Criatividade ao seu dispor

3 jul

Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
signorinironey1@gmail.com

“É melhor três horas adiantado que um minuto atrasado”.
Shakespeare

Avoluma-se a literatura sobre criatividade e a cada dia outros enfoques, novos enfoques colocando leitores da mídia diária ou de livros, temas multifacetados sobre o assunto.

Neste mesmo espaço já desfilaram excelentes contribuições mostrando alto grau de visitação aos artigos embora nem todos falassem especialmente de criatividade no mundo da educação.

Iniciativas isoladas pelo país são exercidas muita timidamente, sem um norte magnético a orientar os desejosos do conhecimento ou à prática nas suas searas, essa que se tornou o grande diferencial, a novidade pouco explorada por estas terras.

No mundo todo o tema domina as rodas populares até as mais intelectualizadas, e não é de hoje.

Estudos recentes examinaram a extensão em que diferentes aspectos relativos à criatividade têm sido estimulados no contexto universitário, bem como a percepção, por parte de universitários, do nível de sua criatividade, de seus colegas e professores. Centenas de estudantes de universidades pública e particular participaram de um estudo, respondendo a um inventário de incentivo à criatividade. Os resultados apontam o pouco incentivo a distintos aspectos da criatividade por parte de professores universitários, observando-se também que os universitários julgaram-se e a seus colegas como significativamente mais criativos do que os seus professores. Por conseqüência tudo aponta para a necessidade de maior atenção à expressão da criatividade no contexto universitário.
Uma análise das pesquisas sobre criatividade no contexto educacional indica que a grande
maioria dos estudos tem sido realizada com amostras de professores e alunos do primeiro grau e em menor escala com alunos do segundo grau, existindo uma enorme carência de pesquisas nesta área com amostras de estudantes/professores universitários. Os estudos no contexto universitário têm se restringido sobretudo à investigação de métodos e técnicas voltados para o desenvolvimento de habilidades criativas mas não saem disso:
(a) os efeitos de um programa semestral na estimulação deliberada da criatividade;
(b) os efeitos nas habilidades criativas de um curso programado, utilizado independentemente ou com instrutores;
(c) a efetividade de diferentes estratégias de resolução criativa de problemas.

 

Há ainda alguns poucos estudos apontando a necessidade de se cultivar as habilidades criativas de universitários para chamar a atenção para a relevância da criatividade no contexto universitário e apontar maneiras de cultivá-la.

Nesse particular, várias questões são discutidas especialmente com relação ao conhecimento e desenvolvimento do potencial para o trabalho criativo e maneiras de se facilitar a expressão da energia criativa do universitário.

Pesquisas relativas à extensão em que as habilidades criativas de estudantes universitários têm sido estimuladas pelo sistema e a percepção que os estudantes universitários têm de suas próprias habilidades criativas, de seus colegas e professores não são encontradas em termos de aplicabilidade.
O que tem sido mais destacado na literatura é a responsabilidade da educação no desenvolvimento das habilidades criativas em todos os níveis de ensino, bem como a necessidade de um planejamento deliberado pelo sistema educacional para a aplicação de tais habilidades. Mas, também não saímos de hipóteses e idéias sem uma realidade concreta de implantação. Ações, por assim dizer. Somos useiros em não ir pra frente. Por hábito e cultura aguardamos que alguém experimente antes. Depois copiamos, ou não.

No Brasil, também ressalta o pouco incentivo à criatividade na universidade. É no terceiro grau onde menos ou nada se fala e pensa em criatividade. Excetuando-se as escolas e/ou departamentos de artes, parece que os demais professores têm muito mais o que fazer do que se preocupar com a imaginação, fantasia e criação, lembrando que é necessário que o professor universitário ultrapasse o papel de conservador e transmissor, para o de inovador, produtor, criador. Difícil ou impossível dada a impermeabilidade do corporativismo com o qual se espera “sucesso” mundial(?).

Chama a atenção o fato de que, de modo geral, os estudantes universitários consideram que há pouco incentivo a distintos aspectos da criatividade por parte de seus professores. Tais resultados também chamam a atenção para o baixo interesse pelo desenvolvimento da criatividade por parte do corpo docente universitário. Novamente a negativa do avanço mas a permanência , a reação e oposição à zona de conforto.

Por outro lado, na universidade, a tendência é dar maior incentivo ao estudo independente, a exigir do aluno maior iniciativa, a se fazer uso de formas de avaliação que não aquelas que exigem apenas a reprodução do conteúdo dado em classe ou contido nos livros-textos, aspecto este mais evidente para os alunos dos primeiros semestres de sua formação universitária.

Não se pode esperar diferentes resultados à escala de incentivo à criatividade entre estudantes da área de Exatas e Humanas

Uma constatação é certa: se o indivíduo se percebe e se avalia como competente, capaz e criativo, ele tende a ter mais confiança em expressar idéias e em exibir comportamento criativo. Por outro lado, se o indivíduo se percebe como incapaz e não criativo, esta percepção irá refletir em suas ações, limitando as possibilidades de uma expressão mais plena de seu potencial e talento.

