Nascemos Criativos

5 nov

Tem algum tempo me interesso pelo assunto criatividade procurando melhor entender esse que é um fenômeno  como competência humana.

Cada vez mais precisamos ter ideias e criatividade para superar os desafios num mundo cada vez mais difícil.

Como educador, ao longo dos anos observei a criatividade considerada uma capacidade humana de grande valor universal e tudo indica que nesta competência biológica está o impulso da evolução humana. A criatividade é uma sublime dimensão da condição humana. É na capacidade criativa que existe a chave da possibilidade de evolução da humanidade. O mérito da expressão criativa é fruto da “complexidade”, ou seja, é fruto do contexto social no seu desenvolvimento natural e humano. É muito interessante contemplar os efeitos provenientes deste resultado a considerar a capacidade de um indivíduo criativo construir e reconstruir, transformando a nossa realidade. É consensual e gratificante perceber que todos temos a capacidade criativa, e que ela deve ser mais bem desenvolvida.

Todo ser humano possui criatividade em diferentes habilidades. Acredita-se que a habilidade criativa das pessoas esteja de certa forma ligada a seus talentos.

Há quem defenda que a criatividade surge por meio da interação entre os pensamentos de uma pessoa e um contexto sociocultural, há casos em que ela pode exteriorizar-se naturalmente da própria personalidade humana, por se tratar de uma função da mente humana. Por vezes também precisa ser ativada por meio dos estímulos externos e internos. A criatividade, assim, representa-se de múltiplas maneiras.
Cada indivíduo apresenta um perfil criativo distinto, daí a dificuldade de definição do termo e até o momento não há um conceito único que a descreva, ou seja, não há uma definição exclusiva para o termo criatividade, um termo multidimensional, ora como novas invenções, como a capacidade de análise e síntese, ora como um produto novo, ou como a resolução de problemas, ora como uma ideia nova, ou de uma teoria, enfim, os componentes criativos se apresentam de formas sempre variadas e em multiplicidade. A variedade ou a “complexidade” condiciona o indivíduo a ver o diferente, dai um passo para criar a originalidade. O fenômeno criatividade se manifesta em todos os setores da vida, seja social, político, estético e científico.

Muitas leituras sobre  o assunto, hoje, me levam a acreditar que o potencial criativo humano tenha início na infância.

Quando as pessoas sabem que suas ações serão valorizadas, tendem a criar mais. O medo do novo, o apego aos paradigmas são formas de consolidar o status quo. Quando sentem que não estão sob ameaça (de perder o emprego ou de cair no ridículo, por exemplo), as pessoas perdem o medo de inovar e revelam suas habilidades criativas.

Algumas pessoas acreditam que ver a criatividade como habilidade passível de desenvolvimento é um grande passo para o desenvolvimento humano, enquanto outras têm a visão de que a criatividade é uma habilidade inata, ligada a fatores genético/hereditários e, portanto, determinista.

Certas pessoas também admitem que a criatividade não tem necessariamente ligação com o quociente de inteligência (QI), que ela tem mais afinidade com motivação do que com inteligência.

Durante o processo criativo, frequentemente distinguem-se os seguintes estágios com uma possibilidade de sistematização que vai da
Percepção do problema. É o primeiro passo no processo criativo e envolve o “sentir” do problema ou desafio. Teorização do problema. Depois da observação do problema, o próximo passo é convertê-lo em um modelo teórico ou mental. Considerar/ver a solução. Este passo caracteriza-se geralmente pelo súbito insight da solução; é o impacto do tipo “eureka!”. Muitos destes momentos surgem após o estudo exaustivo do problema. Produzir a solução. A última fase é converter a idéia mental em idéia prática. É considerada a parte mais difícil, no estilo “1% de inspiração e 99% de transpiração”. Produzir a solução em equipe. Fase comum que ocorre nas empresas e organizações quando precisam, tanto diagnosticar ou superar um problema quanto otimizar ou inovar produtos, serviços e processos. Apoiam-se, para tal dinâmica, no conhecido sistema do brainstorming.

