Metodologias Ativas de Aprendizagem (passado, presente ou futuro?)

9 fev

Prof. Roney Signorini
Consultor & Assessor Educacional
signorinironey1@gmail.com


Há muitas pesquisas e publicações sobre o tema. No Google, se pesquisamos  “metodologias ativas de aprendizagem”, em português, há mais de 40 mil resultados. Em inglês, para “active learning methodologies”, mais de 230 mil. Muitas páginas interessantíssimas, e apontam para congressos internacionais, centros de pesquisas, experiências educacionais importantes.”
Dácio Guimarães de Moura

Tanto falatório, congressos e teses. Por aqui mudança nenhuma. Por que ?

A elaboração do artigo de hoje é baseado em inspiração de livros e artigos publicados e que merecem uma reflexão. Conforme a epígrafe, são milhares de artigos, livros e teses de renomados professores que vão parar nas prateleiras do porão das universidades nacionais, porque na prática ninguém aplica. Por que ninguém aplica?

As metodologias ativas de aprendizagem apareceram no cenário educacional para aperfeiçoar o ensino de qualquer disciplina.

Elas funcionam um pouco diferentemente do aprendizado tradicional, pois o conhecimento deixa de ser apenas transmitido para ser obtido de maneira mais ativa pelo aluno – como a palavra  indica.

Parte-se da constatação de que esse maior protagonismo do estudante (com atuação ativa e não passiva) contribui para que ele aprenda mais rápido e melhor, buscando maior eficiência.

Falar um pouco sobre Metodologias Ativas de Aprendizagem é querer facilitar a sua aplicação no contexto da educação de jovens.

Mas, uma condição é certa e se impõe: revisar as práticas tradicionais de ensino e aprendizagem, sempre apontando as possibilidades das metodologias ativas para atender as necessidades educacionais atuais. Nos últimos anos, a educação dos jovens universitários tem apresentado grandes desafios para educadores e instituições de ensino. O que se vê, em maioria expressiva, é o fazer mais do mesmo, a mesmice secular das salas de aula. Aqui já coloco uma cunha, qual seja, a de que as escolas nem sempre têm gente preparada para assumir essa modalidade porque desconhecem o “chão de fábrica”, condição indispensável para tocar o método pra frente. Mestres e doutores com suas dissertações e teses, que temos em demasia, nem sempre conhecem o odor da tinta usada para imprimir, nem o cheiro do estanho derretendo na fornalha das linotipadoras, por exemplo, no caso do jornalismo. Arrisco dizer que em breve veremos mais gente do mercado nas salas de aulas estabelecendo mais práticas e atividades.

Os questionamentos surgem mais rápido do que as soluções propostas para educar alunos, com interesses e habilidades muito diferentes das gerações passadas. Ou seja, hoje os jovens processam mais informações, em velocidades mais rápidas, e são cognitivamente mais hábeis para lidar com desafios mentais. Hoje, um grande problema para os professores é atrair e manter a atenção e o interesse desses jovens. E não nos enganemos querendo atribuir a eles a já “manjada” dispersão de atenção, a síndrome da deficiência de atenção.

Também não se fale na preocupante falta de motivação dos alunos com impactos sobre o desempenho e as taxas de abandono escolar, pois métodos tradicionais de ensino e aprendizagem (passivos) hoje não atendem muitas necessidades dos estudantes, como a aprendizagem significativa e contextualizada, o desenvolvimento de competências e habilidades para a vida profissional e pessoal, a visão multidisciplinar do conhecimento, o empreendedorismo, etc.

Nesse sentido, as metodologias ativas de aprendizagem se apresentam como uma alternativa com grande potencial para atender as demandas e desafios da educação atual. Não obstante essa potencialidade, a aplicação dessas metodologias de modo eficaz requer uma compreensão ampla de seus fundamentos e de sua plenitude.

