Só um Povo Educado Sabe o que é Melhor para seu País

27 maio

Viva o Brasil, onde o ano inteiro é primeiro de abril.
Millor Fernandes foi um debochado com inteligência genial.

Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
signorinironey1@gmail.com

Não é segredo para ninguém que estamos passando por vários problemas, alguns de grosso calibre. Existe uma crise política, econômica, problemas constantes em relaçãoà segurança, uma enorme desigualdade social e agora, para coroar as mazelas uma possível epidemia do Zika, da Dengue com conseqüências catastróficas, afora o surto de gripe tão ao gosto nessa época do ano.


Por que? Por que o Brasil é tão ferrado? Porque fomos  condenados à esperança ? Por que os países na Europa e América do Norte são prósperos e seguros enquanto o Brasil continua nesses altos e baixos entre crises década sim, década não?

       
Muitas teorias sobre o sistema de governo, sobre o colonialismo, políticas econômicas, etc. não nos levam a uma conclusão. E há quem possa se ofender mas sem  pretender ferir susceptibilidades ou querer chocar, o mais perto de uma verdade nacionalista a que se chega é a de que nós somos o problema, nós somos os culpados.

E é possível afirmar que não é proposital, mas não só somos parte, como estamos perpetuando o problema todos os dias.
Não é só culpa da Dilma ou de quem quer que seja. Não é só culpa dos bancos, da iniciativa privada, do escândalo da Petrobras, os implicados na Lava-Jato, do aumento do dólar ou da desvalorização do Real.
O problema é cultural. São as crenças e a mentalidade que fazem parte desde o descobrimento e são responsáveis pela forma com que os brasileiros escolhem viver as suas vidas e construir uma sociedade.

O problema é tudo aquilo que aceitamos e decidimos aceitar como parte de “ser brasileiro” mesmo que isso não esteja certo.


Nos países mais desenvolvidos o senso de justiça e responsabilidade é mais importante do que qualquer indivíduo. Há uma consciência social onde o todo é mais importante do que o bem-estar de um só. E por ser um dos principais pilares de uma sociedade que funciona, ignorar isso é um desastre de raizes.


E sabe o que é pior? É o evitar bater de frente com os outros. Todo mundo quer ser legal com todo mundo e acaba ou ferrando o outro pelas costas, ou indiretamente só para não gerar confronto.
É sempre mais fácil não confrontar e ser boa praça. Só que onde não existe confronto, não existe progresso.


Quando se recompensa uma pessoa que falhou ou está fazendo algo errado, está se dando a ela um incentivo para nunca precisar melhorar. Na verdade, fazemos com que ela fique sempre contando com a boa vontade de alguém em vez de ensiná-la a ser responsável.


Quando se pune alguém por ser bem resolvido, desencorajamos pessoas talentosas que poderiam criar o progresso e a inovação que o país tanto precisa. De certa forma impedimos que o país saia dessa situação calamitosa em que está e cria-se ainda mais espaço para líderes medíocres e manipuladores se prolongarem no poder.


E assim, criamos uma sociedade que acredita que o único jeito de se dar bem é traindo, mentindo, sendo corrupto, ou nos piores casos, até tirando a vida do outro. O jeitinho brasileiro e o levar vantagem em tudo é bem verde-amarelo.

E aqui vai uma má notícia: não vai melhorar tão cedo. As coisas não vão melhorar nesta década.


O governo não vai conseguir pagar suas dívidas. Os grandes negócios do país pegaram muito dinheiro emprestado quando o dólar estava baixo, lá em 2008-2010 e agora não vão conseguir pagar já que as dívidas dobraram de tamanho. Muitos vão falir por causa disso nos próximos anos e isso vai piorar a crise.


O preço das commodities estão extremamente baixos e não apresentam nenhum sinal de aumento num futuro próximo, isso significa menos dinheiro entrando no país. A população não é do tipo que poupa e sim, que se endivida. As taxas de desemprego estão aumentando, assim como os impostos que estrangulam a produtividade da classe trabalhadora.


Estamos sem chão. Tirar a Dilma e anexados não vai adiantar. Os erros já foram cometidos anos atrás e agora teremos de viver com isso por um tempo.

Devemos nos preparar pois no mínimo, foram de 5-10 anos de oportunidades perdidas.

É a mesma velha história, só muda a década. A democracia não resolveu o problema. Uma moeda forte não resolveu o problema. Tirar milhares de pessoa da pobreza não resolveu o problema. O problema persiste. E persiste porque ele está na mentalidade das pessoas. Muita coisa mudou, menos o brasileiro, o primeiro que deveria ter mudado.


O “jeitinho brasileiro” precisa morrer. Essa vaidade, essa mania de dizer que o Brasil sempre foi assim e não tem mais jeito também precisa morrer. E a única forma de acabar com tudo isso é se cada brasileiro decidir matar isso dentro de si mesmo. Ou seja, promover uma revolução interna. Ela precisa ser resultado de uma vontade que invade o coração e a alma.


É preciso escolher ver as coisas de um jeito novo. Definir novos padrões e expectativas para si e para os outros. Exigir que seu tempo seja respeitado. Esperar das pessoas à volta que elas sejam responsabilizadas pelas próprias ações. Priorizar uma sociedade forte e segura acima de todo e qualquer interesse pessoal, da família e amigos. Deixar que cada um lide com os seus próprios problemas, não esperar que ninguém seja obrigado a lidar com os seus.

Tais escolhas precisam ser feitas diariamente. Mas, até que essa revolução interna aconteça, devemos temer o destino, seja repetir os mesmos erros por muitas outras gerações que estão por vir.


O Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade. Uma combinação mal engendrada de contradições que envergonham.


Ultimamente, dezenas de organizações estão surgindo (veja www.change.org) nas redes sociais para tentar aglutinar e já estão mudando cada vez mais o cenário político, influenciando no comportamento dos governantes pois certamente o sistema eleitoral está totalmente errado. Atingimos perto de 50 partidos políticos e poucos ou nenhum têm plataformas distintas, com cartilhas obsoletas a esbanjar prepotência.


Há uma barafunda social instalada para o país jovem mas multifacetado como o nosso e todos sabemos quais são os problemas porque parece inexistir o interesse público senão a busca do poder.

Liberais, de esquerda ou de direita, centristas, reacionários ou revolucionários, todos se julgando defensores do Estado, acreditado que vão consertar o mundo mas a todos, em todos, só prevalece o desejo de poder.


O assunto, mais bem tratado, interessa a sociólogos e antropólogos que estão devendo participação no atual processo e a população, distante, só reclama inexistindo mecanismos para observar o Congresso, o Executivo e porque não também o Judiciário.


Já afirmamos e ora insistimos: sem educação não há saída. Só ela pode elevar os juízos de valores, a axiologia em últimas consequências