É tão fascinante estudar e refletir sobre  a criatividade, quanto os resultados  que nascem dela e estamos sempre a observar com agudeza e curiosidade “como diabos aquilo surgiu”, o que atuou na cabeça do indivíduo para que aquela criação/invenção surgisse materializada. E o mundo está repleto dessas realizações, algumas simples demais como o rolo de pintar que substituiu a brocha, a bucha na parede para segurar parafuso, a lâmpada, o velcro.

Criar só é possível quando o cérebro detém uma grande variedade de conhecimentos e informações, fazendo com que as associações de ideias, ocorram de uma forma mais fluida e direcionada. Essas associações permitirão alcançar as ideias e conceitos novos, de uma forma única e original. O processo criativo refere-se a algo atendido por outras pessoas, e que se harmonize com as expectativas e valores de um determinado grupo de indivíduos. Somente desta forma, será visto como algo importante e decisivo, num mercado produtivo e evolutivo, que possa vender a ideia ou mesmo solucionar situações complicadas e / ou expandir novos produtos ou serviços.
O setor do Ensino Superior, não foge à regra no que respeita à criatividade, pelo fato de, devido ao constante desenvolvimento do mercado, ser imperativo, uma adaptação, o mais expansiva possível, atendendo as constantes mutações existentes.
É plenamente possível fazer com que uma pessoa se torne mais criativa. Os principais resultados criativos não advêm de exercícios mentais que prometem aumentar o potencial de criação dos indivíduos de forma isolada.
A criatividade humana se revela a partir de associações e combinações inovadoras de planos, modelos, sentimentos, experiências e fatos. O que realmente funciona é propiciar oportunidades e incentivar os indivíduos a buscar novas experiências, testar hipóteses e, principalmente, a estabelecer novas formas de diálogos, sobretudo, com pessoas de outras formações, tipos de experiências e cultura. Alguns indivíduos altamente criativos já apresentam naturalmente esse padrão de comportamento curioso, investigativo, voltado à experimentação, à inovação e à busca persistente de pequenas e grandes nuances, seja em suas áreas de interesse ou em terrenos nem tão familiares, envolvendo outras culturas, tecnologias, idiomas, etc

Embora seja impossível modificar algumas características essenciais das pessoas, podemos incentivar comportamentos, estilo de vida e formas de interação com o mundo que permitam o desenvolvimento de novos padrões cognitivos e facultem aos indivíduos oportunidades de geração de insights criativos. O mais importante, no entanto, está no fato de que, no contexto organizacional, o que vale mesmo é a capacidade criativa coletiva.
Aumentar a criatividade é exercitar o pensamento!
Os conceitos criatividade e inovação são indissociáveis  Conforme o publicitário Duailibi,“A criatividade é a faísca, a inovação é a mistura gasosa. A primeira dura um pequeno instante, a segunda perdura e realiza-se no tempo. É a diferença entre inspiração e transpiração, a descoberta e o trabalho”.

Normalmente a criatividade é um processo individual, nasce da ideia que surgiu na cabeça de alguém, enquanto a inovação é um processo coletivo, que deve ser trabalhado em grupo e conduz coletivamente a uma mudança de percepção. Por isso se diz que determinada pessoa é criativa e a empresa é inovadora.
Não existe inovação sem criatividade, pois a inovação é a aplicação prática da criatividade. Uma ideia resultante de um processo criativo, só passará a ser considerada uma inovação, caso seja realmente aplicada, caso contrário é considerada apenas uma invenção. Citando Larry Hirst (um dos antigos Chairman da IBM) “Invenção é transformar dinheiro em ideias, inovação é transformar ideias em dinheiro”. Inovação tem pois este caráter de concretização, que só assim poderá gerar criação de valor.