EAD – reina uma majestade na educação

17 maio

“[…] E deve ser lembrado que não há nada mais difícil para iniciar, mais perigoso para conduzir, ou mais incerto no seu sucesso, que assumir a liderança de uma nova ordem de coisas. Porque o inovador tem como inimigos todos aqueles que se saíram bem nas condições antigas, defensores mornos, aqueles que poderiam se sair bem nas novas. Esse frescor surge em parte do medo dos opositores que têm as leis ao seu lado, e em parte da incredulidade dos homens que não acreditam prontamente em coisas novas, até que tenham uma longa experiência com elas. […]” Nicolau Maquiavel

No bairro Barra do Una, em São Sebastião, no litoral Sul paulista, há um Memorial denominado “18 anjos da linha 12” que homenageia 18 estudantes mortos em 8/06/2016, em acidente de ônibus na serra da rodovia Moji- Bertioga. O veículo tombou na estrada por falha mecânica e matou os universitários que retornavam   a seus lares depois de estudos noturnos. Não foi o maior acidente com estudantes, pois este ocorreu em agosto de 1960   no município paulista de Guapiaçu , quando um ônibus trafegando de S. José do Rio Preto para Barretos caiu de uma ponte no rio Turvo, ocasionando o óbito de 59 alunos. Restou o motorista e um que se suicidou anos após.
Não deve haver dados mais profundos sobre   acidentes rodoviários com universitários, mas se houvessem, certamente as décadas de setenta e oitenta retratariam   os números mais   expressivos. Sei que há   alunos que viajam até hoje diariamente   dezenas de quilômetros para frequentar uma faculdade, mas isto não mais será habitual. Desde a década de 70 por só haver faculdades nas grandes cidades, já havia a oferta de cursos    em fins de semana. Os alunos cumpriam sua carga horária na sexta à noite, e sábado inteiro, às vezes domingo pela manhã, retornando após o almoço..

 

Os chamados cursos vagos, livres ou de “final de semana” que espocaram desde aqueles tempos em todo o país, que não deixavam de ser cursos semipresenciais graduando milhares de estudantes que, pela novidade, eram desdenhados recebendo críticas e considerações pejorativas. Talvez um ou outro pudesse ser criticado, mas não todos. Eram bem planejados e apoiados por apostilas, indicação de livros, professores animados e de compartilhamento de soluções e de colaboração entre os alunos, para vencer os desafios das tarefas curriculares. Imagine cursar um Curso com duração de 200 viagens semanais e ter a disposição de rodar a cada vez, entre ida e volta   300 quilômetros em média, mesmo levando em consideração que em algumas vezes este sacrifício fosse dividido, não era tarefa para qualquer um. Uma constatação tenho certeza, a da responsabilidade dos promotores desses cursos não era menor do que os dos atuais mantenedores, que dependem do sucesso do aluno para se manterem sustentáveis. Porém o mais importante que desejo destacar é que hoje graças à tecnologia, ninguém mais precisa viajar tanto, porque o ensino on line se desenvolve amparado pelas melhores estratégias educacionais. Hoje, quem quiser de fato aprender não precisa sair de casa.

 

A aprendizagem a distância no ensino superior começou há mais de um século e meio, no Reino Unido, quando a Universidade de Londres (fundada como “a universidade do povo”) criou, em 1858, o seu Sistema Externo, ou cursos por correspondência. Apenas para ilustrar, Mahatma Gandhi (1869-1948), fez todo o curso de direito numa época na qual um navio transportando o correio levava dois meses para transitar entre Londres e seu país. Nelson Mandela, prisioneiro na Cidade do Cabo por suas atividades contra o apartheid, também cursou direito a distância a partir de Londres. Quatro ganhadores do Prêmio Nobel em ciências conquistaram seus bacharelados pelo Sistema Externo da Universidade de Londres. Vale lembrar que T. S. Eliot, o mais importante poeta de língua inglesa no século XX, foi professor dos cursos desse sistema de 1916 a 1919.

