Na Suíça não tem só Banco. Tem muita inteligência também

13 jun

“Bons professores ensinam. Excelentes professores transformam”.
Rainha Rania da Jordânia durante o debate
The Global Development Outlook, em Davos, que discutiu as
prioridades para o desenvolvimento mundial, em 2016.

Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
signorinironey1@gmail.com

Davos é uma pequena joia incrustada nos Alpes da Suíça, país que faz fronteira com a França, Alemanha, Áustria, Itália e Liechtenstein, com cerca de 20 mil habitantes e cuja língua oficial é o alemão.
Situada junto a um lago homônimo, é um prestigiado centro de desportos de inverno onde todos os anos acontece o Fórum Econômico Mundial ou FEM.

O Fórum é uma organização sem fins lucrativos baseada em Genebra, é mais conhecido por suas reuniões anuais em Davos nas quais agrupa os principais líderes empresariais e políticos, assim como intelectuais e jornalistas selecionados para discutir as questões mais urgentes enfrentadas mundialmente, incluindo saúde, educação e meio-ambiente.
O FEM foi fundado em 1971 por Klaus M. Schwab, um professor de administração na Suíça. Além das reuniões, o Fórum produz vários relatórios de pesquisa e engaja seus membros em iniciativas setoriais específicas.

Sediado em Cologny, Genebra, Suíça,.em 2006, o Fórum é uma organização imparcial e sem fins lucrativos não estando ligada a qualquer interesse político, partidário e nacional. Tem posição de observador no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas e está sob a supervisão do Conselho Federal suíço. Sua mais alta esfera de governança é o Conselho da Fundação, órgão formado por 22 membros que incluem expoentes mundiais. A missão do Fórum é “o compromisso com a melhoria do Estado do Mundo.”

Durante suas reuniões anuais, no decorrer de cinco dias, cerca de 75% dos participantes são líderes de negócios, provenientes, principalmente, dos membros do Fórum – mil das principais companhias de todo o mundo e atuantes em diversos setores econômicos.

Hoje, mais de 2 mil CEOs e Presidentes de conselhos de administração das principais empresas do mundo participam do evento.

Outras importantes categorias de participantes incluem: figuras públicas, como chefes de estado ou de governo, ministros, dirigentes ou executivos seniores de organizações internacionais e embaixadores. Centenas de participantes da sociedade civil incluindo dirigentes ou representantes de organizações não-governamentais, líderes da mídia, acadêmicos, líderes religiosos de diferentes crenças e líderes sindicais. Ou seja, inexiste no planeta encontro que reúna gente de tão alto calibre.

O Fórum é financiado por suas mil empresas-membro. A típica empresa-membro é uma instituição global com mais de cinco bilhões de dólares em receitas (embora esse número possa variar por indústria e região). Além disso, essas companhias se classificam entre as principais dentro de sua indústria e/ou país de origem e são formadoras de tendências em sua indústria e/ou região. Cada empresa-membro contribui com uma taxa de associação anual básica e uma taxa para a Reunião Anual (que cobre a participação de seu CEO na Reunião Anual em Davos). Parceiros Estratégicos e de segmentos específicos também contribuem. A afiliação a esses programas permite à empresas uma maior participação nas iniciativas do Fórum.
Parceiros de segmentos específicos são oriundos de uma ampla gama de setores de negócios, incluindo construção, aviação, tecnologia, turismo, alimentos e bebidas, engenharia e serviços financeiros. Essas empresas estão alertas às questões globais que mais afetam o setor específico da sua indústria.

O carro-chefe do Fórum é a Reunião Anual realizada em Davos num resort nos Alpes Suíços, todos os anos, no final de Janeiro..A participação na Reunião Anual se dá apenas por meio de convite. Aproximadamente 3 mil participantes se reúnem para um evento de cinco dias e participam de cerca de centenas de seções do programa oficial. As discussões focam questões essenciais de preocupação global (como conflitos internacionais, pobreza, e problemas ambientais) e as possíveis soluções. No geral, centenas de jornalistas incluindo a imprensa on-line, impressa, rádio e TV participam da Reunião Anual. A mídia tem acesso a todas as seções no programa oficial, algumas das quais também são transmitidas via webcast.

Todos os debates plenários, originados em Davos, estão também disponíveis no YouTube, com fotos disponíveis gratuitamente no Flickr e as citações principais podem ser encontradas no Twitter. Em 2007, o Fórum abriu páginas em plataformas de mídia social como MySpace e Facebook..Na Reunião Anual de 2009, o Fórum convidou o público em geral para participar dos Debates de Davos no YouTube permitindo que um usuário participe pessoalmente da Reunião Anual. Em 2008, a pergunta de Davos no YouTube permitiu que usuários interagissem com os líderes mundiais reunidos em Davos, os quais foram encorajados a responder as perguntas dos internautas em um Espaço de Vídeo operado pelo YouTube no centro de convenções onde o evento é realizado..Desde 2008, as conferências de imprensa são transmitidas ao vivo no Qik e Mogulus permitindo a todos que façam perguntas aos oradores. Em 2006 e 2007, participantes selecionados foram entrevistados e a sessão fechada foi realizada no auditório da Reuters no Second Life.

