As BNCCs vieram para ficar

5 abr

Prof. Roney Signorini
Consultor & Assessor Educacional
signorinironey1@gmail.com

 Recentemente ocorreu em São Paulo o Bett Educar 2019 com extraordinário sucesso de crítica e de visitação. Dezenas de estandes propondo negócios. Meu velho pai diria: “Coisa do Arco da Velha”.

A maioria deles, pra não dizer a totalidade, oferecendo material, subsídios e elementos para tratar da coqueluche do momento: as BNCCs. Essa que deu o que falar, outro sucesso de público e opinião, dado que milhões ofereceram palpites, por largo espaço de tempo e concluíram com um trabalho extraordinário, finalmente, conduzindo ao futuro da educação nacional.
Em visita à feira, detive-me em alguns estandes dando especial atenção  ao  que adotava o slogan “Líder em Mim”. Sua abordagem à questão/problema das BNCCs tinha muito de MKT e Publicidade pois adesivava as bases curriculares aos sete hábitos do slogam, da assinatura.

Antes esclarecendo, o Lider, cuja  metodologia é baseada na vivência dos 7 hábitos  e na quebra de paradigmas, tem relação direta  com o desenvolvimento das competências  socioemocionais  requeridas pelas BNCCs.

Tardiamente, já que o PNE avança pela metade de seu vigor temporal, que é de dez anos, e do qual teremos muitos insucessos. Não cabe aqui analisar a claudicância se por incompetência de governo, de operadores da educação ou por absoluta falta de condições e propósitos.

 

A realidade é que a BNCC bate à nossa porta, e conforme o professor Casali, em texto que me foi retransmitido por professora Cecília Anderlini, “ A BNCC do ensino fundamental, foi aprovada e concluída ano passado e ano que vem, 2020, é o prazo final pra todas as escolas de educação básica implantarem. Muitas editoras e sistemas de ensino já iniciaram a mudança nos seus materiais didáticos. Essa BNCC altera o término do letramento que antes ia até o 3º ano para o 2º ano, muitas escolas e sistemas de ensino entendem que por conta desse adiantamento, o letramento deve então iniciar aos 5 anos e não mais aos 6 anos. Outra questão que ela traz é a inclusão das competências socioemocionais nos currículos, distribuída de forma transversalmente e no sentido horizontal, amarrando todas as disciplinas e voltando-as a trabalharem essas competências. Essa BNCC também inclui o uso de tecnologia nas aulas, como plataformas de ensino com a finalidade de complementar o ensino em sala de aula, mas isso é um tanto contraditório porque o próprio governo não fez investimentos nessa área, e o celular, por exemplo, ainda é um grande problema dentro da escola. São Paulo já anunciou a criação da disciplina socio-emocional com o nome de Projeto de Vida pra atender a BNCC.”

Ou seja, tudo é grande e monumental, tarefa hercúlea a desenvolver.

Mas, estou tremendo nas bases, minhas pernas octogenárias não aguentam o peso da manifestação contundente do professor Casali:

Agora o problema maior está na BNCC do ensino médio, onde a proposta para eliminar a evasão do ensino médio é criar um projeto curricular por trilhas de aprendizagem, de modo que o aluno escolhe ou monte o currículo que quer estudar, levando em consideração que apenas português e matemática é obrigatório, e as outras áreas ficam à escolha dele. Assim, por certo haverá resistências de escolas, principalmente das particulares.

A própria diretoria de ensino não sabe o que fazer, haja vista o alto custo do formato desse projeto, já que corre-se o risco de ter que pagar um professor pra lecionar pra dois os três alunos apenas, além disso, os vestibulares e o ENEM não se pronunciaram a respeito desse projeto, e com isso entendemos que se não há alteração nos exames nacionais, logo a cobrança de conteúdo nessas provas continua igual.
Há um movimento contra a BNCC do ensino pois ela não dialoga com a realidade brasileira, copiou-se o modelo americano, mas completamente fora do contexto, pois lá o ensino é integral, das 8h as 15h horas ou das 9h as 16h algo assim, e aqui a proposta é de aulas das 7h as 13h e o governo chama isso de integral.

Enfim, em resumo, essa é a realidade das BNCC’s, que mostra claramente como estamos afundando o navio da educação brasileira, já que nenhum projeto discute o conteúdo programático das disciplinas e o excesso de academicismo presente hoje na educação dessa faixa etária, com o fator principal da evasão, é a falta de um olhar mais humanizado e político na formação desses alunos (crítica pessoal ).

.Ah!, quem fiscaliza e regula isso são as diretorias de ensino ligadas ao Conselho Estadual de Educação  junto das Secretarias de Educação dos municípios, já que provas como ANA e BRASIL que avaliam a alfabetização são aplicadas pelo INEP”

Enquanto isso, vários sistemas de ensino acalentam propostas em cima das

6 colunas que sustentam as BNCCs, as competências: Comunicação, Trabalho e Projeto de Vida, Argumentação, Autoconhecimento e Auto cuidado, Empatia e Cooperação & Responsabilidade e Cidadania.

Os 7 Hábitos do Líder em Mim conduzem sua metodologia:

Seja Proativo (Você está no comando)
Comece com o Objetivo em Mente (tenha um Plano)

Faça primeiro o mais importante (Primeiro o Trabalho, depois o lazer)

Pense Ganha-Ganha (Todos podem vencer)

Procure primeiro compreender depois ser compreendido (Ouça antes de falar)

Crie sinergia (Junto é melhor)

Afine o instrumento (O equilíbrio é melhor)

Ao meu ver, os 7 hábitos tem relação com a aprendizagem socioemocional, requerida pela BNCC e tem como objetivo promover a melhoria da educação com equidade entre os estudantes brasileiros e desenvolvam a reflexão crítica além do exercício da cidadania.