A UNESCO e o futuro da educação

29 mar

Prof. Roney Signorini
Consultor & Assessor Educacional
signorinironey1@gmail.com

 Um dos organismos mais qualificados a falar sobre o futuro, em especial sobre a educação, não há dúvidas, é a UNESCO.

Mas, ao que tudo indica, ao longo dos anos, a consideração dos parâmetros e paradigmas estão mais para os países desenvolvidos e menos para os em desenvolvimento, claro, por razões econômicas (investimentos, financiamentos, dotações, etc. etc.). Fundamentalmente há que se cotejar IDH e outros índices que permeiam as possibilidades educativas de um país. É um peso difícil de carregar ao considerarmos as idas e vindas, os altos e baixos da economia nacional, tornando o carga vulnerável à simples oscilação dos mercados, com a perda de receita tributária e a diminuição do PIB..

Seja o cenário branco, cinza ou negro, o Brasil contabiliza, pelo governo federal,  108 instituições de ensino superior. E 68 delas são universidades, 38 são institutos (instituições ligadas ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia) e 2 são Cefets (Centros de Educação Tecnológica).
Em razão de “viver” a educação por dezenas de anos tenho muita reserva a isso de diagnósticos e prognósticos permeando o ensino como que vaticinando

o conhecimento, conteúdos e propostas tudo por conta da inovação, da mudança e da transformação. Nada de se predizer ou adivinhar o futuro. Isso de profecias fica para Cassandra sobre a destruição de Troia. Isso de poder acontecer precisa ter base na realidade atual que não é nada satisfatória.

Para a UNESCO, inserido no cenário institucional da educação brasileira, o Conselho Nacional de Educação (CNE) do Ministério da Educação (MEC) tem o importante papel de contribuir para a concepção de políticas públicas educacionais que estabeleçam um padrão de qualidade para a educação brasileira. Um dos desafios da atual agenda educacional é, justamente, pensar metas e ações para a década que se tem à frente(2020-2030). Aqui, não se trata apenas de prospectar o futuro, mas de entender as tarefas complexas e urgentes que já se colocam no presente, auscultar as tendências e os movimentos estruturais da economia, da sociedade e da cultura, demarcar alvos e pensar em estratégias. Uma tarefa dessa envergadura exige esforços coletivos, bem como o debate aberto e franco de ideias e proposições.

Nós, da ABMES compartilhamos com tais preocupações.
Nos anos recentes, países de todo o mundo vêm debatendo a possibilidade de promover alterações em seus sistemas de educação superior (ES) e de pesquisa, no sentido de estimular e desenvolver novas formas de aprendizagem e de produção, gestão e aplicação do conhecimento. Nesse contexto, têm sido colocados em xeque a contribuição e o papel dos sistemas e das instituições de educação superior (IES) na transmissão, produção e disseminação de conhecimento com compromisso e responsabilidade social, e com atenção aos desafios globais e à construção de sociedades mais justas e igualitárias. Essa discussão tem revelado a necessidade de mudanças, no sentido de construir sistemas e instituições de ES que promovam a equidade e o desenvolvimento dos mecanismos de inclusão social, ao mesmo tempo mantendo a qualidade da formação. Nessa perspectiva, têm sido indicadas como estratégias a ampliação de redes acadêmicas, bem como a construção de novos modelos e possibilidades de aprendizagem, de pesquisa e de inovação. No contexto nacional, o debate sobre o sentido e a pertinência social da educação superior tem sido bastante estimulado por muitos eventos recentes e com isso somar uma série de reflexões sobre as principais demandas e desafios da política de educação superior.

A análise de indicadores da educação superior no Brasil, na última década, aponta não só a quantidade, mas também a complexidade dos desafios, especialmente se for mantida a política de expansão de vagas e de promoção da qualidade, para ampliar a democratização e a relação da universidade com a sociedade.

 

Conforme o professor Antonio Carlos Ronca, Pensando nesse conjunto de questões, ele fixa três objetivos básicos para abordar o assunto:
• Ampliar o debate sobre os desafios e as perspectivas da educação superior brasileira para próxima década, e no seu impacto sobre os processos de expansão, considerando as tendências de internacionalização da educação e de diversificação institucionais.

  • Debater a experiência brasileira acerca das novas tecnologias para a educação aberta e a educação a distância (EAD), para o incremento da qualidade do ensino com base em referenciais conceituais e políticos que privilegiem a qualidade acadêmica.
  • Discutir formas de articulação do sistema de IES públicas federais, estaduais e municipais, com vistas a fortalecer o regime de colaboração entre os entes federados, para o aprimoramento da educação superior no Brasil.

Creio já ser hora de irmos às práticas, à efetividade pois os temas até aqui debatidos em congressos, fóruns e demais parecem consolidados a exigirem ação e enfrentamento para a  obra. Eles apontam para a complexidade dos desafios, mas indicam novas perspectivas de atuação. Descortina-se, a partir delas, um cenário multifacetado, com tendências diversas, divergentes e contraditórias. Esses aspectos representam oportunidades de consolidar metas e estratégias que contribuam para atingir o objetivo de expansão da educação superior com qualidade.

Para enfrentar os desafios da expansão qualificada nos próximos anos, precisamos de uma revisão e de uma discussão profunda do atual modelo de educação, considerando sua repercussão, tanto no setor público quanto no setor privado, reconhecendo particularmente o papel e a capacidade de as instituições públicas se reinventarem por meio da reflexão coletiva e do debate qualificado. Isso cabe não somente às IES, mas também às instituições que regulam a educação no Brasil.