Competências imprescindíveis exigidas por antecipação

13 maio

Em tudo que fazemos é imprescindível ter coragem
para se mudar e competência para ser a diferença
Benicio Annunzeck

Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
signorinironey1@gmail.com

Ultimamente temos lido e ouvido que os futurólogos, ansiosos por pisar no chão dos fatos relacionados a um tempo que há de vir, seja amanhã, semana que vem ou próximo mês, quem sabe o ano seguinte e por distante 2020 começaram a “desenhar” as competências exigíveis para uma geração que pretende o mercado de trabalho.

Situação um tanto incômoda quando há tantas incertezas nos horizontes educacionais, a partir de uma reforma educativa no ensino médio, troca ou substituição de disciplinas e conteúdos, regime parcial e/ou integral, proposta de conclusão no modo técnico, etc. etc. Variáveis incontroláveis postas no cenário quando sequer sabemos do (in)sucesso do nosso PNE-Plano Nacional de Educação, decenal com início atrasadamente em 2014 mas com final em 2024 sendo que em 2017 já terão passados 3 anos e a carruagem continua onde começou, na estaca zero, sequer atrelada com uma parelha.

Interessante notar que a cenarização do que vem pela frente, “estabelecido” pelos Profetas da Educação que não são brasileiros mas todos integrantes do Fórum Econômico Mundial(Odisseia de Homero e as sereias)[2], por certo alheios ao nosso presente, não considerados todos os infortúnios que atravessamos no país. Thomas Morus também responde “presente” dentre os que estão na sala das utopias.

O Universia Brasil esbanja alegrias num palco nacional de desolações em sua fonte Shutterstock, passeando num tapete voador, alegando que não tem jeito porque para se dar bem no ambiente corporativo de 2020 é preciso pensar dois passos à frente (um não basta). Em geral, os que se destacam em suas carreiras são aqueles que vislumbram o futuro e já se preparam para ele. O ano 2020 pode soar um pouco distante, mas já sabemos (ou deveríamos saber) de algumas competências que serão essenciais – e muito requisitadas,
não necessariamente encontradas junto à geração “Z”. Mas as sereias continuam cantando ao longo das praias brasileiras.

Por exemplo, com a tecnologia cada vez mais se superando, é esperado mudanças em vários âmbitos da sociedade, entre eles, a educação. Por essa razão, uma das principais competências será o domínio das novas mídias. Porém, não se trata apenas de saber mexer nas ferramentas e sim saber analisá-las de maneira crítica, avaliar sua credibilidade e ir além do que é mostrado.

Será essencial dominar os processos e sistemas, por mais difícil que pareça, que envolvem códigos de computador e programação. Exatamente, mais do que saber utilizar as máquinas, será preciso saber como elas funcionam e como resolver possíveis problemas que podem aparecer durante seu uso. Profissionais que entendam de computação além do básico para ser usuário serão cada vez mais solicitados.

Parece estranho quando comparado às outras competências, porém, um dos principais pedidos será nada mais, nada menos do que empatia e inteligência emocional. Questões envolvendo ética estarão cada vez mais presentes no dia a dia e, junto ao pensamento crítico, a empatia será necessária na hora de tomar as melhores decisões.

Não há como se negar as mudanças que vêm ocorrendo no mundo. Elas continuarão e aqueles que souberem dominá-las e entenderem serão os que obterão mais sucesso tanto socialmente quanto profissionalmente. Aos educadores, cabe a tarefa e a responsabilidade de debater e ensinar tais habilidades a seus alunos, afinal, antes de profissionais, estamos formando também seres humanos. Mas vejamos o que por ora o mandala[1] contém:

 Nos próximos, mudanças socioeconômicas, geopolíticas e demográficas terão impacto direto no mercado de trabalho seja no surgimento ou desaparecimento de novas profissões ou na demanda por novas competências. É o que concluiu o relatório “The Future of Jobs” produzido pelo Fórum Econômico Mundial
(janeiro 2016), que afirma que as mudanças são justificadas no contexto da chamada Quarta Revolução Industrial formada pela era da robótica avançada, inteligência artificial, automação no transporte e aprendizagem automática.

