Elevadores Antigos e Super Modernos

1 abr

Elevadores a serviço da aceleração dos nervos e da irritação
A pessoa está no térreo do edifício ( ou em outro andar ) e aperta o botão de “venha cá”.

No meio tempo outras pessoas também estão comandando  em outros andares, sem saber ao certo se apertam o botão de subir ou de descer (ignorância pois quem quer descer não pode apertar o botão de subir), dando início à confusão no cérebro computacionado do elevador. Pode até ser que esteja do lado de fora, mantendo a porta aberta, fofocando com quem está dentro.

Só isso já gera um problemão e quase certo o software que comanda as operações entra em pane.

Há uma certa demora em ser atendido daí a ignorância de ficar apertando o botão, incessantemente, como se isso acelerasse a ordem e o elevador desprezasse toda e qualquer “mando”  para atendê-lo  “primeiro”.

Isso não acontecia no antigo magazine Mappin pois o ascensorista parava em todos os andares, obrigatoriamente,  na subida e na descida. Era o tempo dos elevadores movidos a manivela. Mas, não quebrava. Hoje, as modernas máquinas exigem que a pessoa aponte do lado fora em que andar deseja ir. Inexiste o painel interno para indicar o andar desejado.

Resultado, os elevadores novos, nem tanto assim, estão sujeitos à interrupção do serviço com muita frequência em razão do mau uso, da pressa, da ignorância bastando ter um pouco de paciência. Afora o excesso de peso quando ninguém assume a tara pessoal, muito menos observa a imposição de peso máximo admitido, na linha do “sempre cabe mais um” ( imperativo do tirar vantagem em tudo, mesmo que o elevador despenque).

Observe no relógio quanto foi o tempo de espera até ser atendido:  nunca mais de 30 ou 45 segundos. Então, é coisa de se descabelar, chutar a porta, começar a gritar “solta o elevador” ? Algo parecido com a espera do semáforo
cuja impaciência leva o indivíduo irritado a buzinar e a acelerar quando não há espera maior do que um minuto.

Se nenhum desses incidentes vem ocorrendo no seu prédio, então chame a empresa de manutenção, de preferência a do fabricante e não aquela instalada
na esquina de Paraisópolis.

Em Tempo: todo cuidado é pouco com as câmeras internas que deduram mesmo. São os delatores silenciosos.

Hoje tenho 72 anos mas já tive 20-30-40-50 e 60. Até 50 nunca desperdicei dinheiro com academias, certo ou errado. Levantava às 5h00 e me punha a descer e subir as escadas do prédio onde morava, todos os dias. Eram doze andares. Tarefa cumprida, com os bofes de fora, ia ao banho e ao trabalho porque o relógio já beirava 6h00.

Por vezes, confesso, sentei na escadaria, tal o esforço, e pedi água assim como também observava que alguns moradores pediam a “chegada do elevador”  estando no primeiro, segundo ou terceiro andar. Alguns pra descer
(o fim do comodismo e conforto, merecem o futuro) e outros para subir, depois do pão quente da padoca embaixo dos braços ( pode ? ).

E assim, de conforto em conforto vamos em frente até a urna  mortuária também confortável sobre a qual nunca ouvi ninguém reclamar.

Mas, contra  elevador, não há mortal que não execre a demora dando nos nervos e na irritação. Coisinhas do século mandando mais cedo o indivíduo para o além.

Mas já é hora das novas tecnologias como o elevador que exige ao usuário selecionar no andar em que esteja para qual pavimento deseja ir. Entrando no “sobe e desce” você vai parar no indicado.

Por outra, você chega no prédio e tem à sua frente um elevador de porta aberta

Esperando que você adentre para então dedilhar o andar desejado. É estranho mas futurista. A porta se fecha e te leva para onde indicou.

Quem como eu comprava bugigangas no velho Mappin, no centro de São Paulo, haverá de se lembrar do super motorista de elevador com porta pantográfica que fazia o trajeto mais curto dos edifícios da Capital no maior tempo: ia do térreo até o quinto andar em dez minutos. No Natal levava até vinte minutos.

Verdade seja dita, ao logo de décadas nunca houve um acidente, de qualquer ordem e diga-se de passagem, a cabine do elevador não tinha ar condicionado.

Lá fora o guarda Luizinho comandava o tráfego com suas performances na confluência da Rua Xavier de Toledo com o Viaduto do Chá, fizesse frio, sol ou chuva. Era o apito de policial mais respeitado do Brasil. Nunca se soube de algum atropelamento na confluência.