O chamado EAD, embora guarde certa novidade, não é tão novo assim que não mereça reflexões, pois, a rigor, educação não presencial, no Brasil, vem lá detrás, dos anos 40. Os cursos do Instituto Monitor, escola pioneira no Brasil em cursos a distância, desde 1939, com mais de 6 milhões de alunos que estudaram e cresceram profissionalmente. Ou seja, como poucas instituições educacionais no país, ele está completando 80 anos. O Instituto Universal Brasileiro, fundado em 1941, é também outro pioneiro da educação a distância. Ambos desempenham um papel importante na aplicação como   modalidade de ensino, colaborando decisivamente para a formação de profissionais através dos cursos profissionalizantes, supletivos e técnicos. E não podemos esquecer os telecursos da TV Cultura e da Rede Globo.

 

A educação superior a distância universitária entrou no país na metade dos anos 90. Embora muitos achem que se trata de algo temerariamente novo, o EAD vem se consagrando no Brasil como uma estratégia para democratizar a educação brasileira. É do Guia do Estudante a publicação de 19 de setembro último, cujo título é: “Número de vagas em graduação a distância supera de graduação presencial”. Em 2018, foram 7.170.567 vagas de EAD, contra 6.358.534 presenciais. Esses números são do Censo da Educação Superior, divulgado pelo MEC e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que sempre mede os resultados do ano imediatamente anterior a sua publicação. Embora não corresponda à quantidade de matrículas, o aumento de vagas sinaliza uma tendência mundial que chega ao Brasil. Segundo a mesma notícia, “este ano, o MEC também liberou a oferta de mestrado e doutorado a distância mediante alguns requisitos específicos que devem ser cumpridos pelas universidades interessadas”.

Dentre as vantagens da educação a distância, destaca-se sua capacidade de possibilitar inclusão social, e digital, para aqueles que têm, por exemplo, dificuldade de locomoção ou moram em regiões distantes de grandes centros urbanos ou ainda não podem arcar com os preços dos cursos presenciais. Mas não só isso.
O conjunto de recursos materiais e intelectuais empregados pelos sistemas de aprendizado sempre sofrem modificações e atualizações ao longo do tempo. Razão porque os meios utilizados pelos processos educacionais acabam numa constante evolução, e nem poderia ser diferente. A educação ganhou complexidade no decorrer das décadas a partir de alterações socioeconômicas e do aprofundamento da teoria do conhecimento, refletindo no aparecimento de abordagens pedagógicas mais abrangentes e evoluídas. Mas, nada se compara ao cenário inédito estabelecido nos últimos anos

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Quanto à aceitação dos egressos de EAD a necessidade faz com que os candidatos desenvolvam características muito necessárias para o  mercado de trabalho, entre elas, independência, criatividade, organização, iniciativa, gestão de tempo e foco. No ensino presencial o professor era o mesmo a cada ano e o conteúdo mudava depois de 20 anos. No EAD é diferente; a  cada semestre a disciplina aparece renovada.”.

 

Pelas razões expostas, não tenho a menor dúvida que dentro de dois ou três anos ,70 % dos alunos farão cursos online ou semipresenciais pela comodidade de não precisarem se locomover. A competitividade entre as IES obrigará aos   sucessivos aperfeiçoamentos da qualidade da oferta de cursos   propiciados pelo desenvolvimento constante da tecnologia do aprendizado.

Para ter mão de obra qualificada e fortalecer suas próprias necessidades de desenvolvimento profissional e econômico e de melhor qualidade de vida social de seus cidadãos, vamos precisar aprimorar o atributo mediático da tela do computador ou do Iphone para ela ensinar.

O professor comunicador usando o melhor roteiro organizará a trilha que ensina apoiado nas tecnologias informacionais para mostrarem o melhor conteúdo, ilustração e infográficos. A tela que ensina terá de ser tão

persuasiva como uma mensagem publicitária, capaz de entreter, justificar, argumentar, para que o consumidor consiga aprender. Daqui para a frente quem vai ensinar será a tela, aliás como sempre o fez com outros suportes. A: tela de papel, de barro, de madeira, de pedra e  a do quadro negro.