Socorro

17 fev

Prof. Roney Signorini
Consultor & Assessor Educacional
signorinironey1@gmail.com

Essa é a palavra que de algum tempo a sociedade vem falando para dentro, aquela atitude tresloucada de quem fala pra si mesmo, pra dentro, mas a vontade mesmo é de gritar, e bem alto. Embora contidos, os brasileiros não escondem insatisfações, angústias que se materializam nos infortúnios diários.

Isso pelos descalabros maiores, como as tragédias de Mariana e Brumadinho, promoção da Vale[1], a boate  Kizz e tantas outras que fogem da mídia mas escancaram a negligência, o descaso, a presunção, seja no meio público, seja no privado. A incúria domina e se arrasta como um monstrengo que ainda vai ceifar mais vidas

O caso dos dois viadutos atingidos por degradação estrutural em São Paulo também são bons exemplos. E por aí vai, sem se falar na roubalheira contínua e constante, assaltando os cofres públicos, como o caso do INSS, dos fundos de pensões, hoje todos quebrados, das falcatruas políticas que levam de roldão um absurdo de dinheiro sob corrupção deslavada. Da merenda escolar ao desvio do Rio São Francisco.

E a mídia, fogosa, muitas vezes afoita, não como antes, agora não espera nada para confirmar fatos e comprovar veracidades. É um vale tudo pela manchete da primeira página.

Estamos mal na fita como dizem os mais jovens, aliás, os primeiros interessados desse circo de horrores que lhes apresentam na TV, no rádio, nas revistas e nos jornais pouco lidos.  E não seria diferente ao verem o mundo em total desencanto, um u8niverso ao avesso, mostrando entranhas pútridas que não têm cura, sem salvação, salvo se decepadas, extirpadas a ferro e fogo já que estão gangrenadas.

Há reclamos de toda parte quanto a profissionais nas áreas médicas, engenharia, economia, odontologia, advocacia, administração e não seria diferente no nicho que mais nos interessa: a educação. Tudo vai de mal a pior.

Quem resolve, quando resolverá? Ninguém, nunca. A turma do “deixa pra lá” é uníssona, é recorrente a cada absurdo social que nos surge todos os dias, a todo momento e uma canseira infernal nos domina levando a todos ao berço por insuportável a carga emocional, a desfaçatez, o inconformismo, a repulsa.

Mas, é claro, nos permitimos isso, aceitamos isso, concordamos com isso de há tempos e nos arrastamos, todos juntos, pelo lodaçal da conveniência, da admissibilidade e concordância  porque afinal tínhamos também de levar vantagens. Deixamo-nos prostrados diante das desventuras nacionais, uma após a outra, no “laissez faire, laissez passer. E agora, José?, diria Drummond.

E o pior do cenário cinza é que ele vai ficar preto para o futuro porque não temos(remos) condições de  frear a tudo isso, a pouca-vergonha, a falta de escrúpulos, a sordidez, o oportunismo e o interesse escuso, a malversação, a ganância que não se consegue deter por leis, por um judiciário firme.

 

[1]Quando Fabio Schvartsman assumiu o comando da Vale em 2017, ele sugeriu um lema para a maior mineradora de ferro do mundo, virando a página de um desastre na barragem de rejeitos que atingiu uma pequena cidade de Minas Gerais anos antes: “Mariana nunca mais”.

Essa e muitas outras grandes promessas de Schvartsman agora parecem ter sido jogadas no lixo, num buraco, num lixão, numa cloaca.