Conteúdos (programáticos) atualizados

1 mar

Prof. Roney Signorini
Consultor & Assessor Educacional
signorinironey1@gmail.com

 Conteúdo programático é o conjunto de conhecimentos que o aluno tomará contato em seus estudos.  Objetivamente, é o que a escola deve levar o aluno a conhecer. Quando se quer especificar quais as partes das áreas do conhecimento humano vão ser abordadas, usa-se o nome de conteúdo programático: é aquilo que fará parte de um programa de estudos.

Assim, numa boa escola a palavra mais corrente é conteúdo, o intrínseco, do âmago, o cerne da questão, a parte mais íntima ou fundamental, a essência. e que é demais importante não há dúvidas. Afinal, se não tem conteúdo é porque está vazio. E, se tem conteúdo mas não tem significância não vai mudar nada. Advirto aos vestibulandos que antes da escolha pelo curso/faculdade conheçam os conteúdos das disciplinas das escolas onde estudarão.

Depois da leitura de ótimo artigo do professor Rui Fava – Educação do Século XXI Requer Menos Ensino e Mais Aprendizagem, entusiasmei-me com o tema e ele inicia o texto batendo com a mão aberta: “A educação para o século 21 é um negócio dedicado à aprendizagem e não ao ensino.” Para ele, nas últimas décadas, as pesquisas em psicologia cognitiva e neurociência aumentaram muito a compreensão de como as pessoas aprendem, embora no país a educação não tenha acompanhado a contemporaneidade.  E ele adverte que muitos educadores, oponentes da ideia do pensamento crítico, a resolução de problemas, criatividade e desenvolvimento de projetos irão corroer o ensino conteudista. E ele conclui sabiamente: “Nenhuma geração pode escapar da responsabilidade de aprender o que o mercado e a sociedade requerem.”

Motivado, resolvi falar um pouco sobre CONTEÚDO(S), os vários, sem esquecer das propostas contidas nas Novas Diretrizes Curriculares, que norteiam ao final do curso o que vai ser pedido  no ENADE. Elas, atuais ou não, serão implacavelmente aplicadas nas questões. Lembrar que o pai das NDCs é o CNE, portanto, (ir)responsável pelo que aí está. Anacrônicos ou não.

Na educação, sempre nos tornamos escravos de conteúdos, de tudo, a partir do que consistiria a essência para tratar determinada disciplina, via currículo.

Afinal, o que é um currículo senão um conjunto de saberes e conhecimentos agrupados em cada disciplina? Todo conteúdo tem uma espoleta que deflagra na medida de intersecções, de cruzamentos expressando utilidades e aproveitamentos na inter e multidisciplinaridade. E mais, sempre contemporâneo mediante supressões e aditivos de atualidades. São demais dinâmicos, nada estáticos.

Um pouco além da escola/educação, uma das frases mais ditas por profissionais de Marketing Digital é “O conteúdo é o rei”. Por certo o leitor já ouviu a expressão em algum momento e se questionou se há certeza nisso. Há algum tempo Gary Vaynerchuk, um dos maiores gurus das mídias sociais e empreendedor de sucesso, que investiu em ideias como o Tumblr, disse o seguinte: “Se conteúdo é o rei, o contexto é Deus”.

Para Leonardo Pereira Cruz esse pensamento ilustra bem o novo momento da comunicação online: “Quando o desktop era o principal equipamento para acesso online, ficava mais simples prever com alguma certeza qual seria o contexto no qual  o usuário iria consumir determinado conteúdo. Ele deveria estar sentado em sua casa ou no trabalho. Mas e agora? Quando o usuário é impactado em seu smartphone ou tablet, onde ele está? O que está fazendo? Quais são seus desejos?”

Hoje, ferramentas de Web Analytics, como Google Analytics e Adobe Omniture, não são mais suficientes para criar o melhor conteúdo para o usuário. A cada dia que passa, análises netnográficas obtidas a partir de insights de redes sociais e de ferramentas como o Socialbakers, em conjunto com dados de Back Office, mostram que os consumidores possuem perfis variados e que a tentativa de agrupá-los é ineficiente. No futuro será essencial entender o consumidor e tratá-lo como indivíduo e não como um grupo de pessoas que consomem informações de uma mesma forma. Parece que estamos falando não do mundo virtual mas do ensino e aprendizagem, conceito hoje de uma atualidade incomum pois cada aluno é um aluno

Continuemos a falar de CONTEÚDOS, quando o que mais importa é a relevância do conteúdo escrito. Para o Google, o mais importante é que sejam confiáveis e relevantes. Mas cuidado, a inteligência artificial do Google está cada dia mais avançada a ponto de conseguir identificar em qual contexto a palavra-chave foi inserida.

A Agência Linka é uma das mantenedoras do Digitalks, que promove uma série de iniciativas para inovação e aprimoramento do mercado digital no Brasil e até mesmo no exterior. Com isso está sempre à procura de tudo que os especialistas de diversos setores do marketing pensam, como enxergam o mercado e como pretendem inovar. A busca incessante é a de conteúdo.

Bruno Belardo, Diretor de Estratégia de Marca do Buzzfeed, revela algo de extrema importância : “Conteúdo não é brincadeira, não é qualquer um que pode fazer, é uma ciência”.

Virando a proa em 180 graus, no mundo da educação, vale a pena navegar pelos mares dos conteúdos programáticos das disciplinas a identificar a obsolescência deles a propor um revigoramento para a boa saúde do(s) curso(s), evitando a mesmice e o anacronismo de gente perpetrando tudo igual sem um mínimo de atualidade, inovação, modernidade, tudo somado mas ausente a criatividade. Vide as NDCs do CNE.

São os ocos que ainda proliferam em quantidade, ignorando os custos das “viradas” e transformações sem as quais não há mudanças, a iniciar pela reforma de conteúdos que poderão ser motivo de sucesso para o estudante, para o docente, para a instituição, para o mercado de trabalho que, conforme têm demonstrado as campanhas de arregimentação, promovidas por sindicatos, associações e semelhantes, vagas existem mas  acabam não sendo preenchidas.

Tudo por causa da pouca qualificação, sem quaisquer competências ou habilidades que empregadores tanto procuram e precisam.

O prevalente de um bom conteúdo é o que foi considerado explicativo, relevante e esclarecedor para o público leitor/aluno que o acessa para estudar o assunto.

01Não nos iludamos: ao currículo com disciplinas compondo-o,  se lhe faltar coerência conteudística, consistência, inter  e transdisciplinaridades, além de atualidade, vai se apresentar como o “ouro dos tolos” ou “ouro de gato”, um mineral do enxofre denominado pirita. O aspecto da pirita, como a cor e o brilho, lembra muito o ouro nativo mas pode enganar muitos iniciantes.