Atraso e Estagnação Colidem com Inovação

3 jul

Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
signorinironey1@gmail.com

Nada é mais pertencente, como conteúdo e continente, do que inovação em educação, sem a qual o conhecimento perece e fenece.

Enquanto muitos anseios não passam de ilusões travestidas de perspectivas, é imperativo saber que o ponto terminal das ilusões será sempre a decepção. Para os crédulos, dominados por esperanças, mas não para os céticos, a inovação decorre de discursos, mas não de efetivas iniciativas da conversão de pesquisa em resultados, precípuos.

Buscando um socorro em Houaiss:
Inovador : tornar novo; renovar, restaurar, que ou o que inova; novador.

Inovar : introduzir novidade; fazer algo como não era feito antes.
Inovação : ação ou efeito de inovar; aquilo que é novo, coisa nova, novidade;
qualquer elemento ou construção que surge numa língua, e que não havia numa fase mais antiga ou na língua-mãe ( o neologismo )
Assim, a provocação léxica ou semântica é perturbadora a identificar-se o que de novo realmente existe na progressão histórica nas ações educativas dos séculos.

Em seu discurso de posse como ministro da Educação, que ora está deixando a pasta, disse: “Devemos nos contentar com programas incrementais ou devemos ousar, inovar e dar salto de qualidade? Temos de dar o salto. A hora é agora”.
Dois anos depois, de fato, restaram programas incrementais e melhoria na execução de projetos, porém herdados. Não houve ações estruturantes que atacassem os grandes gargalos, como a baixa qualidade do ensino médio ou a baixa atratividade do magistério. Foi um “copia e cola” em muitas das ações dos antecessores.

Conforme Rogério Cerqueira Leite, “A partir do surgimento, talvez em Bolonha (Itália), a instituição que hoje chamamos de universidade teve uma missão monolítica: gerar e difundir conhecimento. Embora ainda haja equívocos quanto à sua missão, um grande progresso foi alcançado quanto à compreensão da sua importância para a civilização.
Após anos de proselitismo, parece que algumas verdades finalmente se tornaram autoevidentes. Hoje todos reconhecem que sem capacitação tecnológica não há desenvolvimento econômico e que sem atividade de pesquisa em ciência não há inovação. Por conclusão, sem universidades de qualidade não há desenvolvimento econômico e social. “

Se inovação é o mote do dia, busquemos mais com as colocações a seguir.

O que precisamos fazer para sair do imobilismo ?
Imobilismo é medo. Medo dos desafios pois acostumou-se às zonas de conforto nas décadas de 80-90 e até 2000. Senão também, incapacitados de pensar em caminhos diferentes, criar alternativas, ter ideias que inovem e gerem resultados. Com tais bloqueios perde-se grandes oportunidades.
Conforme Marcos Cintra, “no Brasil não temos a cultura de desinibir a capacidade criativa pois as regras sociais são restritivas, como o medo de errar, que destacam a concordância e a acomodação, em vez da ousadia e da descoberta pelo novo.”

Ultimamente, a mídia resolveu adotar a pauta da inovação tecnológica estabelecendo um colar de tags, preponderando as palavras investimento, tecnologia e empreendedorismo, consagrando a esse tripé a condição de sustentação da evolução, da inovação e de forças capazes de alavancar o futuro nacional.

É preciso pensar diferente: inovação é sobretudo criar ideias que geram resultados. Refletir sobre a capacidade inovadora, potencial inerente a todo ser humano, é oportunidade para destacar a criatividade que precisa somente ser provocada para se manifestar. Estas são, dentre outras, as condições para um processo criativo desenvolvido no CPSI_Creative Problem Solving Institute, fundação ligada à universidade de Bufallo. Ali, por mais de 30 anos, aplica-se no mundo corporativo uma metodologia permissionária de incontáveis soluções criativas e a identificação de oportunidades de negócios. É a busca pela inovação como diferencial competitivo.

O mundo é movido pelas ideias, consequência da capacidade criativa das pessoas que podem ou não gerar inovação. Ideias, criatividade e inovação mudam o mundo.

Onde e quando nasce uma (nova)ideia ?
Quem vende e quem compra a (nova)ideia ?
Quanto custa uma (nova)ideia ?

Empresas desconhecem que a pesquisa em universidade é alternativa para agregarem tecnologia em produtos e processos, daí a ausência de investimentos na área educacional.

Como tudo que é grande começa pequeno, à escola urge empregar muitas forças para o estímulo da pesquisa, a partir das tradicionais Semana de Ciências, Iniciação Científica, Projetos Experimentais, etc. etc., com grande possibilidade de desaguar nas pós-graduações que hoje, embora com números expressivos, ainda não atende a inovação tecnológica diante da timidez de nossas empresas, para as quais, parece, é mais barato comprar pronto.

Temos uma produção científica apreciável, perto de 10 mil por ano, de mestres e doutores, permitindo a 12a. posição mundial, mas, a maioria continua nas universidades e não na indústria, onde poderiam servir de alavanca desenvolvimentista.

Pesquisa & Desenvolvimento(P & D).
Apenas 8 empresas nacionais(Vale, Petrobras, Embraer, Totvs, CPFL Energia, WEG, Brasken e Itautec) estão no seleto grupo de 2 mil de capital aberto que mais investiram em P&D no ano de 2012. Destaque-se, entretanto, que atuam muito pela “inovação aberta”, ou seja, concorrentes querendo desenvolver algum tipo de tecnologia mais básica, em conjunto, compartilhando resultados.
Quanto à “inovação de ruptura”, a que quebra paradigmas estabelecidos, está relacionada à criação de produtos e processos, voltadas para o futuro, quando a empresa pode mais facilmente criar algo de fato novo no campo de atuação.
A grande realidade, porém, é que para boa parte das empresas nacionais

falta um olhar para fora e com isso dar sustentação aos investimentos em P&D e assim enxergar as condições competitivas. O ruim é que só inovam quando estão perdendo mercado ou porque têm custo de produção mais alto.