Em 2008, cerca de 250 figuras públicas que ao todo formam 350.000, entre políticos (chefes de estado ou de governo, ministros, embaixadores, dirigentes ou executivos seniores de organizações internacionais) participaram da Reunião Anual. Os participantes foram descritos como “Davos Man” [Homens de Davos] por Samuel P. Huntington, se referindo a elite global cujos membros se consideram como completamente internacionais.

Em 1971, Klaus M. Schwab, então Professor de política empresarial na Universidade de Genebra, convidou 444 executivos de empresas da Europa Ocidental para o primeiro Simpósio Europeu de Gestão realizado no Centro de Convenções de Davos que havia sido recentemente construído. Sob o patrocínio da Comissão Europeia e das associações industriais europeias, Schwab tinha o objetivo de introduzir as empresas europeias nas práticas de gestão dos EUA.
Schwab desenvolveu a teoria da abordagem”stakeholder” de gestão que é baseada no sucesso corporativo de gestores levando em considerações todos os interesses: não apenas de acionistas, clientes e consumidores, mas também colaboradores e as comunidades onde a empresa está situada, incluindo governos..Eventos em 1973, como o colapso do mecanismo de taxa de câmbio fixo de Bretton Woods e a Guerra Árabe-Israelense levaram a reunião anual a expandir seu foco de questões ligadas a gestão para temas econômicos e sociais. Assim, líderes políticos foram convidados pela primeira vez para Davos em janeiro de 1974.

O nome do Fórum de Gestão Europeu foi alterado para World Economic Forum em 1987 e ampliou sua visão para fornecer uma plataforma para resolver conflitos internacionais. Diversos líderes políticos já utilizaram a reunião de Davos como uma plataforma neutra para resolver suas diferenças. A “Declaração de Davos” foi assinada em 1988 pela Grécia e Turquia que estavam prestes a entrar em guerra. Em 1992, o Presidente Sul-Africano, Frederik Willem de Klerk se reuniu com Nelson Mandela e o Chefe Mangosuthu Buthelezi durante a Reunião Anual, para sua primeira aparição conjunta fora da África do Sul. Durante a Reunião Anual de 1994, o Ministro de relações exteriores Israelense, Shimon Peres e o Líder da OLP, Yasser Arafat chegaram a um acordo sobre Gaza e Jericó. Em 2008, Bill Gates foi o orador principal em uma palestra sobre o ‘Capitalismo Criativo‘ a forma de capitalismo que funciona tanto para gerar lucro, como para resolver injustiças no mundo, usando as forças do mercado para suprir melhor as necessidades dos pobres.

Mas, Davos não é isenta de críticas e apupos.
No final dos anos 1990, o Fórum assim como o G7, o Banco Mundial, a OMC e o FMI sofrem fortes críticas de ativistas antiglobalização que alegam que o capitalismo e a globalização estão aumentando a pobreza e destruindo o meio-ambiente. Cerca de 1.500 manifestantes tumultuaram o World Economic Forum em Melbourne, Austrália, ao impedir a entrada de 200 participantes na reunião. Manifestações são freqüentes em Davos protestando contra os “ricaços na neve” como batizados pelo cantor Bono. Em Janeiro de 2000, cerca de mil pessoas protestaram contra Davos. As medidas rígidas de segurança em Davos têm mantido os manifestantes afastados do resort nos Alpes e a maior parte das manifestações agora são realizadas principalmente em Zurique, Berna ou Basileia. Os custos com as medidas de segurança – que são compartilhados pelo Fórum e as autoridades nacionais e municipais suíças – têm sido freqüentemente criticados pela mídia nacional suíça.

A partir da Reunião Anual de janeiro de 2003 em Davos, um Fórum Aberto de Davos foi realizado em paralelo com a Reunião Anual abrindo o debate sobre a globalização para o público em geral. O Fórum Aberto tem sido realizado todos os anos em escolas secundárias com a participação de líderes políticos e de negócios. O encontro é aberto e sua participação é gratuita para todos os membros do público.

A Reunião Anual foi descrita como uma “mistura de pompa e banalidade” e criticada por se afastar de assuntos econômicos sérios e obter poucos resultados, particularmente com o envolvimento de ONGs que tem pouca ou nenhuma experiência, com assuntos econômicos. Ao invés de uma discussão sobre a economia mundial com especialistas reconhecidos nos negócios principais e representantes políticos, a reunião em Davos agora foca causas políticas atuais em destaque na mídia (como mudanças climáticas globais e AIDS na África).

Para 2017 o principal tema em discussão foi ‘Novos Começos: Fazendo uma Diferença’, composto por debates de diversos assuntos. Entre os econômicos, destacaram-se o impacto da globalização em mercados emergentes, a regulamentação dos mercados financeiros e as novas tecnologias. As 12 áreas de discussão do fórum foram:

– ‘Mudando o mundo como nós o conhecemos’
– Meio ambiente
– Educação
– Sociedade de valores
– A economia com a Internet/novas tecnologias
– Redefinição do papel dos negócios, governo e sociedades civis
– A paz no século 21 e conflitos civis
– A revolução ‘G’ (genes e genoma)