Assim, o grande desafio, hoje, é a aplicação dessas metodologias destacando-se, especialmente, a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABProb) e Aprendizagem Baseada em Projetos (ABProj).

Conforme o professor Dácio Guimarães de Moura, da Universidade Positivo,
Curitiba, “embora haja o reconhecimento do potencial das metodologias ativas, há também uma resistência nos ambientes educacionais para a implementação de novos métodos de ensino, especialmente métodos ativos. Essa resistência parece estar associada, em parte, com o que chamamos de rigidez sistêmica (por exemplo, medo de prejudicar as abordagens tradicionais de ensino).Essa resistência parece relacionada também com as deficiências no processo de formação de professores, o professor que não tenha experimentado essas metodologias durante o seu processo de formação, certamente terá dificuldades em aplicá-las com seus alunos. Não obstante as dificuldades, as experiências de aplicação de metodologias ativas têm apresentado resultados extraordinariamente positivos, que recomendam a sua aplicação em grande escala”.

Uma ideia central dessas metodologias, em inglês, é: No More Passive Students. Ou, em português: Estudantes passivos, nunca mais.

O que são, afinal, as metodologias ativas de aprendizagem? O professor Guimarães de Moura tem as respostas:

“De forma resumida e esquemática, podemos dizer que metodologias ativas são aquelas que apresentam as seguintes características:

  1. demandam e estimulam a participação do aluno envolvendo-o em todas as suas dimensões humanas: sensório-motoras, afetivo-emocionais, mental-cognitivas;
  2. respeitam e estimulam a liberdade de escolha do aluno diante dos estudos e atividades a serem desenvolvidas, possibilitando a consideração de múltiplos interesses e objetivos;
  3. valorizam e se apoiam na contextualização do conhecimento, imprimindo um sentido de realidade e utilidade aos estudos e atividades desenvolvidas;
  4. estimulam as atividades em grupos, possibilitando as contribuições formativas do trabalho em equipe;
  5. promovem a utilização de múltiplos recursos culturais, científicos, tecnológicos que podem ser providenciados pelos próprios alunos no mundo em que vivemos;
  6. promovem a competência de socialização do conhecimento e dos resultados obtidos nas atividades desenvolvidas”.

Conforme Eduardo Savarese Neto ( https://fia.com.br/blog/author/eduardos/ ), “as escolas e universidades são instituições tão tradicionais, com modelos tão consolidados, que pouca gente se dá conta de que há outras abordagens possíveis. Uma metodologia é como se fosse um sistema, com processos previamente pensados para alcançar determinado fim. A metodologia de ensino, portanto, corresponde aos métodos utilizados por uma instituição ou um professor para que o aluno se aproprie do conhecimento transmitido. Não por acaso, a retenção do aprendizado é maior quando o estudante simula e tenta resolver um problema em conjunto com métodos passivos, na comparação com a simples leitura ou audição de uma aula ou palestra.”

Segundo o professor, filósofo e pesquisador José Moran, em entrevista para o portal Desafios da Educação, é urgente que a educação se reorganize. “Existe uma clara consciência em relação ao esgotamento do modelo antigo, seja na Educação Básica ou no Ensino Superior. Esse é um movimento mundial, não só brasileiro”, opina.

Colocar em prática esses conceitos, porém, é um desafio. Para Moran, autor do livro Metodologias Ativas para uma Educação Inovadora, tudo que é diferente encontra resistência.

Outra prática comum nas metodologias ativas de aprendizagem são as aulas invertidas, nas quais o estudante tem acesso a conteúdo online para que se otimize o tempo da aula de fato, aproveitando-a para tirar dúvidas, interagir com colegas e desenvolver projetos. Seus resultados positivos têm sido incontestáveis.

