Desigualdade

3 maio

O Houaiss afirma que a palavra tem datação no século XV mas com certeza a dessemelhança entre coisas e pessoas vem de tempos imemoriais, muito antes da caverna quando o homem já reconhecia inexistir igualdade em tudo. Na última edição da Revista VEJA(15 abril), o jornalista Roberto Pompeu de Toledo inicia seu artigo com a palavra e avança com acidez sobre o Palácio do Planalto e seus inquilinos.

Com uma frase de abertura ele justifica o título “100 milhões”, “É bom que, sob a pressão das circunstâncias, o governo tenha dado números e peso ao Brasil dos desassistidos.” Quase ao final ele despeja um balde: “…com toda a sua alienada insensibilidade, o governo Bolsonaro, empurrado pelo Congresso, teve de reconhecer que será preciso prestar um auxílio emergencial a um contingente de brasileiros que, segundo projeções, poderia chegar a 100 milhões. 100 milhões!”
Se o mundo fosse uma aldeia, a terra em miniatura, e se pudéssemos reduzir a população da Terra a uma pequena aldeia de exatamente 100 habitantes, mantendo as proporções existentes atualmente, seria algo assim: 57 asiáticos, 21 europeus, 8 africanos e 4 americanos.
52 mulheres, 48 homens, 70 não seriam brancos, 30 seriam brancos, 70 não cristãos, 30 cristãos, 89 heterossexuais e 11 homossexuais.

Dentre as 100, 6 pessoas possuiriam 59% de toda a riqueza sendo que apenas 6 seriam norte americanos. Mas, 80 viveriam em condições sub-humanas.

Das 100, 70 não saberiam ler e 50 sofreriam de desnutrição, 1 pessoa estaria a ponto de morrer e 1 bebê estaria prestes a nascer. Somente 1 (sim, só 1) teria educação universitária.

Nessa aldeia haveria apenas 1 pessoa a possuir um computador e assim, ao analisar nosso mundo desta perspectiva tão reduzida, se faz mais presente a necessidade de aceitação, entendimento e educação.
Agora, vamos a uma reflexão: se nos levantamos na manhã de hoje com mais saúde que doenças, então temos mais sorte do que milhões de pessoas que não sobreviveram nesta semana.
Nós brasileiros nunca experimentamos os perigos de uma guerra, ou a aflição da fome, então estamos melhor que 500 milhões de pessoas. E, se podemos ir à nossa igreja sem medo de ser humilhado, preso, torturado ou morto, então somos mais afortunados que 3 bilhões de pessoas no mundo. Se temos comida na geladeira, roupa no armário, um teto sobre a cabeça e um lugar para dormir, somos mais ricos que 75% da população mundial. Se guardamos dinheiro no banco, na carteira ou temos algumas moedas num cofrinho, estamos entre os 8% mais ricos deste mundo.
E é bom saber que lendo este artigo tem-se melhor sorte que mais de 2 bilhões de pessoas neste mundo, que não sabem sequer ler.
A desigualdade entre coisas pode até incomodar mas entre pessoas é inadmissível, intolerável a ausência da educação.

Um inimigo maior que o vírus é o tempo. Não dá pra esperar.