Algumas características do mercado de trabalho do futuro

22 mar

Prof. Roney Signorini
Consultor & Assessor Educacional
signorinironey1@gmail.com

 No mundo animal só os seres humanos têm curiosidades, aspiram e sonham, desejam o novo, disputam por excelências, guerreiam pelo poder e por aí vai.
Conforme disse em artigo anterior, ao finalizar o conteúdo da educação do futuro, eu traria um cenário do que pode vir a ser a questão da empregabilidade, melhor dizendo o futuro da trabalhabilidade.

Todos os dias, o mercado de trabalho passa por processos de transformação. Assim como a sociedade de modo geral, o meio corporativo e as tarefas do dia a dia são impactados pelo alto e rápido desenvolvimento da tecnologia e da ciência.

Abaixo, a Michael Page (1) apresenta 8 características do mercado de trabalho do futuro, algumas que já acontecem e outras que ainda estão por vir. Confira:

 

1 – Mais concorrência profissional
As empresas irão selecionar o candidato mais atrativo para a vaga em questão, sem se importarem com gênero, idade ou com o lugar onde este profissional vive – mesmo que seja a quilômetros do escritório.

2 – Adeus trabalho de uma vida inteira
Os profissionais serão, cada vez mais, internacionais e buscados para trabalharem em projetos específicos. Portanto, a troca de emprego será algo mais do que normal, será preciso.

3 – Maior estudos
Para serem bem remuneradas, as pessoas terão que estudar mais e mais. Graduações e MBAs não serão diferenciais. Cursos pontuais e reciclagens ditarão o futuro educacional.

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4 – Escritório onde você quiser
No parque, no café, em casa, em um coworking… Trabalhar de qualquer lugar fora do escritório será mais do que permitido, será uma ação encorajada. Networking, novos negócios e bem-estar para o profissional são somente alguns dos benefícios com a prática.

5 – Mudanças de horários
Mais flexibilidade e maior preocupação com o bem-estar do funcionário entrarão para os temas de fiscalização de órgãos governamentais.

6 – Desenvolvimento tecnológico
A demanda e procura por profissionais qualificados para lidar com novas tecnologias passará a aumentar de maneira considerável. Mecanismos (e colaboradores) que permitam maior produtividade e mudanças nas relações de trabalho como conhecemos atualmente serão muito, mas muito valorizados!

7 – Globalização econômica
Faz tempo que ouvimos sobre a globalização, não é mesmo? A geografia não é mais um limite e, devido aos avances tecnológicos e logísticos, o comércio exterior estará ainda mais interligado. Novas rotas comerciais, maneiras de entrega, gestão de pedidos, e-commerce… Um mundo a parte será criado para dar conta de tanta inovação.

8 – Novas profissões
Irão surgir novas tarefas para profissões que ainda estão por vir. Curioso, não? Fruto da evolução científica e tecnológica, cerca de 70% das crianças de hoje em dia trabalharão em profissões que ainda não existem concretamente.

Com tal cenário, para início, cabe perguntar se não estamos nos adiantando muito, criando expectativas ficcionais que não se concretizarão, se as relações de labores se darão como hoje, com todas as suas retrógradas características da CT(carteira de trabalho) assinada pelo patrão, isso de sindicatos e associações, questões trabalhistas, tributações e impostos incidindo sobre o resultado no salário ou que outro nome se dê pela troca ou escambo, retenção de imposto de renda na fonte, comissões ou corretagens, etc. etc.

Para Vanderlei Raffi Schiller “o  mundo do trabalho está mudando rapidamente. Automação e Inteligência Artificial (IA) são as estrelas sobre as quais uma onda de mudanças sem precedentes vem acontecendo, gerando um movimento de expectativas e demandas das pessoas e das organizações. Recentes pesquisas têm revelado o seguinte:

– O mundo do trabalho vai depender cada vez mais, além das habilidades técnicas, de um conjunto bem mais desenvolvido de habilidades essencialmente humanas. Empatia, inteligência emocional, criatividade, colaboração, comunicação, estão entre as mais requisitadas. Os recrutadores têm, no entanto, um grande desafio, que é o de identificar essas habilidades, não tão evidentes e normalmente mostradas em situações reais de trabalho.

– A flexibilidade dos esquemas de trabalho tem crescido, juntamente com a evolução das regulamentações a respeito. Quanto mais rápido as organizações se adaptarem a esse cenário, mais competitivas serão, aumentando sua proposta de valor do emprego e sua marca empregadora. A tecnologia é a grande habilitadora, a base geográfica das pessoas se tornou cada vez menos importante, mas a mudança de atitudes está gerando uma ressignificação do conceito de um “trabalho para quase toda a vida” para “maior equilíbrio”, exigindo assim flexibilidade. Para as organizações, é uma oportunidade de reduzir seus custos com locais de trabalho.”

Estão cada vez mais sob a mira dos códigos de conduta e regras de compliance  o bullying e outras formas de assédio, estabelecendo apoio e inclusão nas culturas organizacionais. Isso fortalece aqueles que precisam de ajuda e aplicando uma gestão de consequências que deve  prover novos contornos ao ambiente organizacional.
Quase certo que o segredo das  remunerações pagas lentamente desaparecerá. O propósito é buscar reduzir a negatividade e a suspeição, aumentando  a transparência, além de vir em benefício da redução da desigualdade de gêneros, bem como da melhoria do ambiente de confiança.

Schiller também é crítico, com razão, ao afirmar que “Possíveis soluções para o futuro estão nascendo a partir das inúmeras discussões e alguns temas são relevantes como repensar a educação porque mudanças tecnológicas geram necessidade de aprendizagem de novas habilidades, rapidamente. Nosso sistema de educação é muito lento na resposta às mudanças. Se a aprendizagem não acompanhar o ritmo das mudanças, o risco é a obsolescência. Além do mais, o nosso sistema deveria equipar as pessoas com habilidades as quais as máquinas não fazem, como empreendedorismo, trabalho em equipe, curiosidade e adaptabilidade. Para o futuro, as habilidades serão muito mais importantes que o “pedigree” do curso universitário.”

Flexibilidade e liberdade serão condições imperativas pois trabalhar num escritório nem sempre será possível, nem prático. As organizações poderão se beneficiar da otimização entre humanos e Inteligência Artificial, reimaginando processos de negócios, experimentando e redesenhando o trabalho para incorporar a IA desde que reputem o valor da colaboração..

Schiller finaliza suas colocações com esmero exemplar: Importante fixar o significado do trabalho, que representa para os indivíduos não apenas a forma de ganhar a vida, mas importante fonte de identificação ante seus grupos, pares e sociedade como um todo, constituindo forma de inserção social. O sentido do trabalho engloba várias perspectivas psicológicas, sociais e econômicas, que não se alteraram com o passar do tempo, de forma que são as profissões que estão se tornando redundantes, não as pessoas; e ao final, não será a tecnologia, mas sim as pessoas que delinearão o futuro do trabalho.

(1)A Michael Page é uma empresa de recrutamento especializado em executivos para média e alta gerência, fundada na Inglaterra em 1976 por Bill McGregor e Michael Page. O rápido crescimento da empresa deu origem a abertura de novos escritórios planetários. Em 1979, a Michael Page era já a maior empresa de recrutamento a publicar no Financial Times, fornecendo seleção profissional e serviços de recrutamento para áreas de contabilidade e finanças dentro de clientes industriais, comerciais e escritórios.

(2) CEO e sócio fundador da HR OFFICE CONSULTORIA DE GESTÃO