção do aluno em aulas feitas do conjunto lousa + professor.

É a professora Renata B. de Souza, da Universidade Feevale, de Novo Hamburgo (RS).quem afirma, categoricamente “Então, por que fazer o mesmo quando se pode fazer diferente? Uma vez que os alunos gostam tanto de aulas que utilizam a tecnologia, por que não aproveitar essa oportunidade e usá-la a seu favor? A aula pode entusiasmar os alunos de maneira ao menos parecida com que são excitados pelos jogos e filmes de alta qualidade em efeitos especiais. A escola precisa modernizar-se a fim de acompanhar o ritmo da sociedade e não se tornar uma instituição fora de moda, ultrapassada e desinteressante. Embora lentamente, ela está fazendo isso. Saber que o aluno aprende com o que lhe prende a atenção todos sabem. A questão é: estão os professores, as escolas e os sistemas de ensino preparados para tal mudança?”
Aulas modernizadas pelo uso de recursos tecnológicos têm vida longa e podem ser adaptadas para vários tipos de alunos, diferentes faixas etárias e diversos níveis de aprendizado. O trabalho acaba ganhando um retorno muito mais eficaz. É importante, no entanto, que haja não apenas uma revolução tecnológica nas escolas. É necessária a revolução na capacitação docente, pois a tecnologia é algo ainda a ser desmistificado para a maioria dos professores.

No país em que a lousa digital equipa apenas 2% das classes, alguma coisa preocupa como  o comentado por Karina Yamamoto, pela UOL: a tecnologia não mudou a educação porque o sistema é o mesmo.

E ela continua, “A educação não vai bem — isso todo mundo sabe por estatística ou por experiência própria. O que intriga muita gente é por que a situação não melhora com toda a tecnologia disponível. Para o trio da Santo Caos, uma “consultoria de engajamento” de São Paulo, a resposta é que o modelo educacional é o mesmo. O aparato tecnológico é usado apenas como outra modalidade de material, sem alterar a maneira como o conteúdo é ensinado ou modificar a administração das verbas e do tempo.