Um moto contínuo da história e da inovação

1 mar

Prof. Roney Signorini
Consultor & Assessor Educacional
signorinironey1@gmail.com

 Onde começa o zero do círculo/circunferência também termina o trezentos e sessenta graus, assim como onde terminam as 24 horas do relógio também começa o zero hora.

O honorável professor José Goldemberg, nem tanto otimista, vem falar do “Fim da História e da Inovação” em seu brilhante artigo, no Estadão, do dia 20, recheado de muita cultura e inteligência, como sempre.

De início, ele se apoia no cientista político norte-americano, Francis Fukuyama com seu livro de enorme repercussão, O Fim da História, sem colocar um ponto final, mas três, as reticências, sinalizando expectativas.

Ele perfila alguns argumentos, com apoio em Francis para tratar do fim da história, na linha do ad argumentandum,  como as duas guerras mundiais, a queda do muro de Berlim, o fim do império soviético, a globalização da economia mundial, a redução de conflitos nacionalistas, restando o desafio real da ascensão do Estado Islâmico, sem no entanto abalar a estrutura mundial. Até a China se incorporou à grande corrente da globalização, apesar das restrições à democracia, mas poderia ter mudado o curso do desenvolvimento da História com um  neo socialismo. O quadro, transportado para a notação musical talvez merecesse alguns compassos de muitas pausas ( silêncio absoluto ) mas sem um finale, que encerra a composição porque a roda da história sempre gira.

Lá mesmo, naquela parte da Ásia vulcânica, há indícios de que a moeda sonante/corrente desapareceu de vez, dando lugar à transação via celular, por meio do espetáculo chamado QR[1]. E, para se ter uma ideia dos avanços, chegam notícias que até miseráveis e pedintes têm no peito um crachá com o QR, para quem queira fazer uma contribuição e assim o valor estará disponível numa agência bancária qualquer.

Em um ponto do artigo o professor Goldemberg parece que espeta o ventre do leitor, e não quer estancar a hemorragia, ao afirmar que assim como acontece com o fim da história,  análises mostram que o mesmo pode estar acontecendo com a tecnologia e com a própria ciência pois estudos sobre isso estão se tornando populares.

Atribui-se à estagnação da economia nos EUA, nas últimas décadas, ao fato de que a produtividade deixou de crescer na segunda metade do século 20, sob o argumento de que isso se deve ao fato de que os avanços tecnológicos mais recentes, na área da computação e informática, não impressionam como os que ocorreram na primeira metade de tal século. Com justa razão porque o presenciado hoje são apenas pequenos aperfeiçoamentos, só de caráter comercial ou cosmético.

O que hoje está nos jornais diz respeito à inteligência artificial, automóveis sem motorista e viagens espaciais, discutindo-se sobre suas reais utilidades e necessidades. Outros saltos podem estar bem distantes.

Inegavelmente, a qualidade de vida do século 20 melhorou muito se comparada à do século anterior, daí perguntar se a tecnologia empregada para garantir um melhor nível de vida a todos também não teria atingido seus limites. Assim como, se não teremos atingido os limites nos conhecimentos científicos sobre a natureza. Essas são as bases das propostas reflexivas de Goldemberg e é preciso muito fôlego para contestar. Quem se dispõe?

Na Alemanha, no início de 1932, no ocaso da República Social Democrata de Weimar, era impressionante a sensação de se estar vivendo um tipo de crise final. Ao menos uma crise objetivada a um desfecho cataclísmico. Assim como que resvalando a irresponsabilidade absoluta, como se a Alemanha era de per si e o resto do mundo não existisse. Afinal era um começo cujo final só viria anos depois, se é que veio e chegou porque mal termina um conflito inicia-se outro. Em tudo e para tudo na vida, continuamente compondo a história que, afinal, nunca teve e nem terá um fim. Ela sim é um moto contínuo, girando sempre no eixo das ciências.

A nós importa muito relevantemente a questão da inovação quando está tudo a parecer que, ao menos os intelectuais de hoje, estão apostando todas as fichas no fim de tudo, que está à frente o grand finale  dos tempos. Ledo engano, não está.

Outro pessimista, ou melhor, finalista,  conforme o professor Goldemberg, é John Horgan, para quem, em seu livro O Fim da Ciência diz que “a ciência avançou de forma tão dramática na primeira metade do século 20 que não é razoável esperar que esses avanços continuem depois que desenvolvemos transistores, lasers, GPS, energia nuclear e tantas outras tecnologias baseadas nas descobertas revolucionárias da mecânica quântica e da relatividade.

Para mim, nem a história, nem a inovação têm um epitáfio pronto e jamais terão, até porque, o ser humano é investigativo/curioso por natureza, desde o princípio dos tempos, e assim continuará, descobrindo e inventando ainda que como bom contador de histórias sempre tenha uma com final  mas seguindo para a próxima, desde o Gênese.

Ainda descobriremos na plenitude a cura do câncer, entenderemos totalmente o código genético e muitas outras assombrações.

Por certo não haverá um fim da história, da inovação e da ciência porque não são feitas de sal nem olham para trás.

QR[1] Código QR (sigla do inglês Quick Response, resposta rápida em português) é um código de barras bidimensional que pode ser facilmente escaneado usando a maioria dos telefones celulares equipados com câmera. Esse código é convertido em texto (interativo), um endereço URI, um número de telefone, uma localização georreferenciada, um e-mail, um contato ou um SMS.