Responsabilidade Social no Setor Educacional

26 nov

Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
signorinironey1@gmail.com

No cenário mundial contemporâneo percebe-se o processar de inúmeras transformações de ordem econômica, política, social e cultural que, por sua vez, se adaptam aos novos modelos de relações entre instituições e mercados, organizações e sociedade. No âmbito das atuais tendências de relacionamento, verifica-se a aproximação dos interesses das organizações e os da sociedade resultar em esforços múltiplos para o cumprimento de objetivos compartilhados.

Os primeiros estudos que tratam da responsabilidade social tiveram início nos Estados Unidos, na década de 50, e na Europa, nos anos 60. As primeiras manifestações sobre este tema surgiram, no início do século (1906). No entanto, tais manifestações não receberam apoio, pois foram consideradas de cunho socialista. Foi somente em 1953, nos Estados Unidos, que o tema recebeu atenção e ganhou espaço. Na década de 70, surgiram associações de profissionais interessados em estudar o tema: É a partir daí que a responsabilidade social deixa de ser uma simples curiosidade e se transforma num novo campo de estudo. A responsabilidade social revela-se então um fator decisivo para o desenvolvimento e crescimento das empresas.

No Brasil, diversas empresas e indústrias exerceram esse propósito, pode-se dizer que há dezenas de anos: a Gerdau, a Cosipa, a Aliperti e tantas outras.

Quando tive o insight de aplicar o mote na área educacional, o meu interesse era demonstrar para a sociedade que também as instituições educacionais propunham e exerciam a sua contribuição, haja vista as centenas e/ou milhares de atenções dedicadas às comunidades, na medida em que suportassem nos cursos oferecidos uma grande gama, seja na medicina, na enfermagem, no direito, na administração, na contabilidade e por aí vai.

As várias edições do evento confirmam que de fato as IES-Instituições de Ensino Superior  têm contribuído de forma marcante, ao longo do ano letivo, agregando conhecimentos aos cidadãos no entorno de cada escola, propiciando melhoras na cidadania, na civilidade, na cultura local. Mas, é pouco, muito pouco e acho mesmo que já é hora de todas as IES nacionais constituírem um grupo de trabalho, uma força tarefa para melhor desempenhar o escopo sem ficar atreladas somente aos viés de cursos que ofereçam. Não é cobrar muito se pensarmos que todas nossas IES, de norte a sul do país, criarem uma ou duas turmas voltadas para o ENCJA, atribuindo aos licenciandos a tarefa de prepará-los para a alfabetização, só com isso teremos conquistado uma enormidade de sucesso. Sem falar na proposta que consistiria na Prática de Ensino. Os custos para isso são insignificantes.

Assistência em Odontologia para aquelas IES que têm o curso bastaria estendê-la para os familiares ( pais, mães, filhos ) e com isso evitar a crônica sucessão dos desdentados, por igual, na Enfermagem um posto de atendimento contínuo para as vacinas. Para o estudantes de Direito propostas de extensão no sentido de incentivar os jovens no caminho do direito e da justiça, fortalecendo a juventude para criar e aumentar os músculos da civilidade. Na área de Educação Física, então, o universo de propostas possíveis, continuamente, seria de extraordinária aplicação.
A propósito, os contratados por tempo integral ( 20 + 20 ) estão efetivamente se dedicando ao compromisso ou ficam aguardando na sala dos professores o relógio gritar “vá embora” ? Não é o caso de otimizá-los produtivamente ?

Enfim, já está na hora de as IES pensarem e colocarem em ação planos, campanhas, iniciativas perenes  que possam contar inclusive com as contribuições de empresas ou pessoas físicas apoiando os projetos.

A simples criação de uma empresa-júnior na IES já abre enormes perspectivas de atendimentos sociais. E mais, transferindo ao estudante uma chance/oportunidade de ingressar no mercado de trabalho sem depender do mercado, às vezes avesso a oportunizar um estágio. É mais ou menos pelo velho ditado: juntar a fome com a vontade de comer.

Por certo a CPA – Comissão Própria de Avaliação  de cada escola bateria muitas palmas, assim como o grupo responsável pelas Atividades Complementares sairiam irmanados rumo à efetiva Responsabilidade Social.