A Escola Agora Vai

10 maio

É uma cultura comunitária e participativa: todos estão aptos a produzir e compartilhar informação, que se transforma em conhecimento, que é passado de maneira informal, lúdica. Há um tema transversal a todo conjunto, muita animação, esforço coletivo para atingir o objetivo proposto e, sobretudo, criatividade para, inclusive, utilizar recursos digitais de encher os olhos. Para manter esse conjunto coeso, há muito teste, muito ensaio, há muita organização e, por que não dizer?, hierarquia. E, no fim, a certeza de que não se pode pensar que se atingiu uma zona de conforto, porque tudo recomeça no dia seguinte e é preciso estar atento à matriz SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats, em português FOFA – Forças, Fraquezas, Oportunidades, Ameaças).

Esse bem poderia ser o cenário de qualquer escola, mas estou falando de uma em especial: a escola de samba.

Escrevo no rescaldo do carnaval paulista deste ano, numa quarta-feira de cinzas chuvosa, pensando no que uma ESCOLA de samba pode servir de exemplo a nós, mantenedores.

Impressiona muito toda a riqueza da conjunção/conjugação de esforços de todos os integrantes da escola de samba que como sabido, inicia por se voltar
ao tema do próximo carnaval, mal findou o tríduo atual. E tudo renovado, a partir do enredo que vai sugerir cores, formas, alegorias e tudo o mais para levar de volta à avenida uma alegria sem igual, pra tudo se acabar numa quarta-feira.

Seria exatamente a renovação o fator imperativo de a todo ano a escola se refundar, explodir em criatividades deixando para trás tudo que jamais será aproveitado para o novo, o carnaval do ano seguinte?

Os líderes da agremiação são autênticos mestres na condução da escola, algumas inclusive com pouco ou nada de recursos financeiros. Atualmente, as prefeituras antevendo vários ganhos com a movimentação turística até cedem um bom volume de dinheiro mas nem sempre foi assim.

José Ramos Tinhorão, um expert historiador da música brasileira, em seu livro “O Samba Agora Vai” conta que no início do século passado pequenos grupos(blocos) ocupavam as ruas e avenidas no Rio de Janeiro com a máxima originalidade, espontaneidade, autenticidade e muita alegria, embora não houvesse tantos motivos para tal. Já existiam os mestres-sala, os porta-bandeiras, os abre-alas, naturalmente, vestidos com muita humildade, sem os adereços de hoje, mas embalados por marchinhas e sambas impagáveis, brotados de originalíssimas autorias.

Seymour Papert um matemático do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), cientista da computação e educador acredita que a melhor maneira de se aprender é participar de comunidades de pessoas que possuem o mesmo interesse, onde os mais e os menos especialistas aprendem juntos, contribuindo para a concepção da comunidade, ajudando-a a crescer, emergir e evoluir. Para Papert a cultura da aprendizagem é tão importante quanto o que se está aprendendo.

À essas comunidades, Papert deu o nome de Comunidades de Prática. Para Papert, as Escolas de Samba do Brasil, são o melhor exemplo de Comunidades de Prática do mundo.

As Comunidades de Prática são formadas por indivíduos que possuem interesse pelo mesmo assunto. Os indivíduos das Comunidades de Prática não são segregados por idade, classe social ou nível intelectual. Todos podem ensinar e aprender juntos, compartilhando seu conhecimento.

As Comunidades de Prática são formadas por Amadores, Profissionais e Especialistas. Todos trazem consigo suas experiências e o aprendizado ocorre quando a troca de conhecimento acontece. Todos saem da experiência sabendo mais do que antes. Mesmo os mais Especialistas aprendem com os Amadores através de seus comentários e perguntas.

Os indivíduos chegam às Comunidades de Prática como amadores, apenas observando o que acontece e à medida que vão se familiarizando e sentindose mais à vontade vão tornando-se mais especialistas e se dirigindo ao centro da Comunidade.

Seymour Papert (Pretória1 de março de 1928 – Blue HillMaine31 de julho de 2016) foi um matemático e educador estadunidense nascido na África do Sul. Lecionava no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Papert estudou na Universidade de Witwatersrand, graduado em 1949 e obteve um PhD em matemática em 1952. Recebeu outro título de PhD, também em matemática, na Cambridge University em 1959, onde foi orientado por Frank Smithies.

Ele foi o teórico mais conhecido sobre o uso de computadores na educação, um dos pioneiros da inteligência artificial e criador da linguagem de programação LOGO (em 1967), inicialmente para crianças, quando os computadores eram muitos limitados, não existia a interface gráfica e muito menos a internet.

Na educação, Papert cunhou o termo construcionismo como sendo a abordagem do construtivismo que permite ao educando construir o seu próprio conhecimento por intermédio de alguma ferramenta, como o computador, por exemplo.

Desta forma, o uso do computador é defendido como auxiliar no processo de construção de conhecimentos, uma poderosa ferramenta educacional, adaptando os princípios do construtivismo cognitivo de Jean Piaget a fim de melhor aproveitar-se o uso de tecnologias.

Em 5 de dezembro de 2006 sofreu um grave acidente, quando foi atropelado por uma motocicleta em Hanoi, no Vietnam, onde estava como conferencista convidado de um congresso internacional.

Papert morreu em sua casa em Blue Hill, Maine, em 31 de julho de 2016.