Coreia do Sul é campeã em educação

9 fev

Prof. Roney Signorini
Consultor & Assessor Educacional
signorinironey1@gmail.com


Sob diversos ângulos o país tem estatísticas extraordinárias nos rankings mundiais de educação, tudo devido aos pesados investimentos na área, com destaque especial na formação de professores, no investimento em material de apoio e na melhoria da estrutura e funcionamento das escolas – combinado com a cultura asiática de disciplina e valorização do ensino.

A lamentar que não tenhamos alguns dados fundamentais para elogiar o desenvolvimento da educação na Coreia como a quantidade de alunos existentes no ciclo Fundamental, bem como no Médio, qual o volume de investimentos dos últimos 5 anos ( 2015-2019 ) com especificidades porcentuais das aplicações, setorizadamente.  Com tais informações poderíamos criar algumas balizas, alguns gabaritos como modelagem pois o decenal PNE – Plano Nacional de Educação que está entrando no sétimo ano e pouco ou nada se vê de resultados.

Como sabido, o desenvolvimento da educação na Coreia foi a alavanca do rápido crescimento econômico do país, ao qual precedeu, hoje figurando como a 15ª economia do mundo, exportadora de tecnologia de ponta.
Não poderia, como de fato não foi diferente que o sistema tivesse priorizado inicialmente a educação primária e só quando ela se tornou universal, o governo passou a destinar recursos para o segundo e terceiro graus. Uma lógica racional oriental/asiática?

Os professores sul-coreanos recebem altos salários além de um plano de carreira consolidado e há investimentos e valorização de seus meios de trabalhos. Neste particular também seria importante saber a cifra desses “altos salários”, bem como a jornada de trabalho e com quantos alunos ela se desenvolve em sala.

Na Coreia conforme especialistas, ser professor é ter uma carreira de prestígio, cujo status é resultado da relação que a sociedade tem com a educação.
Impensável  episódios como o que se vê por aqui de professores agredidos nos ambientes escolares

Para se ter uma ideia do valor da atividade docente, tal a sua importância como fundamental para a existência e para o destino do projeto nacional educativo, os professores são extremamente capacitados mesmo antes de começar a lecionar.

No sistema sul-coreano estimula-se a forte competição entre os jovens para a entrada nas melhores universidades e escolas, estimuladíssima entre os pais que veem na educação um meio vital para determinar as oportunidades nas vidas de seus filhos e os encorajam e pressionam a trabalhar duro. Até demais.

Por causa dessa pressão, o engajamento das famílias na educação das crianças na Coreia foi um elemento fundamental para que o país chegasse ao patamar atual.

Enquanto por aqui ainda estamos discutindo a respeito do período parcial ou integral de nossas crianças nas escolas, as aulas na Coreia começam às 7h30 e terminam às 17h. Às 18h, são encaminhados para uma escola privada, paga pelos pais, onde há aulas até tarde da noite. Recentemente um decreto determina que essas escolas fechem à meia-noite, porque  às vezes ficavam abertas até as 2 horas. Pudera lograr as primeiras colocações no PISA.

Como decorrência  surgem preocupações de um sistema educacional como esse, muito concentrado no resultado de provas e testes, prejudicando o pensamento crítico e a criatividade dos alunos, posição de iminentes pedagogos mundiais.

Realidades batem às portas como sob qual custo a educação, como primeiríssima prioridade, é conduzida do primário ao superior para milhares de indivíduos que têm, não têm ou deixarão de ter empregabilidade no presente mas sobretudo no futuro.

Reflexões, planos, estratégias em mentes brilhantes para aplicação, ações e revisões, metas e missões a cumprir exigindo autossuficiência em todos os polos do setor educacional, mantendo sem esmorecer ou fraquejar diante de um projeto de nação o que de melhor os governantes devem oferecer.

Assim não é diferente na China e no Japão, nos dragões asiáticos que parece se deram a mão e fecharam a roda na qual ninguém vai sair mas também ninguém vai entrar.

Se felicidade importa, resta saber o grau desse atributo entre os jovens dos países quando até a falta de sono os importuna, pra não dizer sobre a falta de aconchego familiar para quem fica tanto tempo fora de casa sem os pais.

De outra parte, mesmo sem tanta pressão, países como Dinamarca e Noruega também logram ótimas posições nos rankings sem sacrifícios perpetrados nas crianças, ao contrário, com sucessos decorrentes de outras metodologias, outros DNAs, tudo levado prazerosamente e com felicidade.