O Fracasso e o Sucesso ou à Procura dos Culpados

22 out

Não há problema que não possa ser reparado, diante do
reconhecimento do erro que o parturiu”. Robison Sá

Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
signorinironey1@gmail.com

Dizem que o fracasso e o sucesso são irmãos que nunca se conheceram, frente a frente. Nunca um viu o rosto do outro.

Estão sempre juntos, justapostos, um dando as costas para o outro, mas os dois vivem falando e falando alto, embora um não escute ao outro..

Pasme, o fracasso é uma das condições mais confortáveis que a espécie humana inventou, é agradável porque tira toda a responsabilidade das costas do indivíduo, um peso enorme.

O fracasso é super confortável porque nos faz parar de lutar. No momento em que se para de lutar vem a tranquilidade. Enquanto o fracasso é um quarto confortável, o sucesso é um quadro desafiador. Um fracassado nunca conta histórias.
O fracasso é uma condição que agrada a maioria das pessoas, por incrível que pareça. Por isso tanta gente “gosta” do fracasso. Por isso tanta gente fica no fracasso sem querer atingir o sucesso. Afinal, sucesso acontece com a intenção do propósito.

Na educação, onde começa e onde termina o fracasso? Por igual, há os “culpados”, onde começa e onde termina o sucesso, do docente que se propõe a ensinar e também do discente, que se dispôs a aprender?

Robison Sá[1] tem uma visão clara do cenário: Quanto mais refletimos e tentamos consertar os erros causadores das derrotas da educação, mas nos parece ficar distante a realização dos fins nos quais, grande parte dos engajados na busca de uma educação que atenda aos anseios da sociedade moderna, bem como de todo o corpo docente, discente e comunidade escolar, se propuseram a atingir. Será que esse é um diagnóstico que nos leva à conclusão de que a educação brasileira não tem mais jeito? Seria o caminho mais correto cruzarmos os braços e somente assistir a decadência definitiva da possível redentora da sociedade?

Não podemos dizer que esse ou aquele é o culpado por tudo que acontece no cenário educacional, negativa ou positivamente. Nossa consciência deve ser preenchida com a certeza de que todos, sem exceção, somos culpados. Essa afirmação soa muito rígida, generalizante, mas é a única que, após longo período de estudo, reflexão e experiência, está à frente dos operadores da educação.

O poder público também é culpado  porque também é omisso. Os governos municipal, estadual e federal investem muito pouco na educação e, quando investem, não se baseiam num planejamento que garanta que o investimento feito gerará resultados positivos à educação. Veja-se o Fies, o Prouni e outros que antes de mais nada levam um carimbo político-demagógico.

A sociedade é culpada, porque  cruza os braços diante do descaso, da má administração, da corrupção. Por que não cobra dos nossos representantes legais? Por que não expulsa os corruptos e elegem pessoas com projetos que favoreçam a nossa educação? Por que não cobra transparência no uso das verbas educacionais? Será que do jeito que está, está bom? Somos, sim, culpados, por fechar os olhos diante do não favorecimento do bem coletivo. Culpados por não tentar mudar. Por achar que somos pequenos, quando formamos uma nação de milhões.

As secretarias de educação, assim como as equipes diretivas escolares, são também culpadas. Enquanto no primeiro caso vemos a irresponsabilidade, advinda do pensamento político egoísta, ao escalar profissionais, em grande parte dos casos, sem capacidade para gerir uma pasta. Retiram bons professores da sala de aula para, em alguns casos, serem péssimos gestores.

Os professores são culpados. Culpados por serem coniventes com situações de perda para o aprendizado do aluno. Um exemplo disso são os casos de feriados imprensados, onde ninguém se manifesta contra, vista a deficiência no cumprimento do calendário escolar com dias tão insuficientes para um bom aproveitamento de aprendizagem.

Ou seja, seria próprio afirmar que tubarões estudam realismo educacional  e devoram os docentes.

Há um perigo de os professores agirem como torcedores e não só eles. Parcela considerável da comunidade educacional age assim. O fato é que esquecemos de nosso objeto de estudo e trabalho: o ensino. Transformamos as Faculdades em cursos para apreender truques de teoria política do poder, ideológicas (aliás, uma péssima teoria política do poder). Sem querer e/ou sem saber, fazem o jogo de um realismo retrô, em que o relativismo é a cereja do bolo.

Hoje em dia precisamos pedir desculpas para falar de educação. O professor chega na sala de aula e fala sobre tudo (e sobretudo) …a partir de sua opinião pessoal. Como se os alunos pagassem para ouvir o que professor pensa pessoalmente sobre a matéria (ou sobre a sociedade). Qual é a diferença de um docente  que decide conforme “seu posicionamento pessoal” e o que é ministrado em sala de aula? Ao que consta, não se vai para o ensino superior pedir a opinião pessoal de quem quer que seja. Muito menos do professor na sala de aula. Antes de tudo, há uma coisa chamada  conteúdo/programa com vistas ao cumprimento das diretrizes curriculares e conclusivamente frente ao Enade.

As ausências docentes em demasia são agravantes para o fracasso. Em outros casos, o professor cruza os braços por se imaginar impotente para tentar mudar o cenário de horror da educação.

As reclamações são muitas: salário baixo, atraso, desmotivação, desvalorização, falta de reconhecimento etc. Todos elas são justas. Mas está-se a cumprir os deveres de educadores? Há preocupação com o aprendizado do aluno? Há preocupação com a própria formação, com o planejamento das aulas, com o compartilhamento de informações com os demais colegas? Frequenta-se as reuniões pedagógicas em apoio às iniciativas apresentadas pela equipe de coordenação? Apresentam-se ideias ou projetos que prometam reinventar a nossa história? O que realmente é o docente se não inventor de ideias, compartilhador de experiências e defensor de uma educação que tenha como prioridade, fundamentalmente, transformar?

Os pais de alunos são coniventes e, portanto, culpados. Ao elaborar uma “tarefa de casa”, por exemplo, os professores esperam que os pais, além de auxiliar os seus filhos no cumprimento daquele “dever”, consigam também diagnosticar as possíveis dificuldades do seu filho e, imediatamente, procurar o professor para formar uma parceria que proporcione o melhoramento do aprendizado daquele jovem aprendiz.

Os alunos também são culpados. Os alunos simplesmente vão à escola apenas para conversar e reencontrar os amigos. Os “cabeças baixas” como hoje são chamados porque não tiram os olhos dos smartphones e outras traquitanas tecnológicas. Mas não só por isso eles são culpados. Também são culpados por não gritarem os seus direitos ao poder público; dizer que exigem os seus direitos constitucionais; que são cidadãos que buscam o conhecimento e que, portanto, exigem o melhor de seus representantes.

O sucesso, ora, isso é outra história, para um próximo artigo, sem culpados.

[1] Graduado em Matemática pela Universidade Tiradentes – UNIT e especialização em Educação Matemática para Pedagogos pela Faculdade Atlântico – FA – Sergipe.