Além de assinalarmos as metodologias ativas, é instrutivo também identificar relações entre o ideário delas e outras propostas educacionais da atualidade, como, por exemplo:

  • Movimento CTS (Ciência, Tecnologia, Sociedade)
  • Inteligências múltiplas (Howard Gardner)
  • Empreendedorismo
  • As 7 coisas que faltam (Goldberg)
  • STEM Education (Science, Technology, Engineering and Mathematics)
  • Conectivismo (Aprendizagem em Rede2).
  • “Indisciplinação” do conhecimento e interdisciplinaridade.

Resta, portanto, a tão exigida vontade de inovar e experimentar com sucedâneos que podem mudar a história das escolas, das salas de aula, dos aprendizados e sobretudo das sociedades.

Sugiro ao meu leitor acessar o link indicado adiante e se deter no item DESVANTAGENS, porque afinal, em tudo há um contraponto
https://en.wikipedia.org/wiki/Problem-based_learning

As metodologias ativas, apesar de não serem uma proposta tão atual na história dos sistemas educacionais, ainda não conquistaram as docências numa escala desejável, como solução para a melhoria dos processos de ensino e aprendizagem.

Guimarães de Moura aponta algumas estratégias que podem impulsionar a implantação de metodologias ativas na escola:

1- organizar espaços administrativo-acadêmicos para incentivar e gerenciar o desenvolvimento de metodologias ativas, como núcleos e grupos de estudo e pesquisa sobre concepção e formas de implantação de metodologias ativas na escola;

2- criar condições para capacitação de recursos humanos que viabilizem a implantação de metodologias ativas na escola;

3- criar espaços institucionais para promover e incentivar a realização e apresentação pública de trabalhos realizados por alunos, professores e funcionários, no contexto de metodologias ativas, como: Museu na Escola, Feiras de Ciência, Tecnologia e Cultura, Projetos de Iniciação Científica, incubadoras, laboratórios abertos, revista para publicação de trabalhos realizados, incentivo à participação em concursos, etc.

A implantação da proposta, entretanto, contrapondo-se a sistemas educacionais já sedimentados, pode colocar a intenção sob riscos se não houver absoluta determinação e inexistência de dúvidas e incertezas. Assim, por que não tentar iniciando por testes e experimentos sem com isso deixar de fazer planejamento rigoroso, ainda que se busque pequeno sucesso?

Muitas experiências já realizadas de implantação de metodologias ativas têm mostrado que os resultados compensam de forma extraordinária os esforços e os riscos enfrentados. O contexto atual da educação parece indicar que os nossos sistemas tradicionais de ensino começam a definhar, exigindo novas propostas.

Aqui coloco mais uma cunha: o processo tradicional “não deu certo” (?) por que razão? O problema esteve nos conteúdos, na carga horária das disciplinas, na condução da cátedra (despreparada?), na inserção equivocada do timing educacional ( fora do tempo, da classe, da turma, do período? ).

Pode ser que uma dificuldade específica para que as metodologias ativas vigorem nas universidades seja a imposição de conteúdos considerados imprescindíveis. Efetivamente, um curso técnico/tecnológico não pode abrir mão de garantir que os alunos adquiram certos conhecimentos e certas competências, consideradas básicas para o exercício da profissão. Está aí a opção de compatibilizar as vantagens e as necessidades que são inerentes às diversas propostas metodológicas.

O site  da Editora Atlas traz interessante artigo que recomendo ler. Trata-se da primeira iniciativa na abordagem de Metodologias Ativas com a apresentação de Problem-Based Learning (PBL- em inglês) ( antecessor das atuais Ativas ), isso há quase cinquenta anos, ou em português, Aprendizagem Baseada em Problemas ( ABP )Acesse o link :

https://gennegociosegestao.com.br/o-que-e-pbl/

Em vídeo de 12 minutos um aluno de medicina explica o PBL na prática
https://www.youtube.com/watch?v=H2az6lrdhmw

E vale a pena ler sobre o PBL no link da Wikipedia:
https://en.wikipedia.org/wiki/Problem-based_learning