O futuro não começa amanhã, já começou

22 mar

Prof. Roney Signorini
Consultor & Assessor Educacional
signorinironey1@gmail.com

 Fui levado a uma tarefa por diversos leitores consistindo em que eu amplie um pouco mais isso de situar a educação no futuro, ou como queiram, o futuro da educação, sem esquecer que há inúmeros tratadistas, intelectuais e gente do setor muito preocupada com os cenários, porque passa transversalmente pelo trabalho/emprego.

Ou seja, o assunto é tão polêmico e apaixonante que arrasta muita gente de roldão, digamos, a partir das famílias, dos filhos-estudantes, universitários ou não, dos docentes, das diretorias de ensino, dos coordenadores e reitores. A lista é grande e porque não também acrescentar, embora na outra ponta, empresários, industriais, gente do comércio e do setor de prestação de serviços? É gente que propicia o trabalho/emprego na relação dual da sobrevivência.
A grande missão não é descobrir o futuro mas como pavimentar a estrada dele, exigência refinada que passa que passa por disponibilizar recursos e tecnologias garantindo que o aluno aprenda tudo que lhe é passado pelo professor-mediador.
As enormes mudanças, estas sim como grandes mudanças visando a aprendizagem dinâmica, perpassam o presente com o avanço da Inteligência Artificial(AI), a Realidade Virtual, a robótica, a Internet das Coisas ficando claro que as tecnologias são competências a cobrar do novo ensino. Mas, entretanto, os professores estão preparados para assumir tal responsabilidade, estão capacitados para aplicar em sala de aula ou fora dela os requisitos indispensáveis para por esse foguete no ar?
A jornalista Débora Garofalo diz que “A formação dos professores é essencial para acompanhar tamanha maré de desenvolvimento. As políticas públicas deverão dar suporte para que isso ocorra, repensando o processo educacional e permitindo que criatividade e inventividade invadam as salas de aula. Com a inclusão de ferramentas digitais, o poder público precisa entender a prática docente como uma atividade transformadora cujo papel é mediar o conhecimento.”
E ela aplica muita ênfase, do tipo categoricamente incisiva, ao afirmar que

“Por outro lado, é preciso que os docentes renovem suas práticas pedagógicas. Como? O professor deve ter o olhar para essa revolução, estimulando múltiplas redes de aprendizagem, permitindo uma gama de associações e de significações entre a escola e a comunidade do entorno.”

Para concluir que “Ainda que as transformações não ocorram na mesma velocidade na Educação, já é possível perceber avanços como no learning by doing, em que o aprendizado segue na mesma linha dos espaços makers – priorizando uma educação através da vivência e experimentação, resgatando o conceito de jardim da infância.”

Até pouco tempo tínhamos a sensação de que algumas tecnologias jamais sairiam do papel, do plano da ficção. Mas hoje é comum ouvirmos sobre descobertas revolucionárias aplicadas não só ao dia a dia das empresas, mas que têm se mostrado promissoras dentro da proposta da Educação 4.0.

Realidade virtual ou Aumentada (1), Internet das Coisas e Inteligência Artificial são alguns exemplos dessas tecnologias. Porém, o preparo do professor para lidar com esse novo cenário é ainda mais importante para realmente revolucionar as salas de aula e preparar os cidadãos do Século XXI.

Para tal é preciso abordar o que seja a Educação 4.0 e quais são as principais habilidades que os professores precisam ter nesse novo contexto. Trata-se de um novo modelo educacional pensado para atender às necessidades da Indústria 4.0, uma tendência que automatiza totalmente a produção por meio da comunicação entre máquinas, sistemas e sensores que promete revolucionar a manufatura.

Ainda conforme a jornalista, “O professor 4.0 deve ter percepção e flexibilidade para assumir diferentes papeis: aprendiz, mediador, orientador e pesquisador na busca de novas práticas. Ele deverá criar circunstâncias propícias às exigências desse novo ambiente de aprendizagem, assim como propor e mediar ações que levem à aprendizagem do aluno. Para isso, é preciso ter metas e objetivos bem definidos, entendendo o contexto histórico social dos alunos e as dificuldades do processo.”

