Errando, Discitur (errando, aprende-se) ou APRENDIZAGEM POR ENSAIO-E-ERRO

27 maio

Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
signorinironey1@gmail.com

Esse tipo de aprendizagem foi primeiramente estudado por Edward Lee Thorndike (1874-1949), psicólogo norte-americano.
De forma objetiva, conceitua-se a aprendizagem por ensaio-e-erro como aquela que almeja a eliminação gradual dos ensaios ou tentativas que levam ao erro e à manutenção daqueles comportamentos que conquistaram o efeito desejado. Como pilares desse tipo de aprendizagem estão a lei do efeito (um ato é alterado pelas suas conseqüências) e a lei do exercício (asseverando que a conexão entre estímulos e respostas é fortalecida pela repetição).

Segundo Thorndike, aprendizagem consiste na formação de ligações (conexões) estímulo-resposta (E-R) que se originam a partir de impulsos diretos para a ação, e não a partir da consciência ou de idéias. Essas conexões são fortalecidas, ou seja, tenderão a se repetir, quando provocam satisfação, ou são enfraquecidas, e  tenderão a não se repetir quando provocam desconforto . Esta conclusão deu origem à Lei do Efeito de Thorndike.


O mundo já conta milhares de anos e ao longo de sua história acumula acertos mas também erros, levando as pessoas a lamentáveis catástrofes, de todas as ordens. Erro e fracasso são irmãos siameses.O estudioso Júlio Groppa Aquino(1) tem opinião própria: “O erro tem sido estudado por teóricos mais alinhados a uma perspectiva psicológica e o fracasso tem sido objeto de enfoques mais educacional e sociológico. Não há fracasso sem erro.  É com o erro que o fantasma do fracasso se insinua.
Não basta possuir caminhos, mais importante é saber quais são os (seus) rumos para evitar um e o outro.”

 

Dia desses, assistindo interessante palestra proferida pelo técnico José Roberto Guimarães (2), para platéia formada por operadores da educação, ele iniciou seu painel destacando a importância do erro e a sua aplicabilidade nos diversos setores, inclusive no dele. Contou que aprendeu muito com a observação de erros da sua equipe e dos adversários também, gerando utilidade em direção para os acertos. E destacou a necessária humildade no trato e análise dos erros ao que acrescento não ser bem o que ocorre no mundo da educação nacional, que não aceita críticas, avessa à discussão da busca do acerto.


E o professor Groppa continua em sua apresentação da coletânea de artigos: “Assim, é possível e desejável que se compreenda o fracasso escolar como uma espécie de efeito cumulativo do erro do aluno, ou, então, este como presságio daquele.

É quase certo que nem sempre a escola atinge plenamente seus objetivos instrucionais, quando os alunos não cumprem com o mínimo esperado. A isso dizemos ser distúrbios de aprendizado.  Mas, será só da parte do aluno e nada quanto à docência, quanto aos conteúdos ? É possível apontar razões para o baixo ou nulo rendimento escolar ?


Se o erro/fracasso é dilema de ordem escolar, é urgente que a instituição se coloque em prova. Se não, pode-se correr o risco do paradoxo ou equívoco, ao considerar unicamente o sucesso pedagógico como resultado do trabalho escolar e o fracasso como um tributo extra-escolar.


Conforme o professor Groppa, o sucesso e o fracasso, como o erro e o êxito pedagógico, devem ser compreendidos como efeitos duplos, e antagônicos, das mesmas relações que os constituíram .


Ao se analisar erro e fracasso existe no bojo da avaliação a busca de explicações e respostas dos operadores da educação, sobretudo considerando o fluxo absurdo de informações, maior estruturador das relações sociais e humanas no mundo globalizado: a internet.

E, vamos ao centro da questão: a escola é o único meio capaz de assegurar a possibilidade dessa missão. Assim, é totalmente consensual que a qualidade esteja em todos os níveis e setores da escola porque não há opções entre ser e ser.


Como o brilhante técnico da seleção brasileira de vôlei, não é hora de passarmos a adotar e considerar  os erros como prática habitual, assim como,
por que a armadora de Cuba tem braços tão longos e uma subida tão rápida ?

Erros e fracassos, êxitos e sucessos têm uma conseqüência uterina com os fazeres educacionais pois o aluno começa analfabeto e vai para a semi-alfabetização. Depois segue pelo Fundamental e Médio aspirando o nível seguinte, tecnológico, graduação ou licenciatura. Nesse itinerário demandam anos e anos perseguindo a formação que pode ter erros e culminar em fracassos sem que os “culpados” por isso revejam ações e comportamentos
que inibiriam, cessariam os desacertos na formulação didático-pedagógica.

 

É hora de humildade, de mea culpa  porque ERRANDO DISCITUR.


(1)Julio Groppa Aquino é o organizador, pela Summus Editorial, de Erro e Fracasso na Escola – Alternativas Teóricas e Práticas.
(2) José Roberto Lages Guimarães (Quintana, 31 de julho de 1954) ou simplesmente Zé Roberto, é um ex-jogador de vôlei e atual técnico da Seleção Brasileira de Voleibol Feminino. Considerado legendário pela Federação Internacional de Voleibol, é o único técnico no mundo campeão olímpico com seleções de ambos os sexos: a seleção masculina em Barcelona 1992 e a seleção feminina em Pequim 2008 e Londres 2012.[1] Único tricampeão olímpico do esporte brasileiro, ele também é formado em Educação Física.