Desemprego ou Destrabalho? Desempregado ou destrabalhado?

16 fev

Prof. Roney Signorini
Consultor & Assessor Educacional
signorinironey1@gmail.com


Não necessariamente, procurar por um emprego não é o mesmo que procurar por um trabalho. Questão semântica ou não, emprego seria uma oportunidade e trabalho uma conquista ?

As estatísticas mostram que ao menos metade dos 12 milhões de desempregados no país efetivamente estão sim procurando por alguma chance de colocação e o resto dá para se caracterizar como desocupados porque despreparados profissionalmente. Sejam os jovens recém egressos de cursos superiores sejam os de mais idade que ao longo de bom período vinculados a alguma(s) atividade(s) não lograram experiência(s) nem expertises que permitiriam um certo conforto e alguma tranquilidade funcional/laboral. Para se ter uma ideia, conforme o jornal Zero Hora,  no Rio Grande do Sul o número de desempregados  com ensino superior completo quase dobrou em cinco anos. No terceiro trimestre de 2019, alcançou a marca de 44 mil pessoas.

Hoje, estar preparado não é mais ter um diploma na mão mas possuir certas habilidades e competências, componentes que nem sempre as escolas desenvolvem  nos seus alunos.

Por paradoxal, o número de professores que pedem para sair da mais prestigiada universidade do país deu um salto nos últimos três anos.

De 2017 a 2019, 73 docentes pediram exoneração da USP, e 70 solicitaram afastamento não remunerado, mostram dados obtidos pela Folha após pedido feito com base na Lei de Acesso à Informação.

A rigor falta mesmo é boa dose de empreendedorismo advindo da falta de educação, de conhecimento, de leitura tudo abarcado pela comunicação. Até parece que a condição de competitividade já não existe mais entre os homens quando o que já se vê é sim entre o homem e a máquina, os robôs, a inteligência artificial dominando  o que no passado era impensável. Agora sim, daqui pra frente teremos grandes dificuldades, a se profetizar o que os agourentos andam dizendo. Isso de competitividade teria alguma condicionante étnica e que alguns povos são mais aguerridos do que outros?. Lembro-me de uma expressão corrente nos cursinhos que das vagas no vestibular os nipônicos preencheriam todas.

Em alguns momentos contemplativos sou flagrado observando a falta de apetites pessoais, ninguém mais interessado pelo sucesso, mas estando sob os domínios do medo, do fracasso e da letargia, como que antecipando a entrega e a derrota.

Como tudo tem relação e conexão, como uma enorme sinapse entre neurônios, nisso reside, com certeza, as desigualdades que estão se avolumando e agigantando. E, onde falte a educação é quando os governos têm de intervir severamente, como única maneira de evitar o desequilíbrio social e por  consequência  o desemprego. Um flagelo familiar.
Pouco dotados de iniciativas ou proativismo sempre caminharam em zonas de conforto com uma pitada de coitadismo insuportável, numa constante dependência social, seja de parentes, seja de entidades, seja do governo. Pouco somaram à coletividade, ao contrário, subtraíram chances e oportunidades dos que não se vitimizaram por absoluta “falta de sorte”.
Desemprego não é situação de hoje nem de ontem e o empenho por uma vaga no mercado de trabalho sempre foi muito acirrada e é um fenômeno mundial, mais relevante nos países em desenvolvimento.

Os teóricos relacionam  os tipos de desemprego:

Estrutural: característico dos países subdesenvolvidos, ligado às

particularidades intrínsecas da economia.
Tecnológico: atinge sobretudo os países mais avançados resultando na substituição do homem pela máquina. É representado pela maior procura de técnicos e especialistas, com a queda dos trabalhos braçais.

Conjuntural: também chamado desemprego cíclico, característico da depressão.

Friccional: motivado pela mudança de emprego ou atividade.

Temporário: forma de subemprego incidente em regiões agrícolas em razão da sazonalidade do trabalho.

 

Para vencer esse demónio do desemprego, que pode nos levar a um apagão de mão de obra no País, e por consequência limitar nosso crescimento,  levantamento feito pela empresa Korn Ferry mostra que o número de vagas abertas nas empresas ou preenchidas por pessoas com qualificação abaixo do ideal pode chegar a 2 milhões. Como se vê, não é o caminho ideal pois são vagas sem relevância e o demônio não pode ser abatido com flechas mas com bytes.

Importante mesmo é destacar que a economia mundial vive hoje a 4ª. Revolução Industrial, que está transformando as características do trabalho na maior parte dos países mas o jovem brasileiro, um dos mais conectados do mundo, não reconhece como necessidade a formação nas áreas de tecnologia e inovação.

Confirmando o cenário, pesquisa inédita da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), depois de ouvir 2.015 jovens de 16 a 29 anos em todo o país, mostrou que apenas 20% deles entendem que o emprego do futuro terá como base as tecnologias de ponta. Num contraponto, o professor e historiador israelense Yuval Noah Harari enfatiza que a tecnologia vai criar uma massa de pessoas sem utilidade do ponto de vista dos sistemas financeiro e econômico. Está aí um enorme problema para o governo.

A grande pergunta de hoje é quem terá emprego na era das máquinas, o emprego é de quem? Essa é a indagação de um trabalho recente da Universidade de Brasília (UnB) sobre o avanço da tecnologia no mercado de trabalho brasileiro. A resposta é complexa mas quase certo afirmar que parte das ocupações conhecidas serão radicalmente transformadas ou extintas, dando lugar a dispositivos dotados de Inteligência Artificial. Outras serão criadas e a capacidade de ocupá-las é o que fará a diferença entre emprego e desemprego no futuro.