Os setores mais afetados desde já pelas novas exigências do mercado são de mídia e entretenimento, consumo, saúde e energia, segundo o relatório. No entanto, as áreas de finanças, infraestrutura e mobilidade deverão sofrer transformações mais profundas nos próximos anos. Confira quais as competências que todo profissional precisar dominar até 2020, segundo o Fórum Econômico Mundial.
1 – Resolução de problemas complexos
Tal habilidade já foi prevista como a mais requisitada para 2015 e volta a aparecer em primeiro lugar no ranking de previsões para 2020. Nos próximos anos, 36% das atividades em todos os segmentos da economia deverão exigir a habilidade de solucionar problemas complexos.

2- Pensamento crítico
No relatório, o pensamento crítico é descrito como o uso da lógica e da razão para detectar forças e fraquezas de soluções alternativas, conclusões e abordagens a problemas. O profissional que apresentar a habilidade de se comunicar claramente, de fazer as perguntas certas e de analisar um problema sob diferentes perspectivas, tem grandes chances de se destacar.

3-Criatividade
Os robôs perdem para as pessoas em criatividade. Os profissionais criativos terão a chance de se beneficiar desde cenários de rápidas mudanças em produtos, tecnologias e modos de trabalho. Criatividade ficou em 10ª da lista de previsões das demandas de mercado para 2015, agora faz parte das três competências mais valorizadas até 2020.

4 – Gestão de Pessoas
O papel fundamental do gestor de pessoas é motivar, desenvolver pessoas e identificar talentos. Essa habilidade é vista como destaque até 2020 nos setores de energia e de mídia.

5 – Coordenação
Para quem atua em cargos de liderança, a coordenação, trata-se de uma competência crítica. Aspectos ligados à colaboração e facilitação de processos são as principais qualidades que especialistas apostam como obrigatórias nos gestores do futuro.

6 – Inteligência Emocional
A gestão das emoções é fundamental aos profissionais, uma vez que a inteligência artificial passa longe dos aspectos da inteligência emocional. Entre as características do profissional que tem inteligência emocional estão: saber ouvir, estar disposto à ajudar e ter autocontrole das próprias emoções.  

7 – Capacidade de julgamento e de tomada de decisão
Profissionais hábeis em analisar dados e tomar decisões se destacam no mercado de trabalho e tendem a ser ainda mais valorizados até 2020. A habilidade foi a oitava mais demandada na lista de previsões para 2015 e subiu para a sétima posição do ranking. Um bom líder é aquele que saberá tomar as decisões certas em ambientes de alta complexidade.

8 – Orientação para servir
A dedicação em ajudar os outros perdeu uma posição no ranking das habilidades com mais demandas do mercado de 2015 para 2020. Porém, ainda é vista como uma competência indispensável ao trabalho em equipe.

9 – Negociação
A habilidade de negociação é importante para todos os profissionais. Mas o relatório destaca os setores de computação, matemática, artes e design como os que mais vão exigir bons profissionais negociadores até 2020.

10 – Flexibilidade cognitiva
A flexibilidade cognitiva é a capacidade de desenvolver ou usar diferentes conjuntos de regras para combinar as coisas de diferentes maneiras. Os setores que mais vão exigir essa capacidade são bens de consumo, comunicação e tecnologia da informação.
[1] Diagrama composto de formas geométricas concêntricas, utilizado no hinduísmo, no budismo, nas práticas psicofísicas da ioga e no tantrismo como objeto ritualístico e ponto focal para meditação. Segundo a teoria junguiana, círculo mágico que representa simbolicamente a luta pela unidade total do eu.

[2]O livro “Odisséia” é um dos textos mais fantásticos já escritos. Ele faz parte de um conjunto de narrativas feitas por Homero.

A Odisséia conta a história de Ulisses que era rei da ilha de Ítaca e se juntou a outros gregos na guerra contra Troia, mas depois que eles vencem a guerra, Ulisses e seus homens acabaram passando incríveis aventuras tentando voltar pra casa navegando pelo Mediterrâneo.
Passando próximos à ilha, Ulisses ouviu as Sereias e gritava desesperadamente para ser desamarrado, mas seus homens não o ouviam, como não ouviam as sereias que encantavam Ulisses que foi capaz de ouvir o canto e sobreviver.