Na minha trajetória educacional, o fato que sempre observei e destaco é que os universitários percebem, de modo geral, os seus professores como pouco ou muito pouco criativos, é pouca a ênfase que se dá à criatividade por parte dos professores universitários. Estes estariam mais preocupados com o seu papel de transmissor de informação, a perseguir um conteúdo programático “pré” do que a fazer brotar sua criatividade pessoal. Assim, “allons enfant” com o cálcio e o gesso do encamisamento. Triste !

Consideramos de relevância maior, neste início de milênio, que o professor universitário esteja mais atento ao desenvolvimento da capacidade do futuro profissional de pensar de forma criativa e inovadora, algo indispensável neste momento da História marcado pela mudança, pela incerteza, por um progresso sem precedentes, e por uma necessidade permanente do exercício da própria capacidade de pensar. Isto indubitavelmente está a exigir novas práticas de ensino, constituindo-se no desafio aos educadores de passarem a exercer o papel de catalisadores do potencial criativo de cada aluno. Esta nova postura certamente resultaria em um menor desperdício de talento e potencial humano, como vem ocorrendo em conseqüência das possibilidades limitadas oferecidas ao desenvolvimento e expressão da criatividade no ambiente universitário. Mas… de onde, como, quando? A pergunta que não tem resposta é quanto a universidade vem contribuindo para a solução da adoção de inovação e criatividade como uma saída para escapar da crise.

Todas essas considerações podem se perder no horizonte diário, habitual e costumeiro dos fazeres escolares, no recinto dedicado ao aprendizado se de ponta a ponta não se apropriar das necessidades urgenciais que nos batem à porta da planetização.

O brilhante publicitário Nizan Guanaes tem opinião própria sobre o dual “crise e criatividade:”

“A crise não diminui a criatividade das pessoas, aumenta. A dificuldade sempre foi a mãe da invenção. As coisas estão sempre evoluindo. Mas agora evoluem mais rápido. A reinvenção empresarial e humana deve ser permanente. O que impulsiona a economia de mercado é a competição, e toda empresa precisa responder às mudanças do mercado para seguir viva e competitiva.” Digo eu, criativamente.

As vendas podem ter diminuído, o crédito pode ter sumido, o caixa pode estar estressado. Mas tem algo que segue disponível e até estimulado pelo ambiente: a criatividade humana. É hora de acessá-la. Sairá melhor da crise quem souber usar o tempo da crise para evoluir.

Ter ideias inovadoras em meio a um ambiente estressante pode ser complicado, mas com algumas dicas é possível superar os obstáculos.

Inovação é um termo cada vez mais valorizado no ambiente de trabalho, afinal diante de um mercado competitivo em que, apesar de extenso planejamento, aparecem imprevistos, é necessário pensar em soluções rápidas e criativas para restabelecer vantagens e conquistar resultados positivos.
Em momentos de estresse e pressão, é comum se encontrar dificuldades num processo de brainstorming e ser inovador é exigência até mesmo nos momentos de crise.

Algumas sugestões podem driblar condições:

1 – Encarar os problemas como oportunidades
É claro que, durante períodos de inquietação e nervosismo, torna-se mais fácil identificar mais problemas do que saídas. Porém, vetar todas as ideias sugeridas só porque elas não se encaixam perfeitamente na atual conjuntura pode impossibilitar a resolução destas questões. Por isso, em vez de dizer “não” logo de cara, tente imaginar o que seria necessário fazer para que esse plano dê certo e, assim, refletir sobre a viabilidade de implantá-la. Encarando desta forma, o que antes era um empecilho pode se tornar uma oportunidade.

2 – Pensar sobre o que se tem à disposição
Não tente encontrar soluções apenas utilizando os bens que já lhe pertencem. Amplie o seu leque de possibilidades e considere outros artifícios que podem ser acessados. Sejam programas, projetos ou até mesmo pessoas com as quais já se trabalhou, estes são os elementos que podem fazer a diferença tanto no momento de reflexão quanto na própria execução das ideias.

3 – Desafiar-se
A princípio, pode parecer uma má ideia, uma vez que você já está num contexto bastante enervante no trabalho. Porém, ao propor questões aparentemente impossíveis, você obriga sua mente a pensar fora dos padrões justamente porque eles mexem com suas ambições de crescimento e sucesso profissional, ou seja, você se vê motivado a atingir seus objetivos. Por isso, não hesite em se desafiar para resolver problemas corporativos.

 4 – Estabeleça limites
Às vezes, ter muito tempo e recursos prejudicam a qualidade do brainstorming nessas situações. Quando perceber que este é o caso, proponha prazos e outros limites que possam servir como motivação para si e seus colegas tomarem estas decisões e apresentarem resultados. Ao se sentir muito pressionado, pode-se estabelecer essas barreiras criando uma rotina, isto é, todo dia, durante alguns minutos, parar e pensar sobre o assunto. Estas medidas, embora pareçam, no primeiro momento, pouco eficientes, podem trazer progresso mais rapidamente.