Educação Superior e Criatividade

24 dez

Prof. Roney Signorini
Assessor e Consultor Educacional
signorinironey1@gmail.com

Ultimamente temos lido e ouvido muito sobre criatividade e inovação, entre conteúdos sérios e outros um tanto folclóricos, sem unanimidade conceitual
do que exatamente represente nas diversas áreas do conhecimento, como nas artes, nas ciências, nas engenharias, etc. etc. Referente à educação menos ainda como se esse fosse um totem sagrado inatingível quando o desenvolvimento de uma ideia que caminha para a criatividade resolve qualquer trabalho por vias de inovação. Criatividade é educação por essência.

Uma  investigação mais apurada sobre  condições  percebidas por professores da educação superior, como inibidores à promoção de naturezas adequadas ao desenvolvimento e expressão da criatividade de seus alunos. Isso  torna o assunto preocupante. Principalmente se analisadas as barreiras à promoção de condições favoráveis à criatividade em sala de aula.

Alunos com dificuldades de aprendizagem em sala de aula, desinteresse do aluno pelo conteúdo ministrado, poucas oportunidades para discutir e trocar ideias com colegas de trabalho sobre estratégias instrucionais e elevado número de alunos em sala de aula são os itens mais destacados.

Condições que promovem a criatividade na educação constituem tema de atenção crescente nas últimas  décadas. A capacidade de  criar é essencial na sociedade do conhecimento, fator chave para lidar com as  mudanças rápidas e complexas que caracterizam o mundo contemporâneo. Por tal razão, é fundamental que as instituições de ensino superior, que ocupam  uma posição central na formação dos futuros profissionais, tenham como uma de suas metas o desenvolvimento do potencial criativo dos estudantes.

Ademais,  a demanda por profissionais criativos, que dominem estratégias eficientes para identificar oportunidades, abordar e resolver problemas imprevisíveis, tem sido uma tônica da grande maioria das organizações. Esta seria mais uma razão para que as universidades propiciem uma formação em sintonia com as demandas do mercado, de profissionais que aliem criatividade com capacidade analítica e uma base sólida de conhecimentos, ingredientes  essenciais para o sucesso no mundo incerto e complexo do trabalho.

A criatividade é um recurso fundamental para indivíduos, organizações e sociedades. Entre as razões para sua importância, pode-se apontar que ela  possibilita ao indivíduo tirar maior proveito das oportunidades e responder de forma adequada aos desafios e dificuldades presentes na vida pessoal e profissional, além de contribuir para a sua adaptação  e produtividade.
A necessidade de criar é também uma parte saudável do ser  humano, sendo a produção criativa usualmente acompanhada de sentimentos  de satisfação e prazer, elementos promotores do bem estar emocional e saúde mental. Há uma relação positiva significativa entre felicidade  e ideação criativa.

A criatividade constitui-se também em fator fundamental para a inovação e consequente sucesso das organizações. Ela tem sido considerada como elemento crítico para a sobrevivência da grande maioria de empresas, tendo em vista os desafios gerados pela globalização, crescente competição e ritmo acelerado de mudanças. Tais fatores pressionam o setor empresarial a inovar de forma mais rápida, o que requer um melhor proveito dos recursos disponíveis, em especial da criatividade de seus recursos humanos.

A prosperidade futura dos países depende de forma crescente de sua capacidade de inovar, ou seja, de transformar ideias em novos produtos e serviços, desenvolver novas tecnologias e formas de produção, introduzir produtos e serviços em novos mercados e ainda, em contexto global, enfrentar os inúmeros desafios do planeta, nas áreas de saúde, educação e trabalho. É por esta razão que vários países têm buscado incluir a criatividade como uma prioridade política, promovendo o seu fomento na educação formal, em indústrias e outros tipos de organizações.

Insisto que os fatores inibidores devem ser vencidos a qualquer custo: pois da capacidade de inovar, ou seja, de transformar ideias em novos produtos e serviços, desenvolver novas tecnologias e formas de produção, introduzir produtos e serviços em novos mercados e ainda, em contexto global, enfrentar os inúmeros desafios do planeta, nas áreas de saúde, educação e trabalho é imperativo. É por  esta razão que vários países têm buscado incluir a criatividade como uma prioridade política, promovendo o seu fomento na educação formal, em indústrias  e outros tipos de organizações.
Apesar da importância da educação superior para o fomento da criatividade, constata-se que pouca atenção tem sido dada ao desenvolvimento das habilidades criativas do estudante neste nível de ensino.

Embora muitas vezes se espere que os estudantes sejam criativos, a criatividade raramente é incluída nos planos de disciplinas como  um objetivo explícito a ser alcançado no decorrer do curso. A grande maioria dos professores universitários desconhece o que vem sendo pesquisado a respeito de criatividade, o que dificulta a organização de programas e ambientes de aprendizagem, ensino e avaliação que contribuam para que estudantes de cursos superiores tomem consciência de seu potencial para criar e desenvolvam  e expressem a sua criatividade.

É bom lembrar que a educação superior é ampla e complexa,  incluindo muitas finalidades e metas.

E consulta a professores  a respeito de suas perspectivas sobre criatividade e currículo, observei  o receio de eles assumirem riscos em função de uma cultura que não  tem tolerância ao fracasso; falta de recursos, especialmente tempo; além de oportunidades limitadas a uma avaliação formativa.
Também fica o registro que carga excessiva de trabalho, tempo inadequado de preparação das aulas,  grande número de alunos em sala de aula, tempo insuficiente para contato com  os alunos, recursos inadequados, podem ser alguns dos fatores considerados como elementos restritivos à expressão da criatividade na  educação superior.

Entre outras sugestões significativas para se estabelecer condições propícias ao florescimento da criatividade,   (a) ter tempo suficiente e espaço no currículo para permitir aos estudantes desenvolver sua criatividade; (b) ter situações de trabalho suficientemente variadas e diversas para possibilitar a todos os estudantes serem criativos; (c) permitir aos estudantes a liberdade  para trabalhar de maneiras novas e interessantes; (d) desafiar os estudantes com trabalhos reais, exigentes e excitantes; (e) delinear avaliações que permitam respostas que não sejam estreitamente pré-determinadas; (f) cultivar um clima na instituição que encoraje a reflexão e desenvolvimento pessoal de professores e estudantes; (g)  alimentar um debate acadêmico contínuo no contexto da disciplina, e diálogo sobre a natureza da matéria e o papel da criatividade em seu interior.

As professoras Eunice Maria Lima Soriano de Alencar e Denise de Souza Fleith, da Universidade de Brasília, ambas com PHD em Psicologia Educacional, em artigo publicado na Revista da Avaliação da Educação Superior, tratando sobre criatividade oferecem algumas  sugestões que podem ser levantadas considerando os conhecimentos prévios dos alunos; reservar tempo para o diálogo, ouvindo-os  com respeito, proteger os estudantes contra os efeitos negativos do grupo; encorajar os alunos a perseguir tópicos de seu interesse; diversificar as estratégias docentes utilizadas em sala de aula; expor os  alunos apenas a críticas construtivas; ajudar o aluno a se desfazer de bloqueios  emocionais, como o medo de errar e o medo de ser criticado; incentivar e valorizar a expressão de novas ideias; manter uma relação positiva com os alunos; e criar um ambiente psicologicamente seguro, no qual os alunos não tenham medo de se expor. Inquestionavelmente, é imperativo propiciar condições ao desenvolvimento da criatividade no contexto educacional, especialmente na educação superior.