Design Thinking outro desafio para os operadores da educação

22 nov

Prof. Roney Signorini – Consultor Educacional
roney.signorini@superig.com.br

Em tempos de grandes volumes de informações, como o que vivemos hoje, graças à Internet, mais uma novidade no horizonte para preocupar e levar a reflexões quanto ao uso e emprego, discussão e abordagens do Design Thinking.

Quando se fala em desenho, a principal preocupação do artista é demonstrar a melhor forma de dar um significado a um objeto. Ele vê o objeto por todos os ângulos e perspectivas para reproduzir uma realidade que só ele percebe.

Quando se aplica Design Thinking em Negócios toda a visão é com o consumidor. E no ensino universitário o consumidor ficou apenas um número que ninguém se preocupa.

Aos introduzidos em Design é bom repensar o termo porque o binômio agrega Thinking. Deixou de ser traço, cor, forma, geometria, etc.
Melhor explicando, Design Thinking é o conjunto de métodos e processos para abordar problemas, relacionados à aquisição de informações, análise de conhecimento e propostas de soluções. Como uma abordagem, é considerada a capacidade para combinar empatia em um contexto de um problema, de forma a colocar as pessoas no centro do desenvolvimento de um projeto.

Adotado por indivíduos e organizações, principalmente no mundo dos negócios, bem como em engenharia e design contemporâneo, o Design Thinking tem visto sua influência crescer entre diversas disciplinas na atualidade, como uma forma de abordar e solucionar problemas.
Sua principal premissa é que, ao entender os métodos e processos que designers usam ao criar soluções, indivíduos e organizações seriam mais capazes de se conectar e revigorar seus processos de criação a fim de elevar o nível de inovação.

O Design Thinking busca diversos ângulos e perspectivas para solução de problemas, priorizando o trabalho colaborativo em equipes multidisciplinares em busca de soluções inovadoras.
Dessa forma, busca-se “mapear a cultura, os contextos, as experiências pessoais e os processos na vida dos indivíduos para ganhar uma visão mais completa e assim, melhor identificar as barreiras e gerar alternativas para transpô-las” .

Para que tal ocorra, O Design Thinking propõe que um novo olhar seja adotado ao se endereçar problemas complexos, um ponto de vista mais empático que permita colocar as pessoas no centro do desenvolvimento de um projeto e gerar resultados que são mais desejáveis para elas, mas que ao mesmo tempo financeiramente interessantes e tecnicamente possíveis de serem transformados em realidade.

A noção de design como uma “forma de pensar” tem sua origem traçada a partir de 1969, nas ciências, no livro The Science of the Artificial, de Herbert A. Simon e mais especificamente na engenharia, à partir de 1973 , com Experiences in Visual Thinking, de Robert McKim. Rolf Faste, professor de Stanford, definiu e popularizou o conceito de “design thinking” como uma forma de ação criativa e foi adaptada a administração por David M. Kelley , colega de Faste em Stanford e fundador da IDEO, empresa de consultoria de design de produtos americana, que apesar de não ter inventado o termo, foi uma das primeiras formadoras de opinião sobre o tema.

O que diferencia o Design Thinking do método científico é que este se inicia definindo todos os parâmetros do problema em questão para a definição de um objetivo. Ao contrário, o design começa o processo de resolução de um problema com uma solução para a questão, de forma a definir parâmetros suficientes para otimizar a busca de um objetivo. Dessa forma, a solução é um ponto de partida.

Conforme Nivaldo Foresti, da Edshpere, “ O impacto do Design Thinking quando aplicado à educação é duplo: primeiro, ao exigir o uso de múltiplas abordagens quando se olha para um problema. Em segundo lugar, e talvez mais importante, o Design Thinking enfatiza que a colaboração e o uso de recursos externos são fundamentais tanto para a aprendizagem como para a resolução de problemas/processo pelo qual dá uma noção das coisas que serão valiosas para as suas vidas acadêmicas, profissionais e pessoais.”

O Design Thinking ensina aos alunos que as melhores soluções são aquelas que são motivadas por empatia e centradas nos usuários dos problemas. Ao compreender a perspectiva de que uma resposta a um problema só é tão bom quando o usuário final descobre que ela é, os alunos ganham uma segunda e valiosa ferramenta contrapondo às metodologias existentes, a que eles estão acostumados.
Com esta combinação, os alunos podem começar a entender a ideia de que nenhuma resposta é perfeita e que muitas vezes há muitas maneiras de enquadrar e resolver um único problema.

Como nada se cria e tudo se recicla, isso parece muito com a mistura dos anos 80, onde existia o analista de O&M que analisava e “vivia” os fluxos dos usuários apresentando soluções.
Já experimentamos muitas coisas na vida e vivemos muitas ondas e modas.

A vantagem hoje é que você pode “experimentar” as várias soluções, minimizando riscos, para encontrar a que melhor se adapta ao problema.
O Design Thinking resolve todos os tipos de problemas? É a panaceia universal para a melhoria das empresas e em especial na educação? A resposta é um enorme NÃO!

Quando a solução não é visível ela deve ser obtida na base da experimentação ou da tentativa e erro. O guia para a solução passa por entender as quatro fases do Desigin thinking do problema: What is, What If, What Wows e What Works ou seja: O que é, e se, que ideia e o que funciona.

Esta tabela do curso de Design Thinking oferecido na Coursera pela Universidade da Virginia ilustra bem onde aplicar e onde não aplicar essa metodologia. E assinale-se que esse pessoal carrega muita experiência.

tabela

Está aí mais uma “encrenca” para os educadores.