Para Marta Relvas, doutora em Psicanálise e membro efetiva da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento, “a sala de aula passa a ser considerada o ambiente para aquisição dessas novas possibilidades tecnológicas, por meio das metodologias ativas e híbridas”. “O professor deixa de ser o detentor do saber e torna-se um colaborador da aprendizagem discente, necessitando o conhecimento de aplicativos básicos eletrônicos para ser capaz de exercer sua função”, afirmando ainda que  o professor também tem que dominar e usar computadores, projetores de multimídias, quadros interativos, tablets, smartphones e outros equipamentos tecnológicos tanto no seu dia a dia para estudar, quanto no processo de interação dos conteúdos das aulas.

Como se vê, temos ainda um longo caminho a percorrer, por primeiro capacitando docentes para em seguida capacitarmos os estudantes, provendo-lhes habilidades e competências inerentes às atividades/profissões do futuro.

Mas isso não é tudo, conforme o GutenBlog que indica ao menos quatro habilidades que o professor precisa(rá) ter no seu labor e com isso se preparar para ser agente dessa transformação.

  1. Desenvolvedores de competências

O professor deixa de ser o especialista em determinado conteúdo para se tornar um propulsor para o desenvolvimento de competências. Mais do que apoiar na construção de conhecimentos na relação de ensino-aprendizagem, ele deverá usar metodologias ativas para conduzir a jornada de descoberta dos estudantes, auxiliando-os na busca de informações, geração de soluções e avaliação do trabalho realizado.

 

  1. Líder-pesquisador

As salas de aula se tornam um espaço para a construção de soluções. Portanto, o educador precisará abandonar a abordagem educacional convencional. Ele deixará de ser um expoente do conhecimento para se tornar um líder-pesquisador. Novos problemas surgirão a cada dia, exigindo que tanto os estudantes quanto o professor estejam engajados na busca por alternativas. Por isso, é um processo de descoberta para todos os envolvidos, e não só para os alunos.

  1. Usuário da tecnologia

Muitas das soluções propostas pela escola 4.0 envolvem a tecnologia. Por essa razão, o professor desse modelo também deve dominar as ferramentas necessárias para as atividades propostas e servir como um mediador para a execução dos projetos desenvolvidos pela turma.

  1. Promotor do bom convívio e tolerância

No entanto, a Educação 4.0 não se restringe a uma visão tecnicista do ensino. Ela entende que a escola continua com um papel essencial na formação de cidadãos críticos e conscientes. Uma das formas de fazer isso é provocando-os a solucionarem problemas reais e contribuírem para o bem da sociedade.

Além desse fator, o educador pode usar projetos colaborativos para promover a sociabilização, a capacidade de trabalhar em equipe e o desenvolvimento de tolerância quanto às visões e comportamentos diferentes.

 

E isso nos leva ao artigo da próxima semana ao tratar dos mercados de trabalho, seus desenhos e suas exigências.
(1) Em 1995, quando Bill Gates publicou A Estrada do Futuro, as possibilidades descritas no livro pareciam utopia. O autor falava que o professor poderia, por meio da internet, trazer praticamente qualquer informação aos seus alunos com textos, vídeos e imagens da rede.

Porém, estamos perto de vivenciar uma revolução ainda mais profunda: com a realidade virtual na sala de aula, será possível levar os estudantes até qualquer lugar do Universo, desde a microscópica célula até um planeta distante.

Realidade virtual é, assim, uma tecnologia que permite a imersão do usuário em um ambiente virtual, por meio de um sistema computacional. Equipamentos e sensores estimulam os sentidos do usuário, simulando diversas situações.

À medida que induz efeitos visuais, sonoros, táteis e sensações relacionadas à localização e posicionamento, o usuário experimenta uma imersão completa no ambiente simulado. Ele pode interagir ou não com os objetos presentes, dependendo da configuração do recurso.

Essa tecnologia já é usada no entretenimento há algum tempo, tendo um papel cada vez mais destacado no mercado de games. A título de exemplo temos as montanhas-russas virtuais. O usuário pode, por meio de um dispositivo, ter as mesmas sensações de alguém que está no parque de diversões, mesmo que fique sentado em um banco convencional. www.gutennews.com.br