Mundo novo, escola nova e professor motivado

2 dez

“O professor medíocre conta. O Bom professor explica.
O Professor superior demonstra. O Grande professor inspira.
William Arthur Ward –
Educador e escritor norte-americano

Estive pensando durante alguns dias   sobre o que escrever para comemorar o Dia do Professor e, claro, também, tentando sair do lugar comum dessas ocasiões.
Valendo-me de um folder que o Semesp entregou por ocasião do 20º Fórum, ocorrido em São Paulo nos dias 26 e 27/9, os números encontrados pelo Inep dando um panorama da educação   em 2017 são superlativos, indicando que no ensino superior existem   182.096 docentes nas particulares e 168.974 nas públicas. Ou seja, totalizam 340.027 profissionais em todas as 2.448 instituições de ensino superior do país, operando em 2.152 particulares e 296 públicas, distribuídas por 93 universidades, 181 centros universitários e 1.878 faculdades. São números extraordinários acumulando milhões de horas-aulas por ano, movimentando uma máquina financeira de bilhões de reais de insumos diretos e indiretos. É muito professor suando a camisa na educação superior.

 

Mas falar só dos resultados econômicos é pouco, muito pouco, quando destacamos os números de alunos matriculados nas particulares da ordem de  6.241.307 (75,3%) e nas públicas 2.045.356(24,7%).

E a que devemos esses números fabulosos no setor privado senão ao devotamento, entrega e dedicação docente, seja como horista, tempo parcial ou integral.
É necessário que esses profissionais percebam seu verdadeiro valor e reconheçam a importância que lhes é dispensada. As mais belas ideias sobre educação, os mais sinceros e comoventes elogios ao papel do ensino no desenvolvimento de um país e os sonhos mais generosos em que a escola aparece como espaço de verdadeiro aprendizado e crescimento humano, não resolvem o problema da educação se as professoras e os professores não forem e não se sentirem valorizados.
Mas, então, como explicar essa devoção, esse apego que na maioria das vezes não tem reciprocidade? Que nome dar para essa dedicação com tal afinco se não há salário que compense o esforço, sobretudo se acumula pontualidade e assiduidade, que nem sempre ganha reconhecimento?

Afinal, o reconhecimento vem ou deveria vir de onde, dos alunos, dos pais, da coordenação do curso, da reitoria ou da sociedade?

 

Poetas, escritores, novelistas e cronistas já exaltaram por meio de suas obras, a figura   do querido professor, enaltecendo e agradecendo o que fizeram em prol da cultura e da educação, primando o ensino exatamente no diapasão que o Papa João XXIII citou: “É   preciso construir escolas, casas dignas desse nome.”

 

Mas, e daí, como andam os programas e conteúdos   dos cursos de formação de docentes na universidade, as licenciaturas? Estão elas afinadas com a realidade   da modernidade tecnológica, além do suporte das modernas propostas pedagógicas? Esses professores têm dado consistência aos seus conhecimentos com educação continuada, têm participado de seminários e congressos, têm realizado estudos de pós   graduação, etc. etc.? Então, a formação mínima para assumir   uma sala de aula não se encerrou na licenciatura de três anos, ou no bacharelado de quatro anos. Exige mais.

 

Tenho dito aqui neste espaço que sem o professor não existe educação e por decorrência centenas de posições sociais que num giro de 360 graus não (sobre)vive sem a educação e o principal protagonista/responsável é sempre o indispensável professor.

 

Mas, eles estarão dizendo nesse momento: e daí? Como ficam a minha sobrevivência, o meu status, as minhas contas mensais, a minha atuação nos diversos estratos sociais, a minha família e meus filhos, o meu lazer e a minha complementação cultural com viagens e cursos de adição?

No período eleitoral que estamos vivendo, nada ficou mais claro   que o maior descontentamento das pessoas é acerca dos péssimos serviços que o estado presta. E a demanda mais insistente comentada pelos veículos de comunicação e redes sociais é sobre a falta de segurança das pessoas; dos serviços de saúde e da formação educacional para a vida.
Consequentemente a educação desde a infância até a universidade, devido as transformações que a sociedade está vivendo é aquela que está sendo pressionada pela população, por um motivo bem simples, porque tudo que fazemos estará condicionado aos ambientes tecnológicos, inclusive as atividades de ensinar e aprender e o professor deixará de ser um repassador de informações para se tornar também o gerenciador do processo de aprendizagem e dominar e ser usuário das tecnologias de informação e comunicação.
O mercado de trabalho busca os egressos mais preparados para oferecer   soluções aos seus projetos e o bom professor precisa estar ciente que seu papel e colaborar com o sucesso de seus alunos. Mas uma estratégia vai ser necessária para que o ensino possa prosperar e cumprir seus objetivos. É haver alinhamento de propósitos do estado, da universidade, das escolas, dos professores, das famílias, das empresas, da sociedade e dos estudantes, com a área de formação educacional. Com menos palavras e mais ação, nossas homenagens aos Professores de todas as áreas, níveis e graus. Os professores cuja vida foi dedicada unicamente ao magistério, por mais de 50 anos, em detrimento da vida familiar e social, alguns em única instituição lecionando única disciplina. E já é hora de se fazer justiça.
A professora Ana Tereza Pinto de Oliveira, lecionando língua portuguesa para futuros jornalistas, que já passam do milhar, nunca esquecem dela. É admiradíssima, não sem razão. É um exemplo dignificante do labor docente

quando hoje ela tem só 70 anos. Na faculdade onde leciona ninguém lhe presta(ou) mínima homenagem: um bilhetinho, um bolinho, uma plaquinha. Nada. As instituições não sabem mesmo cultuar valores mas sabem jogar pá de cal sobre seus tesouros.